.21 de junho de 2018

Germinal - Émile Zola




Homens brotavam, um exército negro, vingador, que germinava lentamente nos sulcos da terra, crescendo para as colheitas do século futuro, cuja germinação não tardaria em fazer rebentar a terra.”

Desde a primeira vez que li um livro naturalista, (O Coruja de Aluísio Azevedo) fiquei muito interessada por essa escola literária e isso só aumentou a medida que a estudei na faculdade (para quem não sabe, sou formada em Letras) e descobri ser ela uma criação do escritor francês Émile Zola. Naquela época não pude ter contato com as obras desse autor porque a quantidade de leituras era enorme, mas, felizmente, esse ano pude realizar meu objetivo e li uma das histórias mais intrigantes e pungentes de toda a minha vida até agora, além de aprender bastante sobre o comunismo marxista.
Germinal foi publicado em 1885 e retrata a vida de trabalhadores de minas de carvão no interior da França. Sendo o 13 º volume da série Les Rougon-Macquart - histoire naturelle et sociale d'une famille sous le Second Empire que narra o declínio de uma família e ao mesmo tempo, como o subtítulo diz, um estudo sobre a sociedade do Segundo Império. Contudo, não precisam se assustar, cada livro traz uma narrativa com começo, meio e fim e podem ser lidos em qualquer ordem.


Uma única ideia lhe ocupava o cérebro vazio de operário sem trabalho e sem teto, a esperança de que o frio se tornasse menos agudo com o romper do dia.”


Etienne Lantier é demitido de seu trabalho porque bateu em seu chefe quando estava bêbado. O rapaz vive preocupado com essa predisposição hereditária ao alcoolismo e à violência. Sem trabalho e sem dinheiro ele chega a uma mineradora de carvão e consegue um emprego lá como operador de vagonetes, ao mesmo tempo em que ele, nós conhecemos também a família Maheu. Os Maheu são uma família de operários que há mais de um século dão sua vida para as minas de carvão e veem sua saúde se deteriorar, vivendo sempre na miséria, sem nenhuma perspectiva de melhora de vida. Os dessa geração são o velho Boa-Morte, tem esse nome por ter sido soterrado três vezes no fundo da mina e ter sobrevivido a todas; o sr. e sra. Maheu e os filhos: Zacharie, mais velho, mora ainda com os pais, mas já tem dois filhos ilegítimos; Catherine, uma jovem de dezesseis anos totalmente submissa a sua condição de mulher operária, sem nenhuma grande aspiração na vida; Jeanlin, um pequeno sociopata... Sério, se esse termo já existisse na época, esse menino com certeza se encaixaria nele; e as crianças: Alzire, uma deficiente que mesmo assim ajuda muito a mãe nos afazeres domésticos; Henri e Lenóre, que segundo a própria mãe "só servem para comer e dar despesas" e Estelle, uma bebê recém nascida; Já deu para perceber que pela quantidade de gente, eles passam muitos apertos nessa casa, né...


As pessoas viviam tão chegadas, de um extremo a outro, que nenhuma parcela de vida íntima se conservava oculta, mesmo para as crianças.”


Em contrapartida, conhecemos também os Gregóire e os Hennebeau. Os primeiros, são o total oposto dos Maheu: desde o início da companhia mineradora sempre tiveram algumas ações, logo, acumularam dinheiro por mais de um século e vivem desse dinheiro, do suor dos outros, em uma total ociosidade; Os segundos são a família do diretor da companhia, também vivem em grande conforto e alienação, enquanto os trabalhadores passam fome.


O dinheiro ganho com o suor dos outros é o que mais engorda.”


Etienne não demora a se acostumar com o trabalho. E a partir do momento que se integra a vida social local, percebe o quão miserável e animalesca ela é. Basicamente, os operários preocupam-se apenas com pão e quando não estão trabalhando, estão fazendo filhos, o que deixa nosso protagonista frustrado e revoltado.


As coisas estavam nesse pé, um descontentamento surdo fermentava na mina, o próprio Maheu, tão calmo, andava de punhos cerrados.”


