Mostrando postagens com marcador Livros favoritos do ano. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Livros favoritos do ano. Mostrar todas as postagens

.24 de maio de 2019

Lua de Larvas - Sally Gardner



     Não é segredo nenhum que eu sou uma verdadeira adoradora do gênero distopia. Gosto muito dessas tramas envolvendo organizações sociais e a tão empolgante e inevitável luta dos indivíduos pela liberdade. Contudo, não escondo também que muitas distopias teen me decepcionaram ao longo dos anos e acabei deixando-as de lado para evitar a fadiga. Felizmente, conheci a narrativa de Lua de Larvas, há algum tempo atrás, anotei a dica e a experiência não poderia ter sido melhor!
     Narrado em primeira pessoa por Standish Treadwell, um garoto de dezesseis anos, Lua de Larvas nos mostra uma realidade ao mesmo tempo familiar e bem diferente da nossa, chegando a ser grotesca. A familiaridade está no fato da história se passar durante o período conhecido como "Corrida Espacial" e a insistente tentativa de levar o homem à Lua. Entretanto, as diferenças são gritantes: a organização social desse país anglófono intitulado Terra Mãe é autocrática. Aparentemente, este sofreu, além da Segunda Guerra Mundial, um conflito civil, pois está quebrado em todos os sentidos. A população vive em condições sub-humanas e é vigiada o tempo todo. Qualquer manifestação contra o regime é brutalmente cessada. Todos vivem com medo. Todos desconfiam de todos.
    Ademais, A Terra Mãe é contrária a todo e qualquer tipo de defeito, o que deixa nosso protagonista na mira do governo, porque ele tem problemas cognitivos, possui heterocromia e seus pais estão desaparecidos por não apoiarem o governo... No momento em que a história começa, além dos pais, ele perdera também seu único e melhor amigo, Hector, que desapareceu juntamente com a família.
Stan sofre muito por causa dessas perdas, pois os amava muito e sempre fora protegido por eles e, agora, era perseguido constantemente por colegas da escola e pelo professor também.
     A narrativa caminha de forma não linear alternando tempo cronológico (presente) e psicológico (flash backs). No primeiro, acompanhamos o protagonista em seu dia-a-dia e vemos como A Terra Mãe é muito cruel, além do anúncio da possível chegada do homem à Lua. No segundo, vemos o passado do garoto, seus pensamentos e planos e descobrimos que as famílias dele e de Hector não estavam na mira do governo à toa, e que eles escondem um segredo que pode mudar os rumos de todo o universo deles.
    A trama de Lua de Larvas é repleta de críticas e simbolismos. O início de cada capítulo é ilustrado pela figura de um rato que vai se modificando e tem relação direta com a o desenvolvimento e até mesmo com o desfecho da trama. Há também um certo quê de representatividade, por causa do modo como a autora retrata o Stan (que claramente tem um grau leve de autismo) e a descoberta da sexualidade.
   Lua de Larvas pode ser categorizado como uma distopia teen por causa da idade de seu narrador protagonista, mas não se assemelha em nada com a superficialidade deste gênero, entregando-nos uma narrativa curta em páginas, porém densa, complexa e verdadeiramente reflexiva.


.6 de abril de 2019

O ancião que saiu pela janela e desapareceu - Jonas Jonasson



No dia de seu aniversário de cem anos, o sueco Alan Karlsson decide jogar tudo às favas e pula pela janela da casa de repouso onde vive para pegar de volta sua liberdade, é assim que começa a história de O ancião que saiu pela janela e desapareceu.  Ele só não imaginava que essa ação desencadearia uma série de outras dignas de uma verdadeira odisseia, só que muito mais divertidas de se acompanhar, Homero que nos desculpe a sinceridade... 
O ancião que saiu pela janela e desapareceu é classificado em sua ficha catalográfica meramente como um "romance", contudo, é notória sua semelhança estrutural com as obras Forrest Gump e As Aventuras do Bom Soldado Svejk (já resenhadas por aqui) que é possível classificá-lo também como uma novela satírica tal qual seus antecessores. A narrativa também tem muitas características que beiram o realismo-maravilhoso, pois a forma como Alan Karlsson consegue escapar dos problemas e sua vitalidade em seus mais de cem anos não é algo que se vê todos os dias por ai, porém, tudo isso é tratado de maneira bem natural ao longo do texto, como se fosse tudo comum, até prosaico. 
Por tratar-se de um livro que propõe nos contar o passado nada ortodoxo de seu protagonista, a narrativa trabalha com o tempo cronológico, no qual Alan foge do asilo e acaba sendo perseguido por uma gangue de mafiosos, deixando um grande rastro de sangue e de muita confusão por onde passa; e o tempo psicológico, narrando suas aventuras anteriores, desde o nascimento e infância incomuns na Suécia, até sua ajuda em todos os grandes conflitos mundiais do século XX, tendo participação até na criação da bomba atômica, para vocês terem uma ideia... 
A narração de mais de cem anos de História não seria nada fácil de se acompanhar se não fosse pelo narrador em terceira pessoa irreverente e muito bem humorado, cheio de ironias e tiradas sarcásticas que nos fazem rir e pensar no quão absurda é a vida de Alan, mas, sinceramente, coerência não é a palavra de ordem nesse livro! 
Leitura mais do que recomendada para todos os amantes de História e de boas gargalhadas, O ancião que saiu pela janela e desapareceu é, com certeza, mais um ótimo exemplo de que a literatura sueca tem muito a nos oferecer, desde o terror (vide Deixa Ela Entrar) quanto no humor e na crítica social.

Fica a dica! =D 

.30 de janeiro de 2019

Os Meninos da Rua Paulo - Ferenc Mólnar

Mais um livro infanto-juvenil de cortar o coração...



Definitivamente, eu sou uma péssima pessoa para sortear leituras! Há poucas semanas atrás li O Meu Pé de Laranja Lima, um infanto-juvenil muito triste e comovente e, hoje, acabo de terminar a leitura de Os Meninos da Rua Paulo, uma história que conseguiu ser ainda mais trágica! Essa foi a primeira obra do senhor Ferenc Mólnar que tive a oportunidade de ler e o cara já quebrou meu coração!

[…] “Assim, decidiram a luta por motivo semelhante ao que desencadeia as guerras de verdade. Os russos precisavam de mar, por isso atacaram os japoneses. Os camisas-vermelhas precisavam de um terreno para jogar pela, e como não havia outro jeito, iam recorrer à guerra. “ […]

Considerado o livro mais famoso da literatura húngara ao redor do mundo, Os Meninos da Rua Paulo, publicado em 1907, narra de maneira metafórica a difícil transição da inocência da infância para as agruras da vida adulta, além de tratar também dos efeitos das guerras constantes no imaginário da população, principalmente, das crianças.
Um grupo de garotos, em sua maioria, de origem humilde que tem como refúgio um terreno abandonado, esses são Os Meninos da Rua Paulo. Lá, comandados pelo mais velho de todos, João Boka, eles acreditam fazer parte de um exército que tem como únicos soldados rasos o pequeno lourinho, Ernesto Nemecsek, e o cachorro do vigia do terreno...
A vida dos meninos transcorria tranquila, até que estes descobrem que o grupo rival os "camisas-vermelhas" querem atacá-los para roubar-lhes o espaço de brincadeiras e diversão. Ademais, para surpresa de todos, há um traidor entre eles, capaz de ajudar o inimigo a conquistar seu objetivo vil.
Por ser o único em um posto baixo, Nemecsek decide provar seu valor para o grupo a fim de subir de posição, contudo, ninguém imaginava o quão leal e corajoso era o lourinho, e muito menos as consequências de suas ações...