Por causa de uma crise industrial, a companhia decide diminuir os salários e não demora muito para que germine nos trabalhadores o sentimento de revolta e, liderados por Etienne, eles começam uma greve que trará graves consequências para todas as esferas dessa sociedade.
Em Germinal, Zola faz uma análise de duas correntes de pensamento muito em voga no século XIX: o Marxismo e a Anarquia. Se você já leu O Manifesto Comunista ou algum texto de Bakunin, vai perceber que Zola sintetizou, ou melhor, fez uma romantização de ambos os pensamentos e de suas trajetórias através dessa história, algo muito instigante. Se você estiver lendo O Manifesto ou qualquer obra sobre o comunismo, indico muito essa leitura como forma de exemplificá-lo.


Esse Karl Marx de vocês ainda acredita que se deve deixar agir as forças naturais. Nada de política, nada de conspiração, não é isso? Tudo feito abertamente, luta só pela subida dos salários…” Incendeiem as cidades, ceifem os povos, arrasem tudo e quando não sobrar mais nada deste mundo podre, talvez nasça outro melhor dos escombros.”


Ademais, Zola traz outra corrente filosófica: o Determinismo, mostrando que a grande maioria dos indivíduos está fadada a sucumbir ao meio no qual está inserta e que são pouquíssimas as que se sobressaem a ele e alcançam o "sucesso".
No campo das figuras de linguagem a que mais aparece aqui é a zoomorfização, ou animalização. Pois a todo momento o narrador se dirige aos operários como animais e lhes atribui características de animais, mostrando como essas pessoas eram vistas por aqueles que não compartilhavam de sua dura "sorte".


Escuta, eu amaldiçoo os dois se eles se amigarem. Então, Zacharie não nos deve respeito? E custou-nos dinheiro, não foi? Pois então, nos pague o que deve antes de se grudar a uma mulher…”


Há também, uma descrição minuciosa dos relacionamentos ao longo da narrativa, sejam eles convencionais, familiares, de trabalho ou amorosos. É absurdo ver como os pais daquela época, os pobres, claro, viam seus filhos como meras fontes de renda, forças braçais para ajudar no sustento da casa, por isso os vários. As relações amorosas também têm um análise a parte com as personagens Catherine e Chaval, que vivem um relacionamento abusivo e doentio; e o casal Hennebeau que também vive uma situação abusiva, mas no âmbito da frieza e da traição.


Era Chaval, que entrara de um salto pela porta aberta e lhe dera um coice de besta furiosa. Havia um minuto que a espreitava do lado de fora. - Cadela! - urrou ele - Eu te segui, sabia que vinhas aqui foderes até rebentar! E quem paga és tu, hein? O café que trazes para ele foi comprado com o meu dinheiro!”

Antes de iniciar essa leitura, eu já sabia ser um texto bem complexo, por isso decidi fazer um fichamento da obra. Logicamente, Germinal é mesmo muito complexo e cheio de nuances que não poderiam ser comentadas em uma única postagem de blog, mas espero que esse texto tenha dado a vocês um vislumbre da importância dessa narrativa e os incentive a lê-la, pois, acreditem, o século retratado é o XIX, todavia, as desigualdades sociais perduram até hoje e são idênticas...

.18 de junho de 2018

[LISTA] - 5 Livros Para Rir Muito! =D


Oi, gente! O inverno está chegando e junto com ele sempre vem aqueles dias frios, chuvosos, cinzentos e melancólicos, principalmente, se você mora aqui em São Paulo. Nos últimos tempos, acho super legal ler histórias mais divertidas e leves nessa época do ano para quebrar um pouco a tendência ao existencialismo... Portanto, se você é o tipo de pessoa que se deixa levar pelo clima, com certeza, essa lista vai te ajudar a ficar mais animado e menos melancólico nesse inverno! =) 
Os critérios que coloquei aqui são de histórias que me fizeram rir, ou deixaram uma sensação de divertimento, ou simplesmente me entretiveram de uma forma leve e me fizeram sorrir em algum momento, levando em consideração que conheço outras pessoas que tiveram essas mesmas reações com esses livros. Então, vamos à lista: 

1 - O Diário de Bridget Jones 
Esse foi o segundo chick-lit que li em minha vida e sem dúvida é um dos mais engraçados! Aqui conheceremos a protagonista Bridget Jones, uma mulher na casa dos trinta cheia de indecisões e incertezas, muito atrapalhada e extrovertida. É impossível não rir com as situações nas quais ela se coloca e ela é tão atrapalhada que até nos momentos mais tristes não consegue te passar um sentimento de desamparo e melancolia, o que não acontece nos demais volumes dessa trilogia. Sim, esse é o primeiro livro de uma trilogia.