[…] “Boka fitava com gravidade a própria carteira, e na sua alma de menino pela primeira vez vislumbrou uma vaga ideia do que é, afinal, a vida, da qual todos somos os soldados e os servidores, ora tristes, ora alegres.” […]

Os Meninos da Rua Paulo é uma novela incrivelmente emocionante e cheia de valores e muita honra. O modo como os meninos se tratam, mesmo os inimigos é algo para se espelhar, pois essas crianças são de uma dignidade que falta em muitos adultos!
A escrita de Ferenc Mólnar é linda. Começa de maneira bem tranquila e corriqueira e termina de maneira comovente, deixando uma tristeza grande em nossos corações. Há diversas adaptações da obra para filmes e peças teatrais. Com certeza, esse é o tipo de história infanto-juvenil que também agrada ao público adulto e deve ser lido por todos.

.18 de janeiro de 2019

O Meu Pé de Laranja Lima - José Mauro Vasconcelos

Um livro profundamente triste e tocante 



O Meu Pé de Laranja Lima é um livro infanto-juvenil muito conhecido, não apenas aqui no Brasil, como em quase todo o Globo. A influência de José Mauro de Vasconcelos era enorme durante o século passado e muitas de suas obras foram estudadas em grandes universidades pela Europa. Contudo, foi com O Meu Pé de Laranja Lima que ele conseguiu consolidar-se e comover milhões de pessoas com essa tocante história. 
Zezé é um menininho de cinco anos de idade, muito esperto e arteiro, aprende a ler e escrever sozinho e tem uma imaginação fora do comum. Descobrimos ao longo das páginas que ele é pisciano. Se você não entende, ou não se interessa por astrologia, pode achar essa informação desnecessária, mas o menino é o completo arquétipo do signo de peixes: inventivo, sonhador, amoroso, carinhoso, solidário, bem dramático e até mesmo injustiçado... Ele sofre muito na mão dos adultos que não o compreendem e não têm paciência para suas diabruras de criança, e ainda assim permanece sendo bom e generoso com quem sofre mais do que ele. 
Ademais, a família de Zezé passa por um momento muito complicado. Seu pai perdeu o emprego, a mãe e a irmã mais velha precisam trabalhar muito para sustentar a todos, por isso a família se muda para uma casa menor e é lá que nosso protagonista conhece Minguinho, o pé de laranja lima. Apesar de ter sua imaginação fértil e viver altas aventuras com o novo amigo, Zezé é muito hostilizado por todos da família e apanha demais, chegando até mesmo a ficar dias de cama e quase morrer por conta de duas surras...

“Dor não é apanhar de desmaiar. Não era cortar o pé com caco de vidro e levar pontos na farmácia. Dor era aquilo, que doía o coração todinho, que a gente tinha que morrer com ela, sem poder contar para ninguém o segredo.”

A pobre criança de apenas cinco anos não entende porque os adultos são tão maus. Afinal, ele já está na escola, é o melhor aluno da sala mesmo sendo o mais novinho, apronta das suas, sim, apronta, porém, as duas surras "memoráveis" foram dadas em momentos no qual ele não fazia nada demais, uma total injustiça. Esses atos começam a endurecer seu coraçãozinho e ele vai se fechando para família. 
É quando conhece o português, Manuel Valadares, um homem muito bom e gentil que apieda-se no menino e torna-se seu amigo e protetor. A relação que esses dois têm é muito bonita e tocante. Zezé até pede para ser adotado pelo amigo, pois, em sua casa, é muito maltratado e a família passa por muitas dificuldades. O momentos nos quais os dois estão juntos, são os únicos em que o menino é verdadeiramente feliz e o deixam em paz. 
Por ser um livro narrado em primeira pessoa, em O Meu Pé de Laranja Lima, vemos apenas os pensamentos e o ponto de vista de Zezé, uma criança muito sonhadora e criativa, logo, as árvores falam, tudo possui uma cor e um brilho diferente e lúdico, algo deveras bonito de se ler. Infelizmente, a vida de nosso narrador não é nada fácil e os momentos poéticos são mesclados com a triste e brutal realidade de seu convívio familiar, o que é bem revoltante para o leitor. 
Essa resenha foi escrita enquanto tocava, repetidamente, a música "Dancing with tears in my eyes" da banda Ultravox. Mesmo parecendo uma escolha estranha de trilha sonora, essa música tudo tem a ver com as emoções e sentimentos deixados pela leitura de O Meu Pé de Laranja Lima, isso porque essa obra não é um mero conto infantil. Ela é bem triste e toca fundo e de maneira pungente nossos corações. Além disso, o livro é bem curtinho, possui menos de duzentas páginas, o que nos faz lê-lo em apenas um dia. A escrita de José Mauro de Vasconcelos é maravilhosa. Ágil, bela, sem enrolação, sem obstáculos, ele escreve de uma maneira que fica difícil para a leitura, até que você chega ao derradeiro fim e só consegue chorar... Com toda certeza, O Meu Pé de Laranja Lima vai conquistar você como me conquistou.

Resultado de imagem para o meu pé de laranja lima
http://nossacausa.com/cultura-meu-pe-de-laranja-lima/

.15 de janeiro de 2019

Os Pilares da Terra - o épico de Ken Follett


Os Pilares da Terra, livro publicado em 1989, por Ken Follett, apresenta como pano de fundo o contexto histórico medieval de um período conhecido na história da Inglaterra como "A Anarquia". Chamado assim, porque, após a morte do rei Henrique, em 1135, não havia um filho varão que pudesse herdar o trono. Contudo, ele fizera todos os nobres do país jurarem fidelidade a sua filha, Matilde, o problema é que ela era uma mulher e casada com um francês, por causa disso, a grande maioria dos lordes foi para o lado de seu primo, Estevão de Blois, e o coroaram rei, expulsando Matilde e sua família da Inglaterra. Condenando, assim, os lordes que mantiveram seu juramento como traidores e iniciando um período de extremo terror para os pobres e impunidade para os ricos que durou cerca de quatorze anos, embora os conflitos armados, disputas e desordem tenham perdurado até 1170.

“Ter fé em Deus não significa ficar sentado sem fazer nada. Significa crer que se terá sucesso se se fizer o melhor possível, sincera e energicamente.”

A narrativa de Os Pilares da Terra se passa nesse momento, acompanhando quatro protagonistas ao longo dos anos e entrelaçando suas vidas e desventuras. Além da questão da guerra, que afeta a todos, o grande foco aqui é a construção da monumental catedral da cidade de Kingsbridge, sendo este o ponto de convergência entre todas as personagens. Nossas protagonistas são: Tom Construtor, o idealizador da catedral; Prior Phillip, um monge temente a Deus, mas que não se deixa enganar e fará de tudo para ver a catedral construída; Jack, um jovem órfão de pai, criado pela mãe na floresta, muito inteligente e com um passado misterioso; e Aliena, a filha de um dos nobres acusados de traição, que vê sua vida mudar completamente e terá de ser muito forte para superar as adversidades e recuperar a honra da família.


A história começa com a primeira protagonista, Tom Construtor, um homem forte e excelente em sua profissão que, porém, não tem muita responsabilidade, ou mesmo sabedoria. Seu sonho é construir uma catedral desde a base até o fim. Ele não se contenta com sua vida simples e vê as catedrais de seu tempo como edifícios hediondos. Tom quer construir uma catedral bela e que possa tocar o céu. Ele, todavia, não está sozinho: sua mulher está grávida e eles tem mais dois filhos. Após uma discussão com o nobre William Hamleigh, um dos antagonistas da trama, Tom e sua família ficam desabrigados, sem emprego, sem nada. Na floresta, eles encontram  Jack e sua mãe, Ellen, ambos pessoas deveras misteriosas e intrigantes, pois, a despeito de sua vida rústica e errante, são cultos, sabem ler e escrever em inglês e francês, sendo por isso motivo de muita desconfiança para a família, afinal, na Idade Média, uma mulher letrada que não fosse religiosa ou nobre, era automaticamente considerada feiticeira.

Um pequeno adendo: o período histórico retratado em Os Pilares da Terra é chamado também de “Período Trílingue”, isso porque os pobres falam inglês, os nobres, francês, e os padres, o latim. Desse modo, Ellen e Jack surpreendem a todos por saberem francês. A leitura e a escrita também era rara até mesmo entre os nobres.

Após o encontro, Tom e sua família partem mais um vez e andam diversas milhas, entram em várias cidades, mas nada de emprego. Eles voltam a floresta e sua esposa acaba dando a luz lá, morrendo por causa do esforço e da desnutrição. Nosso protagonista, desesperado e infeliz toma uma decisão comum para a época: abandona a criança, uma vez que não teria condições de alimentá-la e ela morreria de qualquer maneira
Surpreendentemente, ele se reencontra com Ellen e Jack. A mulher lhe diz que seu bebê foi levado por um padre para o monastério próximo dali. Eles vão até lá, veem que a criança está mais segura entre os religiosos e Tom decide deixá-la mais uma vez. Ellen, sendo a mulher decidida e a frente de seu tempo que é, diz a Tom que quer ser sua mulher, eles se unem e partem mais uma vez para as estradas a fim de encontrar trabalho.
Essa família disfuncional e fora dos padrões da Idade Média anda muito! E quando estão quase desistindo de tudo, Tom finalmente consegue emprego no castelo do conde de Shiring. Lá, Jack conhece Aliena, a filha do conde, e apaixona-se por ela, mesmo sendo ele um garoto e ela, uma moça de dezessete anos.
Quando a família estava pensando em se estabelecer, vem mais um golpe duro do destino: o conde é acusado de traição, perde todos os seus bens, seu título e é enviado para as masmorras do rei. Sua cidade, Shiring, é massacrada, logo, Tom e sua família começam uma nova peregrinação.
Enquanto isso, lá no mosteiro onde o bebê de Tom será criado, conhecemos o Prior Phillip, um bom monge, ambicioso sem ser inescrupuloso. Ele quer servir a Deus da melhor maneira possível. Entretanto, algumas de suas escolhas afetarão, ao mesmo tempo, positiva e negativamente as vidas das demais personagens. Por causa de uma delas, ele torna-se inimigo de William Hamleigh e do Bispo Waleran, estes dois serão os maiores opositores da construção da catedral e farão de tudo para acabar com o Prior Phillip.
Ao mesmo tempo, vemos o desdobramento das decisões de Aliena também. A briga de Tom com William Hamleigh aconteceu porque o primeiro estava construindo uma casa que seria do segundo e de Aliena, mas a moça não quis casar-se com ele, humilhando a família do rapaz, que jurou vingança. Eles realmente conseguem vingar-se e o pai de William torna-se o novo Conde de Shiring. Infelizmente, isso não é o suficiente para o antagonista: ele violenta Aliena de todas as maneiras possíveis e a deixa ao rés do chão, a jovem, contrariando sua criação de lady, decide fazer algo para mudar sua situação e acaba prometendo ao pai moribundo que não descansará até fazer o irmão mais novo, Richard, também conhecido como "bonecão de Olinda", um conde e restaurar sua honra.
Ao longo dos anos essas personagens passam a interagir entre si e a se ajudar, pois, a catedral de Kingsbridge é importante para a prosperidade de todos, enquanto isso, os antagonistas tentam a todo custo impedir o êxito de sua construção. E diga-se de passagem, a crueldade delas não tem limites... 



Com toda a certeza a narrativa criada por Ken Follett é magistral. São mais de novecentas páginas, divididas em seis partes e cada uma delas tendo entre três a quatro capítulos, que passam sem que o leitor sinta, uma vez que a narração é deveras envolvente e nos faz querer saber como nossos protagonistas estão e se tudo dará certo no final. Não há muitos momento de calmaria. Quando pensamos que tudo está bem, vem a mão do destino e lança mais uma desgraça na vida dessas pessoas, como se fosse mesmo a mão de Deus, incitada pelo Diabo, tal como na história de Jó...

Ademais, é preciso dar um crédito especial as personagens femininas da trama: todas são empoderadas e lutam contra as adversidades de seu tempo e de sua condição com muita garra e sagacidade. O ponto alto da escrita de Ken Follett é o fato dessas mulheres serem plausíveis, você realmente acredita ser possível tudo o que elas fizeram, não é nada mirabolante, apenas força de vontade mesmo e um pouco de sorte.
Sem dúvidas, a escolha do autor de trazer, apesar do contexto medieval, personagens femininas pró-ativas e inspiradoras, torna Os Pilares da Terra mais interessante e arrebatador do início ao fim. Sem falar na relação entre Aliena e Jack que fará os adoradores de romances suspirar... Por esse motivo, é fácil concluir essa leitura, apesar de suas mais de novecentas páginas, pois, o leitor só consegue parar nos poucos momentos em que aparentemente tudo está bem, logo, esta leitura está mais do que indicada a todos que gostam de dramas históricos, romances cheios de reviravoltas e, claro, a tão conhecida luta entre o bem e o mal. Nessa disputa, quem vocês acham que vence?