2 - Como se Livrar de um Vampiro Apaixonado 
Lembro-me de ter lido essa história no primeiro ano de faculdade!! Nossa, faz muito tempo isso! Mas Como se livrar de um vampiro apaixonado ainda está bem vívido em minha memória, pois como esquecer da história de um jovem vampiro que sai da Romênia rumo aos E.U.A. para buscar sua noiva vampira, uma adolescente de 17 anos super preocupada com as "encanações" típicas dessa idade, só que com um bom humor e um sarcasmo maravilhosos. Destaco as cartas do jovem vampiro ao tio, gente, é de rolar de rir como ele explica coisas comuns como celular, fast-food etc. 

3 - O Clube das Desapaixonadas 
Esse também li já há algum tempo e foi uma leitura bem interessante porque eu não sabia nada a respeito quando peguei esse livro. Aqui, vamos conhecer a história de três amigas que, por causa de seus relacionamentos frustrados, decidem criar um blog O Clube das Desapaixonadas para expor todos os homens com quem se encontram e o lema é: pegar, sem se apegar. É claro que Leila, nossa narradora e protagonista, uma romântica assumida, não vai conseguir seguir essa regra muito bem... Essa livro é muito engraçado justamente por causa dos encontros da Leila que acaba arranjando um pseudo-encosto chamado Fabrício. Na moral, o cara se aboleta na casa da menina e não quer sair mais! Medonho, porém hilário. 

4 - Cem Anos de Solidão
Gabriel García Marques me impressionou muitíssimo nessa obra. A narrativa de gênero realismo-maravilhoso é simplesmente surreal e muito engraçada do início ao fim! Como ele conseguiu fazer isso? Gente, não sei. Só sei que a trajetória da família Buendía com sua matriarca que vive mais de CEM anos, na ativa mesmo, mais ativa que os jovens, dos inúmeros José Arcádios e todas as maluquices que essas personagens fazem é de chorar de rir. Sério, vocês precisam ler Cem Anos de Solidão

5 - As GRANDES aventuras de Daniella 
Por fim, outro chick-lit de autora brasileira. Daniella é uma jovem de 28 anos que tem problemas sérios com sua aparência por ser gorda. Apesar de sua atitude auto-destrutiva, ela é muito engraçada! E sabe disso! Nos fazendo rir em diversos momentos. 









Então é isso, gente. Espero que vocês tenham gostado da lista e se vocês conhecem ou leram livros que fizeram vocês rirem bastante deixem nos comentários para pegarmos mais dicas. 





.15 de junho de 2018

[ANIMA] - Lovely Complex


Na adolescência, eu assistia muito anime. Lovely Complex sempre me chamou atenção, porém, por algum motivo desconhecido, demorei quase dez anos para assisti-lo. E sério, se tivesse contato com essa história na adolescência, esse período da minha vida teria sido muito mais leve...
Lovely Complex é um anime shoujo baseado em uma série de mangás de mesmo nome. Com 24 episódios, acompanha a vida de um grupo de adolescentes japoneses tendo como protagonistas Koizumi Risa e Otoni Atsushi, dois jovens bem fora do "padrão"...
Para nós, ocidentais, não há nada demais no fato de Risa medir 1,72 e Otoni 1,56, contudo, para os japoneses essas características são inadmissíveis e muito estranhas, logo, ambos são alvos constantes de preconceito e piadinhas na escola.
Justamente por causa de suas alturas, os dois acabam se aproximando e tornando-se grandes amigos  até porque têm outras coisas em comum. Com o passar do tempo, essa amizade transforma-se em um amor, só que o título do anime é Lovely Complex, né... Não vai ser nada fácil esses dois ficarem juntos! 
Risa apaixona-se pelo amigo primeiro. Ele passa vários episódios num "chove, não molha" de deixar qualquer um doido! Mas, Risa permanece resoluta em seu objetivo de conquistá-lo. Algo engraçado e ao mesmo tempo frustrante.
Lovely Complex é um shoujo fora dos padrões mesmo. É muito engraçado. Existe drama por causa de um amor não correspondido? Sim, mas logo em seguida vem algum alívio cômico e você percebe que antes de mais nada Risa e otoni são melhores amigos.
Infelizmente, o "chove, não molha" do Otoni se arrasta por vários episódios, o que pode ser compreensível para librianos e companhia, mas bem irritante para pessoas de signos fixos... '-'
Vale ressaltar que essas personagens são muito divertidas e diferentes também! Risa além de ser mais alta do que todas as garotas, não faz as vezes de heroína perfeita. Detesta estudar, vive jogando video-game e está sempre com um penteado diferente e muito estilosa, fugindo de qualquer padrão. Já Otoni, apesar de baixinho é o capitão do time de basquete da escola e joga muito bem, além de ser tão preguiçoso quando a amiga. 
Lovely Complex tem um traço muito bonito, suave e ao mesmo tempo com cores vibrantes, um contraste interessante. Tudo nele ressalta a animação da descoberta do mundo ao lado dos amigos, trazendo uma good vibes ótima!
Só posso dizer que adorei esse anime. Mesmo com o romance não correspondido, Lovely Complex é muito fofo e engraçado, além de muito lindo de se ver. Se você gosta de histórias cheias de romance, um pouco de drama, situações fofinhas e, lógico, de dar boas risadas, dê uma chance para esse anime e divirta-se! 