.27 de outubro de 2018

Harry Potter e O Enigma do Príncipe: uma leitura surpreendente


     Mais uma releitura de Harry Potter completada e esta trouxe mais uma grata surpresa também, pois, da mesma forma que tive uma primeira leitura difícil de Harry Potter e A Ordem da Fênix, há dez anos atrás, quando li O Enigma do Príncipe, pela primeira vez, também não tive boas impressões da obra, hoje, madura como leitora e pessoa, pude absorver o enredo muito melhor e simplesmente adorei a leitura! 
      Em Harry Potter e O Enigma do Príncipe, J.K. Rowling nos brinda com uma narrativa repleta de segredos a serem revelados. Vemos a lealdade de Severo Snape ser colocada à prova. Conhecemos muito mais da vida de Lorde Voldemort, algo bem interessante; desde a história de vida de seus pais, até a maneira como ele consegue alcançar a "imortalidade" que pode e deve ser destruída para que Harry tenha chances na derradeira batalha. 
   Há também um maior desenvolvimento dos enredos amorosos, algo compreensível visto serem as personagens adolescentes de dezesseis anos, mas o legal é o modo como J.K. Rowling faz isso. Não há firulas, nem enrolação, ela não fica se demorando nessas questões, afinal, existe uma orla de Comensais da Morte a espreita, uma guerra acontecendo nas ruas, vida escolar seguindo seu curso apesar de tudo, logo, não dá para ficar suspirando por ai, não é mexmo...?
     Enfim, alfinetadas à parte... Surpreendi-me positivamente com essa leitura, porque lembrava-me dela como algo densa e difícil, fiquei, pois, muito feliz ao devorar o livro vorazmente e adorar cada linha dessa história! A quantidade de informações entregues a nós pela autora é magistral e ainda nos deixa com muitas perguntas e com bastante desalento também, visto que o final do livro é estarrecedor. A morte de uma personagem importante e cativante sempre é complicada, contudo, a morte de uma personagem que norteava as ações de todas as outras, é, no mínimo, desesperadora...
Mas estamos falando de Harry Potter, nosso protagonista aos moldes do herói clássico, a gente acredita nele, tal como Dumbledore acreditou... 
      Mudando o foco... Infelizmente, nesse livro, fiquei chateada com a Hermione... Achei especialmente irritante o modo como a personagem ficava competindo com Harry para ser a melhor em Poções, e como ficou enervada a história toda por causa do estranho livro usado pelo amigo, o livro do "Príncipe Mestiço". Sei lá, sempre achei irritante o modo "fominha de nota" da garota, mas nessa edição o negócio ficou bem pior. Isso não é nada relevante para a narrativa, é só a minha opinião mesmo. 
     Agora, uma coisa IMPORTANTE para a narrativa é a tradução e revisão de Harry Potter e O Enigma do Príncipe que posso seguramente dizer estar PÉSSIMA. Gente, como assim a Editora Rocco não reeditou esses livros?? Não é possível! Há erros GROTESCOS nessa edição que possuo! Erros tanto de tradução quanto de revisão. Expressões absurdas como "tempestade de cérebros" são comuns ao longo de toda a obra. Um absurdo para quem conhece a genialidade da escrita de J.K. Rowling, e mesmo que não fosse a autora, É UM DESRESPEITO PUBLICAR UM LIVRO ASSIM! Pronto, falei! 
     É claro que esses problemas não me impediram de aproveitar a leitura, porém, isso me fez pensar: se fazem isso com a J.K. Rowling, imagine como tratam as obras de outros autores menos conhecidos? Sabemos a resposta...
    Já que iniciei o momento indignação, quero terminá-lo falando sobre como o filme de Harry Potter e O Enigma do Príncipe é uma péssima adaptação. Notem, o filme é péssimo em adaptar o livro, sendo bem pobre e pouco fiel a história, uma pena. 
     Então é isso, gente, apesar dos problemas citados, a narrativa criada por J.K. Rowling é maravilhosa e estou mais do que ansiosa para reler seu final. 

.18 de outubro de 2018

#10 contos de H.P. Lovecraft - primeira parte


     Finalmente! Finalmente venho a esse blog escrever sobre uma leitura prazerosa! Nem acredito, meus Deuses! Engraçado ser justamente H.P. Lovecraft o autor a me salvar do "limbo" literário... Digo isso porque minha primeira experiência com sua obra não foi das melhores... Logo, a surpresa de gostar dos textos lidos foi muito feliz!
      No ano passado, comprei, em uma promoção da Amazon, um exemplar de Os Melhores Contos de H.P. Lovecraft, mas só pude começar a leitura agora, e é começar mesmo, porque o livro tem quase 900 páginas em sua edição digital, sendo assim, não tenho pretensões de terminá-lo tão cedo. Por esse motivo, também porque desisti de duas leituras planejadas para esse mês, decidi postar, a cada dez contos, minhas impressões de leitura sobre a obra de H.P. Lovecraft
      Minha edição, não sei por que, não tem sumário, logo, as leituras são sempre um mistério, algo que estou gostando bastante até o momento. O fato de o livro organizar as narrativas em ordem cronológica de publicação é bem interessante, pois é possível analisar a evolução da escrita do autor. 
     Nesses dez primeiros contos percebemos tanto elementos oníricos e fantasiosos, quanto o tão conhecido "horror cósmico", marca registrada do autor. Dagon, Os Outros Deuses e O Chamado de Cthlhu trazem esse horror tão característico e instigante, iniciando essa mitologia incrível e única. 
      Já O Navio Branco e Celephais trazem consigo um tom mais onírico de descoberta de outros mundos e dimensões maravilhosas, mas com um leve toque de horror ao final... Os Gatos de Ulthar, O que a Lua traz consigo, A música de Erich Zann, Ar Frio e O Modelo de Pickman são muito sombrios e macabros, porém não possuem ligação com o horror cósmico, mostram, de modo magistral, temas já explorados por alguns autores como Edgar Allan Poe, ou seja, são leituras excelentes e bem perturbadoras... 
     Como deixei explícito no início desse texto, eu adorei cada uma dessas narrativas. Não senti medo em nenhuma, fiquei apenas muito impressionada com a criatividade do autor em moldar tantas histórias absurdas de maneira tão pouco comum. Estou ansiosa para continuar a leitura desse livro e descobrir mais mundos de H.P. Lovecraft

E ai, você já leu alguma obra desse autor? Conhece os contos citados? Gostaria que eu escrevesse mais detalhadamente sobre eles? Diga nos comentários. =)



.6 de outubro de 2018

Harry Potter e A Ordem da Fênix: FINALMENTE

Imagem relacionada

Finalmente, reli Harry Potter e A Ordem da Fênix. Sério, achei que não conseguiria completar essa leitura durante o mês de setembro, não por algum problema com a narrativa, a escrita de J.K. Rowling é maravilhosa, fluida e divertida, o problema mesmo foi a falta de tempo, ou melhor, a quantidade de trabalho e estudo ao quais precisei dedicar-me ao longo do mês. Então, sem mais delongas, vamos falar sobre o livro. 
Não sei se já falei com vocês sobre isso, contudo quando li Harry Potter e A Ordem da Fênix há uns dez anos atrás, não gostei muito da experiência. Na época não entendi o porquê, hoje, percebo ser esse o livro que marca o desenvolvimento da maturidade de Harry, visto que ele se depara com ela no livro anterior, logo, nesse, nosso protagonista deve enfrentar as consequências de todo o ocorrido na prova final do Torneio Tribuxo.
Voldemort voltou. Harry, Rony, Hermione e todos aqueles que acreditam no menino e em Dumbledore também sabem disso, porém o ministro da magia, Cornélio Fudge, está fazendo de tudo para desacreditar os dois, pois tem medo de que tudo isso seja uma estratégia de Dumbledore para roubar-lhe o cargo... (Ele é bem idiota ele...)