.12 de junho de 2018

O País de Outubro - Ray Bradbury


Há quase dois anos atrás, li pela primeira vez uma obra de Ray Bradbury: Farenheit 451. Uma história que deixa qualquer leitor de cabelo em pé... Gostei tanto da escrita desse autor que decidi ler outro livro escrito por ele. Demorou, mas esse ano consegui ler a coletânea de contos O País de Outubro
Quando você lê ou ouve a palavra Outubro o que vem primeiro a sua mente? Eu penso, confesso, no outono e nas cores outonais (influência da literatura e filmes produzidos no hemisfério norte...) e, claro, no Halloween! E, em consequência dele, em coisas macabras e sobrenaturais. Logo, o que esperar de uma obra cujo título é O País de Outubro? Muitas histórias sobrenaturais, claro! 
Ao longo dos dezenove contos que compõem essa coletânea, encontramos diversas situações fantásticas, fora do comum, com criaturas não-humanas e um pouco assustadoras até... 
Os primeiros seis contos, para mim, não foram muito interessantes. Achei-os bem chatos e o tom fantástico mais "realista" ou "sutil" contido neles não foi bem trabalhado pelo autor, infelizmente. Mas, calma, esse não é um livro ruim! Do sétimo conto ao último, a impressão é completamente diferente! As narrativas são bem desenvolvidas e instigantes! Deixam você roendo as unhas e querendo saber mais! Sério, a genialidade de Ray Bradbury fica bem visível nelas, o que me deixou muito feliz, pois realmente gostei do primeiro contato que tive com sua escrita.


Destaco as histórias mais interessantes ou perturbadoras para mim: 

Em O Pequeno Assassino, uma jovem mãe pensa estar sendo ameaçada de morte por seu bebê recém-nascido.... 
A Multidão mostra que toda vez que acontece um acidente independente de qual tipo ou onde, sempre uma multidão com as mesmas pessoas aparece, antes da polícia e bombeiros, decidindo assim se a vítima vai viver ou morrer... 
A caixinha de Surpresa mostra o filho de Deus aprendendo, ou não suas funções divinas... 
A Segadeira faz um homem ceifar a vida das pessoas toda vez que corta um campo de trigo que não para de crescer nunca...
O Vento, traz um homem perseguido pelo vento, sim, pelo vento e ninguém acredita nele, mas será que se acreditassem, poderiam salvá-lo dessa força da natureza? 
Com dito anteriormente, adorei vários contos, porém esses foram meus favoritos e os que mais me impressionaram pela criatividade do autor. 
Sinceramente, comecei a leitura de O País de Outubro sem saber o que esperar, me decepcionei no começo, no entanto a leitura engatou e foi surpresa e empolgação até o fim. A escrita de Ray Bradbury é muito envolvente e criativa, com certeza, ele se dá muito bem tanto na ficção científica quanto na fantasia. Recomendo esse livro a todos que gostem de histórias curtas e com temática sobrenatural. vocês vão adorar!