Resultado de imagem para harry potter e a ordem da fênix gif

Além disso, Harry passa as férias sem notícias dos amigos e é atacado por DEMENTADORES e quase é expulso de Hogwarts por ter se defendido da MORTE e ter salvado a vida do primo, um trouxa. Nesse livro vemos um Harry extremamente magoado, infeliz e muito raivoso, a impressão é de que tudo conspira contra o rapaz e até mesmo Hogwarts, sua "casa", torna-se um tormento... 
Isso porque o ministro da magia envia a escola uma nova professora de Defesa Contra as Artes das Trevas: Dolores Umbridge, também conhecida carinhosamente como "sapa velha". Ela é, além dos comentários questionando sua sanidade, o agente causador de todo o tormento de Harry, mas ele não é nosso herói por acaso: o menino que sobreviveu, apoiado por seus amigos, decide ensinar defesa contra as artes das trevas, e Hermione cria a "Armada de Dumbledore". Outro ponto preocupante na história é o fato do menino estar sonhando com as ações presentes de Lorde Voldemort, algo muito perigoso... 
Há também a questão do "relacionamento" entre Harry e Cho Chang, sinceramente, algo bem chato de se acompanhar. Eu entendo que Harry esteja passando por muito estresse e não tenha experiência nenhuma com relacionamentos amorosos, mas o modo como ele interage com a menina é horrível e um pouco revoltante. 
Ao contrário de minha minha primeira impressão, terminei a leitura de Harry Potter e A Ordem da Fênix com ainda mais vontade de prosseguir com essa história! Infelizmente, há um momento muito triste na trama... Mas há também muitos outros divertidos e interessantes. Agora, preciso dizer algo muito legal para vocês:

MINHA MÃE COMEÇOU A LER HARRY POTTER! =D 

.18 de agosto de 2018

Um Coração Ardente - Lygia Fagundes Telles


Sim, eu adoro a escrita de Lygia Fagundes Telles. Demorei muitos anos para conhecê-la, mas após a primeira leitura, tornei-me fã e quero ler todas as suas obras. Ano passado, li alguns de seus romances e, esse ano, decidi ler alguns livros de contos, sendo Um Coração Ardente, o mais interessante até agora. Vale lembrar que já li outras duas coletâneas da autora, sendo elas: Antes do Baile Verde ( na qual há meu conto favorito ever - Venha Ver o Pôr do Sol) e A Estrutura da Bolha de Sabão
Até aqui, Um Coração Ardente foi a melhor coletânea da autora que li, pois gostei de TODOS os contos e eles são interligados por alguns elementos em comum, algo ainda mais interessante. O livro traz dez contos, alguns narrados em primeira pessoa, outros em terceira, sempre analisando a mente das personagens, naquele nosso conhecido discurso indireto livre. 
A primeira história é a que dá título ao livro, em Um Coração Ardente conhecemos as desilusões de um senhor durante sua juventude, ao tentar ajudar uma jovem que não queria sua ajuda; e ver uma outra que precisava dele, mas ele não lhe prestou atenção... Para depois, ver o filho sofrer com uma tragédia enorme. Esse conto já nos dá os elementos que interligam as narrativas: emoção, perdas, ilusão e, sobretudo, a cor vermelha, presente de forma sutil nas dez histórias. 
A edição da Cia de Letras tem um excelente texto de apoio, escrito por Ivan Marques, no qual ele analisa muito bem esses elementos, em especial, a presença do vermelho, simbolizando as paixões, os corações ardentes. 
Como dito no começo dessa resenha, adorei todos os contos, porém, confesso ter sido fisgada por Dezembro no Bairro e Biruta - narrativas que têm crianças como protagonistas, crianças pobres, sofridas, que perdem a inocência com grandes perdas... Dói o coração! 
Há também as narrativas fantásticas, ponto alto da escrita de Lygia Fagundes Telles, na minha humilde opinião, sendo representadas aqui pelos títulos Emmanuel, no qual uma mulher inventa um namorado e o cara realmente aparece em sua porta! A Estrela Branca, com um homem acometido por uma cegueira repentina que tem a chance de fazer um transplante, mas os novos olhos não o obedecem... O Encontro, com um viés espirita, mostrando uma moça relembrando o momento de sua morte em uma vida passada; e o melhor de todos: O Noivo, no qual o protagonista simplesmente não se lembra que vai casar, muito menos quem é sua noiva! Acompanhar suas dúvidas e o desfecho desse conto é angustiante e muito bom. Haha. 
Felizmente, a escolha de Um Coração Ardente foi muito acertada. Adorei a leitura, cada uma das narrativas traz um parecer importante sobre a sociedade brasileira do século XX, Lygia Fagundes Telles arrasa! Sério, se nunca leram nada dessa autora, comecem por esse livro e se apaixonem como eu. 

.12 de julho de 2018

A Filha Perdida - Elena Ferrante: um livro sobre mães e filhas

Capa do livro A Filha Perdida de Elena Ferrante


Há alguns anos atrás vi nos canais Livrada! e TLT algumas vídeo-resenhas sobre os livros da autora Elena Ferrante. Fiquei curiosa com tantos elogios e resolvi que um dia leria pelo menos um de seus romances. Esse ano, felizmente, isso foi possível e acho que comecei bem com A Filha Perdida.


      Lançado em 2006. Escrito sob o pseudônimo Elena Ferrante, A Filha Perdida narra a história da italiana Leda, uma acadêmica de 48 anos. Divorciada há anos e sozinha após a ida das filhas ao Canadá (onde vão morar com o pai) ela decide tirar umas férias na praia para aproveitar a solidão e a sensação de "dever cumprido". Porém, ela não imaginava que essa viagem a faria relembrar-se de muitos acontecimentos difíceis de sua vida, culminando em uma atitude completamente irracional... 
A Filha Perdida começa com Leda, nossa protagonista e narradora, sofrendo um acidente de carro. O acidente não causou danos, mas a mulher estava com uma ferimento interno grave sem causa aparente... Após essa cena, a narradora começa a relembrar seu passado sua relação conflituosa com a mãe, sua ânsia por fugir de Nápoles para morar em uma metrópole. O casamento, as filhas, a falta de amor, o excesso de cobrança, as traições, o egoísmo, o desamparo e finalmente, a ruptura...
Ao mesmo tempo, acompanhamos sua viagem à praia e seu convívio com algumas pessoas por lá, em especial, uma família napolitana. Leda fica obcecada por dois membros dessa família: uma jovem mãe e sua filhinha. A foma como elas interagem entre si é um gatilho para Leda lembrar-se de seu passado como mãe de duas meninas e as comparações chegam e não são muito agradáveis.
O inesperado, contudo, acontece. A querida boneca da menininha é roubada e isso faz com que relacionamento entre mãe e filha mude drasticamente, ou, talvez, mostre-se como realmente é... A visão dessa realidade faz com que Leda fique ainda mais nostálgica e nos conte ainda mais segredos.
Como dito no início dessa resenha, foi a primeira vez que li um romance de Elena Ferrante e posso dizer que começar por A Filha Perdida foi uma excelente escolha! A escrita da autora lembrou-me muito Lygia Fagundes Telles em vários por momentos. A forma como Leda narra sua trajetória e todos os problemas com a maternidade lembram também a personagem Eva de Precisamos Falar Sobre o Kevin. O modo como ambas apresentam a gravidez como uma obrigação estafante e ingrata, sem grandes traços de afeição é bem semelhante. O papel de mãe sempre vem carregado de culpa e sobrecarga, as expectativas estão todas nelas e os maridos pouco ou nada ajudam....
A narrativa traz uma crítica bem contundente ao papel da mulher e à maternidade compulsória, pelo menos, eu inferi assim, e percebi também um certo incentivo ao estudo para que as mulheres tenham mais escolhas além de casar e ter filhos.
A Filha Perdida tem também uma metáfora muito interessante entre título e as relações das personagens. Há muito mais do que apenas uma filha perdida aqui... Algo realmente instigante pela genialidade de Elena Ferrante, mas um pouco triste de o leitor acompanhar.
Adorei essa leitura. Apesar das poucas páginas, a autora consegue abordar assuntos complexos de forma profunda sem ser maçante ou prolixa em demasia. Com certeza, A Filha Perdida foi a melhor escolha para conhecer a escrita de Elena Ferrante e espero poder ler outras obras em breve. 