.9 de junho de 2018

[FILME] - Tempos Modernos


Pois é, você vai achar estranho, ou engraçado, mas eu nunca tinha assistido um filme antigo no estilo preto e branco em toda a minha vida até agora. Isso porque sempre tive medo... é, eu tenho um certo medo de produções assim, não me perguntem o porquê... 
Sabendo disso e querendo muito que eu assistisse a uma das obras mais famosas de Charlie Chaplin, Tempos Modernos, o Samuel se dispôs a vê-la comigo e deu certo!
Produzido, dirigido, roteirizado e protagonizado por Charlie Chaplin, Tempos Modernos teve seu lançamento em 1936 e mostra uma das icônicas personagens do ator, "O Vagabundo" tendo de lidar com questões como estresse por trabalho repetitivo, falta de dinheiro, desemprego e preconceito social.


O protagonista interpretado por Charles Chaplin começa sua jornada trabalhando em uma fábrica cujo dono fica sentado o dia todos mandando aumentar a produção. Após um surto, o protagonista é preso, contudo, por causa de suas trapalhadas, ganha a confiança dos policiais, é solto e cai direto na dura realidade do desemprego.
Nas ruas, sem dinheiro e sem trabalho, ele se envolve acidentalmente em uma greve dos mesmos funcionários da antiga empresa onde trabalhara, conhece uma jovem órfã também sem eira nem beira e tenta, sempre de forma atrapalhada, conquistar o sonho americano... 
Por ser um filme de Charles Chaplin, Tempos Modernos é uma comédia e te faz rir em vários momentos, porém usa desse artifício para denunciar diversos problemas sociais sérios. Adorei a experiência de assistir um filme em preto e branco! Já quero ver outros!


E ai? Conheciam Tempos Modernos? Gostam de assistir filmes antigos? Deixem sugestões nos comentários =) 

.6 de junho de 2018

As Bruxas de Salém - Arthur Miller


Quem me conhece sabe que não sou lá grande fã de ler textos teatrais, mas sempre tive muito interesse na história de As Bruxas de Salém, infelizmente, um acontecimento real que me choca até hoje por causa de todo o fanatismo e alienação dos moradores desse lugar...
Caso você nunca tenha ouvido falar disso, em outubro de 1692, no pequeno povoado de Salém, em Massachusetts, E.U.A., várias pessoas foram acusadas de bruxaria pela filha e pela sobrinha do reverendo local. Essas pessoas foram presas, torturadas e muitas condenadas à morte por enforcamento SEM NENHUMA PROVA verossímil ou mesmo um julgamento descente! O que causou, ao longo dos anos, muito horror e indignação não só na população do país, mas no mundo inteiro praticamente.
Em 1953, algo parecido acontecia: em plena Guerra Fria, vários artistas e intelectuais foram levados à julgamento por falsas acusações de serem comunistas, situação absurda que inspirou Arthur Miller a fazer alguma coisa para denunciá-la, assim nasceu o texto teatral de As Bruxas de Salém.
O desenrolar da peça é o mesmo da história real, contudo, o autor a utiliza como uma alegoria para seu próprio momento histórico, trazendo mais profundidade e dilemas as suas personagens e mudando a idade delas, como é o caso das meninas que iniciaram todo esse horror, Betty e Abgail que tinham, de fato, 9 e 11 anos, mas, nessa obra, são adolescentes. Vemos em poucas páginas um panorama bem desenvolvido de todas as frivolidades, falsidades e hipocrisias humanas como, por exemplo, uma mulher ser acusada de bruxaria por ler livros! E seu marido ao tentar defendê-la ser acusado e condenado a morte apenas por defendê-la!! Tendo por trás disso, o interesse de uma vizinha em obter as terras desse casal...Outro ponto triste e infeliz é o modo como os negros são retratados, através da figura da escrava Tituba, mulher simples, comum que recebeu toda a culpa pelas mentiras das meninas, afinal, ela era uma "negra" praticante de uma religião desconhecida e mal interpretada, um excelente bode expiatório para o maucaratismo. 
Miller dá a entender que todo o caso não passou de mera inveja de uma adolescente que queria ter um caso com um homem casado; e o medo de um homem simplório de perder seu cargo de prestígio, mesmo ele sendo péssimo em seu posto. Pensando nesse texto como uma crítica ao macarthismo, as motivações das personagens são muito plausíveis e, por isso mesmo, ainda mais perturbadoras.
Sem sombra de dúvidas, As Bruxas de Salém é uma narrativa revoltante por causa de todas as acusações absurdas. E, ao término de sua leitura, torna-se ainda mais medonha, pois não estamos longe desse tipo de situação... Ainda há muitos que acreditam e replicam notícias falsas, divulgam informações errôneas e corroboram com pensamentos e atitudes preconceituosas e intolerantes apenas por não entenderem seu contexto, ou não vivenciarem isso. Com certeza, uma leitura ainda necessária nos dias de hoje.