.6 de julho de 2018

Harry Potter e A Câmara Secreta: inimigos do herdeiro, cuidado!


Acabo de concluir a leitura de Harry Potter e A Câmara Secreta e estou com aquela sensação de fofinho no coração, sabe? Muito delicinha. *___* 
Como disse no post anterior, há mais de dez anos li os primeiros livros de Harry Potter e já não lembrava do estilo de J.K. Rowling. Por isso foi uma grata surpresa deparar-me com tantas falas engraçadas ao mescladas ao suspense ao longo da leitura. 

Esse livro começa nos mostrando Harry Potter na casa dos tios sendo maltratado como sempre. Contudo, o menino recebe a visita de um elfo doméstico chamado Dobby que tenta impedi-lo de voltar a Hogwarts. Ele alega haver um grande perigo iminente lá e quer proteger nosso protagonista. Por causa do elfo, Harry é castigado pelos tios e, gente, é muito absurdo isso! O menino é tratado como prisioneiro! Trancado no quarto, quase sem comida ou água, não me lembrava dos Dursleys serem tão desumanos! 
Felizmente, com a ajuda dos irmãos Weasley, Harry foge dos tios e passa o final das férias na casa dos amigos se divertindo bastante. Chegada a data de voltar a Hogwarts, no entanto, Harry e Rony não conseguem passar pela Plataforma 9 ³/4 e precisam usar um outro meio de transporte nada convencional e até perigoso... 

Na escola, após quase serem expulsos por causa da forma como chegam, mais uma vez os amigos Harry Rony e Hermione se deparam com um grande mistério: os alunos filhos de trouxas estão sendo atacados pelo "herdeiro da Sonserina"; e por Harry saber  a língua das cobras, característica dos herdeiros de Sonserina, se torna um dos principais suspeitos...

Aqui, começamos a ver a complexidade do que se tornaria uma das séries mais famosas e lidas no mundo inteiro. A forma como a autora nos apresenta as motivações das personagens é muito bem feita e tem várias referências a acontecimentos reais, o que é muito legal. 
Mais uma vez, J.K. Rowling me mostrou porque sempre a achei genial! A história em si já é muito interessante e acompanhar o cotidiano de Harry em Hogwarts e todas as falas engraçadas das personagens é muito bom!  Sem sombra de dúvidas, os filmes não fazem jus ao estilo de J.K. Rowling
Pois bem, leitura do segundo livro da série concluída e já quero começar a próxima... Harry Potter é mesmo muito bom, minha gente! E ai? Já Leram Harry Potter e A Câmara Secreta? Contem-me tudo!



.21 de junho de 2018

Germinal - Émile Zola


Capa do livro Germinal


Homens brotavam, um exército negro, vingador, que germinava lentamente nos sulcos da terra, crescendo para as colheitas do século futuro, cuja germinação não tardaria em fazer rebentar a terra.”

Desde a primeira vez que li um livro naturalista, (O Coruja de Aluísio Azevedo) fiquei muito interessada por essa escola literária e isso só aumentou a medida que a estudei na faculdade (para quem não sabe, sou formada em Letras) e descobri ser ela uma criação do escritor francês Émile Zola. Naquela época não pude ter contato com as obras desse autor porque a quantidade de leituras era enorme, mas, felizmente, esse ano pude realizar meu objetivo e li uma das histórias mais intrigantes e pungentes de toda a minha vida até agora, além de aprender bastante sobre o comunismo marxista.
Germinal foi publicado em 1885 e retrata a vida de trabalhadores de minas de carvão no interior da França. Sendo o 13 º volume da série Les Rougon-Macquart - histoire naturelle et sociale d'une famille sous le Second Empire que narra o declínio de uma família e ao mesmo tempo, como o subtítulo diz, um estudo sobre a sociedade do Segundo Império. Contudo, não precisam se assustar, cada livro traz uma narrativa com começo, meio e fim e podem ser lidos em qualquer ordem.


Uma única ideia lhe ocupava o cérebro vazio de operário sem trabalho e sem teto, a esperança de que o frio se tornasse menos agudo com o romper do dia.”


Etienne Lantier é demitido de seu trabalho porque bateu em seu chefe quando estava bêbado. O rapaz vive preocupado com essa predisposição hereditária ao alcoolismo e à violência. Sem trabalho e sem dinheiro ele chega a uma mineradora de carvão e consegue um emprego lá como operador de vagonetes, ao mesmo tempo em que ele, nós conhecemos também a família Maheu. Os Maheu são uma família de operários que há mais de um século dão sua vida para as minas de carvão e veem sua saúde se deteriorar, vivendo sempre na miséria, sem nenhuma perspectiva de melhora de vida. Os dessa geração são o velho Boa-Morte, tem esse nome por ter sido soterrado três vezes no fundo da mina e ter sobrevivido a todas; o sr. e sra. Maheu e os filhos: Zacharie, mais velho, mora ainda com os pais, mas já tem dois filhos ilegítimos; Catherine, uma jovem de dezesseis anos totalmente submissa a sua condição de mulher operária, sem nenhuma grande aspiração na vida; Jeanlin, um pequeno sociopata... Sério, se esse termo já existisse na época, esse menino com certeza se encaixaria nele; e as crianças: Alzire, uma deficiente que mesmo assim ajuda muito a mãe nos afazeres domésticos; Henri e Lenóre, que segundo a própria mãe "só servem para comer e dar despesas" e Estelle, uma bebê recém nascida; Já deu para perceber que pela quantidade de gente, eles passam muitos apertos nessa casa, né...


As pessoas viviam tão chegadas, de um extremo a outro, que nenhuma parcela de vida íntima se conservava oculta, mesmo para as crianças.”


Em contrapartida, conhecemos também os Gregóire e os Hennebeau. Os primeiros, são o total oposto dos Maheu: desde o início da companhia mineradora sempre tiveram algumas ações, logo, acumularam dinheiro por mais de um século e vivem desse dinheiro, do suor dos outros, em uma total ociosidade; Os segundos são a família do diretor da companhia, também vivem em grande conforto e alienação, enquanto os trabalhadores passam fome.


O dinheiro ganho com o suor dos outros é o que mais engorda.”


Etienne não demora a se acostumar com o trabalho. E a partir do momento que se integra a vida social local, percebe o quão miserável e animalesca ela é. Basicamente, os operários preocupam-se apenas com pão e quando não estão trabalhando, estão fazendo filhos, o que deixa nosso protagonista frustrado e revoltado.


As coisas estavam nesse pé, um descontentamento surdo fermentava na mina, o próprio Maheu, tão calmo, andava de punhos cerrados.”


Por causa de uma crise industrial, a companhia decide diminuir os salários e não demora muito para que germine nos trabalhadores o sentimento de revolta e, liderados por Etienne, eles começam uma greve que trará graves consequências para todas as esferas dessa sociedade.
Em Germinal, Zola faz uma análise de duas correntes de pensamento muito em voga no século XIX: o Marxismo e a Anarquia. Se você já leu O Manifesto Comunista ou algum texto de Bakunin, vai perceber que Zola sintetizou, ou melhor, fez uma romantização de ambos os pensamentos e de suas trajetórias através dessa história, algo muito instigante. Se você estiver lendo O Manifesto ou qualquer obra sobre o comunismo, indico muito essa leitura como forma de exemplificá-lo.


Esse Karl Marx de vocês ainda acredita que se deve deixar agir as forças naturais. Nada de política, nada de conspiração, não é isso? Tudo feito abertamente, luta só pela subida dos salários…” Incendeiem as cidades, ceifem os povos, arrasem tudo e quando não sobrar mais nada deste mundo podre, talvez nasça outro melhor dos escombros.”


Ademais, Zola traz outra corrente filosófica: o Determinismo, mostrando que a grande maioria dos indivíduos está fadada a sucumbir ao meio no qual está inserta e que são pouquíssimas as que se sobressaem a ele e alcançam o "sucesso".
No campo das figuras de linguagem a que mais aparece aqui é a zoomorfização, ou animalização. Pois a todo momento o narrador se dirige aos operários como animais e lhes atribui características de animais, mostrando como essas pessoas eram vistas por aqueles que não compartilhavam de sua dura "sorte".


Escuta, eu amaldiçoo os dois se eles se amigarem. Então, Zacharie não nos deve respeito? E custou-nos dinheiro, não foi? Pois então, nos pague o que deve antes de se grudar a uma mulher…”


Há também, uma descrição minuciosa dos relacionamentos ao longo da narrativa, sejam eles convencionais, familiares, de trabalho ou amorosos. É absurdo ver como os pais daquela época, os pobres, claro, viam seus filhos como meras fontes de renda, forças braçais para ajudar no sustento da casa, por isso os vários. As relações amorosas também têm um análise a parte com as personagens Catherine e Chaval, que vivem um relacionamento abusivo e doentio; e o casal Hennebeau que também vive uma situação abusiva, mas no âmbito da frieza e da traição.


Era Chaval, que entrara de um salto pela porta aberta e lhe dera um coice de besta furiosa. Havia um minuto que a espreitava do lado de fora. - Cadela! - urrou ele - Eu te segui, sabia que vinhas aqui foderes até rebentar! E quem paga és tu, hein? O café que trazes para ele foi comprado com o meu dinheiro!”

Antes de iniciar essa leitura, eu já sabia ser um texto bem complexo, por isso decidi fazer um fichamento da obra. Logicamente, Germinal é mesmo muito complexo e cheio de nuances que não poderiam ser comentadas em uma única postagem de blog, mas espero que esse texto tenha dado a vocês um vislumbre da importância dessa narrativa e os incentive a lê-la, pois, acreditem, o século retratado é o XIX, todavia, as desigualdades sociais perduram até hoje e são idênticas...

.12 de maio de 2018

A Cor do Leite - Nell Leyshon

Mais uma vez, li um livro às escuras sem saber absolutamente nada sobre e estou estarrecida, chocada e muito triste com essa história.


Em A Cor do Leite, conhecemos Mary, uma adolescente da primeira metade do século XIX, que viveu quatorze anos de sua vida na fazenda de seus pais sendo alvo constante de brutalidade e descaço. Ela é a caçula e, dada a cor de seu cabelo "branco como o leite" e uma deficiência na perna, acredito que ela seja albina, mas isso não é falado e não tem muita relevância no enredo. 
Infelizmente, para seu pai. Mary e suas três irmãs nasceram mulheres e ele, para compensar essa "falta de sorte", as faz trabalhar como escravas e desconta suas frustrações agredindo-as. Mary jamais fica calada diante disso e tem sempre uma resposta na ponta da língua o que a faz perspicaz aos olhos do leitor e sofrer ainda mais. 
Um dia, sem nenhuma explicação, seu pai a envia para a casa do pastor da aldeia a fim de trabalhar como empregada doméstica. Mary vai mesmo não aceitando a situação, pois não tem escolha mesmo... Lá, ela conhece os patrões e cuida da dona da casa que tem uma saúde bem frágil. É perceptível a revolta de Mary, a forma quase animalesca na qual ela cresceu, sendo regida pelos instintos, com uma objetividade voraz e ingênua até; Conceitos como Deus e Amor lhe são incompreensíveis, ela não gosta do pai, contudo não o recrimina por tratá-la mal. 
A Cor do Leite é dividido pelas estações que passaram entre os anos de 1830 e 1831. A narração é bem diferente de todas que li até hoje, porque não há sintaxe! Sinceramente, nas primeiras três páginas estranhei bastante e quase larguei a leitura; Decidi ler algumas resenhas e elas me deixaram bem intrigada com o enredo e voltei à história e não larguei até acabar. 
Ao longo da leitura, compreendi o quão realista a obra ficou, pois é narrada em primeira pessoa por uma moça recém alfabetizada, que viveu em uma fazenda toda a sua vida, ao lado de pessoas também analfabetas, no começo do século XIX, ou seja, ela não poderia conhecer sintaxe da mesma forma que desconhece regras sociais. 
Além disso, percebi também que a autora tentou ser o mais realista possível quanto a situação das empregadas domésticas nesse período histórico. Mary, raramente pode visitar sua família, não recebe seu salário (ele é todo dado nas mãos do pai), seus patrões sabem que ela não gosta de lá, mas não se importam e a forçam a ficar usando de chantagens mesquinhas, nojentas e ultrajantes! Em diversos momentos, lembrei-me de Tess of the D'Urbervilles porque ambas as moças sofrem muitas desventuras e são tão jovens e podiam ter destinos bem diferentes... 
Recomendo muito A Cor do Leite, entretanto ele tem alguns vários momentos que podem ser gatilhos para muitos, principalmente, para nós mulheres... Logo, se você não está em um bom momento, deixe essa leitura para depois, caso decida conhecê-la, prepare seu coração, pois é um livro intenso com uma história muito sofrida. 