E ai, gostaram da resenha? Sabem mais a respeito do assunto? Deixem nos comentários suas opiniões e informações adicionais que vou adorar lê-las! 

.3 de junho de 2018

Respondendo a Tag: "No Outono é sempre igual"

Olá, pessoal! Mês de junho, um friozinho danado aqui em Sampa e já estamos chegando ao final do outono, uma das estações mais bonitas, na minha humilde opinião. Para homenageá-la, decidi trazer essa tag super criativa que vi no blog Amor Literário e foi criada por uma moça chamada Melina Souza. Vamos as respostas: 

1 - A noite cai, o frio desce:
um livro que se passa em uma época fria.

Achei esse termo "época fria" bem abrangente porque interpretei como sendo tanto no sentido térmico da palavra quanto no sentido emocional, tendo isso em vista, escolhi o livro Jardim de Inverno, história bem complexa sobre uma mãe aparentemente narcisista que nunca deu atenção às filhas, mas, após a morte do marido, essa mulher precisa cumprir uma promessa: contar às filhas toda a história de sua vida que remonta à Rússia Soviética durante a Segunda Guerra Mundial tendo ao mesmo tempo uma viagem em família para o Alasca. Mais frio do que isso, não li ainda. '-'


2 - Mas aqui dentro predomina esse amor que me aquece e protege da solidão: 
um livro quentinho no coração.

Poxa, não queria ser repetitiva aqui... O problema é que leio muita coisa só que nada "fofinho", então, para mim, livro que deixa um quentinho no coração é aquele que tenho vontade de ler sempre e traz uma sensação boa ao lembrá-lo e sinto isso com Só Garotos de Patt Smith, pois a história de vida, amor e amizade mostrada nessa obra é muito linda e inspiradora. 


3 - A noite cai, o frio traz o medo e a aflição: 
um livro com uma atmosfera sombria.

Bem, aqui chegamos a minha praia, não é mesmo? Hahaha Um livro recente que logo terá resenha aqui no blog e é extremamente sombrio e perturbador é As Bruxas de Salém, obra baseada em um caso real de histeria coletiva que levou muitas pessoas à morte acusadas de bruxaria, pasmem: sem nenhuma prova. 

4 - Mas é o amor aqui dentro que acalma o meu coração: 
um livro que você gostaria de viver dentro e interagir com os personagens.

Nossa. Super difícil essa pergunta, mas acho que mantenho minha vontade de conhecer O Mundo Atrás do Espelho da série Reckeless de Cornelia Funke. Adoraria ser uma caçadora de tesouros mágicos *___*


5 - No outono é sempre igual: 
um livro, autor, ou gênero que você goste de ler nessa época do ano.

Nunca me liguei, gente, nas leituras que fiz durante o outono. Olhando aqui os arquivos do blog, percebi que no ano passado e nesse li muitos livros dramáticos, então, seria o gênero Drama, talvez. 


6 - As folhas caem no quintal: 
um livro que trata de um assunto delicado.

Acho que Apenas Uma Garota é uma obra que aborda uma questão ainda muito delicada e pouco compreendida: identidade de gênero. Nesse livro, vamos conhecer a história de Amanda, uma adolescente trans tentando levar uma vida normal.


7 - Só não cai o meu amor: 
um livro com uma historia de amor.

Vamos de O Amor nos tempos do Cólera, uma das histórias mais fofas que já li. Aqui, acompanhamos o personagem Florentino Ariza esperando, exatamente, por cinquenta e três anos, sete meses e onze dias a oportunidade de ficar com a mulher amada. É amor que você quer, @? Pega.


8 - Pois não tem jeito não é imortal: 
um livro que você acha que deveria virar um clássico para que todas as futuras gerações pudessem ler.

Ah, espero que todos os livros da Chimamanda Ngozi Adichie virem clássicos, pois todos devem ler as histórias marcantes e reflexivas escritas por essa mulher.

Então é isso, gente. Adorei essa tag! Espero que vocês tenham gostado também. Digam-me nos comentários quais seriam suas respostas. =) 
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