.30 de abril de 2018

Apenas uma Garota - Meredith Russo


Apenas Uma Garota foi um livro bem marcante para mim, pois trata de um tema que ainda não havia experimentado em romances. Estou falando de uma história LGBT, daquelas que causam fofinhos no coração a cada novo capítulo. Para começar, a primeira coisa a chamar minha atenção para este livro foi uma entrevista da autora Meredith Russo, mulher trans de 31 anos, aventureira de primeira viagem pelos caminhos da literatura young adult, publicando em 2016 seu primeiro romance. Ao construir Apenas Uma Garota, a autora pretendia fugir do estereótipo da personagem trans passando por maus bocados e tendo um fim trágico. Posso dizer com propriedade que tal objetivo foi alcançado com sucesso.
As páginas deste livro trazem a história da adolescente Amanda Hardy, uma garota trans que passou recentemente pela transição e agora busca se reinserir na sociedade, começando uma vida nova. A narrativa inicia com a chegada de Amanda à cidade de Lambertville, em New Jersey, local onde irá morar com seu pai. A garota volta a frequentar o colégio, tendo de enfrentar toda a fobia social, cicatriz da antiga vida de bullying e preconceito que levava na época anterior ao tratamento hormonal e à cirurgia de mudança de sexo. Muitas barreiras são derrubadas a cada capítulo, desde o medo do contato com outros adolescentes até a descoberta do amor (sim, como todo livro young adult, aqui também existe aquela coisa de a protagonista se apaixonar por alguém e passar por situações difíceis devido a isso). 
Apenas Uma Garota apresenta a história pela ótica de Amanda, ou seja, uma narrativa em primeira pessoa, algo bastante recorrente na literatura atual. Particularmente, gosto dessa característica neste livro, pois nos dá a possibilidade de entrar no mundo da protagonista, experimentar o que ela sente, viver o que ela vive.
Devido ao bullying e a todo o preconceito que sofria na antiga escola e dentro da própria família, Amanda Hardy é uma garota tímida, retraída, que jamais encara as pessoas nos olhos. Como um ouriço cujos espinhos afastam as pessoas, o primeiro impulso de Amanda é evitar contato com os outros, todavia agora, após a transição, Amanda luta para superar essa dificuldade e passar a viver como uma menina normal. As novas amizades com Layla, Anna e Chloe ajudarão muito nessas questões, levando-a a frequentar festas, participar de eventos sociais, descobrir o amor.
Outro ponto interessante de acompanhar é o relacionamento que Amanda tem com o pai. No início da narrativa, fica claro o desconforto dele ao constatar que seu filho de outrora se tornou uma garota completa. Contudo, ao passo em que a narrativa evolui, a conturbada relação entre eles muda, tornando-se fonte de muitas de nossas lágrimas (aqui me refiro àqueles fofinhos no coração). De fato, os capítulos que mostram a interação entre pai e filha são partes que valem toda a leitura.
Como é padrão em minhas pseudo-resenhas, tenho que dedicar um pedacinho para comentar sobre a escrita de Meredith Russo. O texto é leve e fluído. Duvido que você encontre palavras de significado desconhecido, assim como ocorre na leitura de livros clássicos.
Considerando que estou fazendo a análise da tradução realizada por Joana Faro, devo apontar aqui um detalhe que me incomodou conforme seguia com a leitura. Uma vez que a narrativa acontece em primeira pessoa (e sendo a protagonista uma adolescente), encontramos muitos termos coloquiais na escrita. Muitos períodos iniciam com pronomes oblíquos, e apesar de eu compreender o motivo de se optar por este recurso, ainda assim, foi bastante difícil criar o costume de ler esse tipo de coloquialidade.
Sobre a capa e a impressão, tenho apenas que parabenizar a Editora Intrínseca pelo excelente trabalho, afinal é uma brochura muito bem-feita, em papel pólen soft, aquele amarelinho bom de ler (meus olhos agradecem).
 Apenas Uma Garota é um young adult acima da média, pois além de nos dar uma história gostosa de ler, ainda nos causa diversas reflexões sobre sexualidade, identidade de gênero e assuntos correlatos, transportando-nos para uma realidade singular que, apesar de fictícia, é comum a muitas pessoas que passam diariamente pelos mesmos preconceitos, pelas mesmas dificuldades e conflitos.
Compreender tais dificuldades é, sem dúvida, essencial para a evolução como pessoa. É aprender a se colocar no lugar do outro, entender suas necessidades e principais anseios. E é por isso que considero Apenas Uma Garota um livro necessário, importantíssimo para a quebra de diversos preconceitos que estão impregnados na sociedade atual.

                                                                                                          Por Samuel de Andrade

.21 de março de 2018

Anarquistas, graças a Deus - Zélia Gattai

     Sempre ouvi muitos elogios acerca da escrita de Zélia Gattai, até então, eu só conhecia e amava os livros de seu marido, Jorge Amado, mas os elogios foram tantos que resolvi ler sua obra mais comentada. 
Em Anarquistas, graças a Deus somos apresentados a infância e adolescência da autora que os viveu na São Paulo do começo do século XX, na Alameda Santos, próxima à famosa Avenida Paulista. 


   Zélia narra como sua família entendia o movimento anarquista de maneira ambígua, toda a bagunça e diversão de ter dois pais cabeças-duras, sendo eles: Ernesto Gattai, um "anarquista" convicto (menos em se tratando da educação das filhas), excelente mecânico e um dos primeiros pilotos de corridas automobilísticas; e Angelina Gattai, uma dona de casa bem desleixada que deixava a casa aos cuidados das filhas e empregada enquanto lia Victor Hugo e Zolà. Conhecemos também seus irmãos, amigos, vizinhos, clientes do pai, inimizades da mãe, sendo quase todos italianos animados, alegres, ou furiosos.
A representação da São Paulo do início do século XX é muito interessante, saber que lugares que hoje são repletos de condomínios e prédios comerciais eram antes chácaras ou residências simples de pessoas simples, é uma experiência diferente e saudosista apesar de não termos vivido isso, fica no ar esse gostinho de saudade. 
A Anarquia aqui, como deu para perceber, é retratada de maneira superficial e dúbia, justamente por tratar das vivências de uma criança/adolescente e por em nenhum momento ser dito que seus pais liam ou estudavam o movimento. Eles basicamente participavam de reuniões, tentavam ajudar refugiados e recortavam matérias jornalísticas sobre amigos deportados, talvez isso explique de certa forma o título da obra... 
As únicas coisas dissonantes nesse livro, uma de traço social e outra na composição, foram, respectivamente: o machismo presente entre os "anarquistas" e as pessoas em geral e a pouquíssima informação sobre o movimento feminista da época, pois a mãe de Zélia era contrária a ele dizendo não ser maltratada pelo marido, porém ele nunca a consultava quando decidia fazer algo que afetaria toda a família, e o tamanho dos capítulos, isso sendo algo muito particular, não consigo me prender a narrativas que tenham capítulos de uma ou duas páginas, logo, demorei muito a de fato "engatar" a leitura, mas quando isso aconteceu, ela voou
Apesar desses pequenos problemas,Anarquistas, graças a Deus é uma obra incrível, recomendo a todos que gostam de narrativas memorialistas, ou vividas por crianças em toda a sua inocência e melhor: ambientada em nosso país, em uma de nossas tantas realidades. 
© LIVRE LENDO - 2016 | Todos os direitos reservados. | Blog de Andrea Morais | Tecnologia do Blogger