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.24 de maio de 2019

Lua de Larvas - Sally Gardner



     Não é segredo nenhum que eu sou uma verdadeira adoradora do gênero distopia. Gosto muito dessas tramas envolvendo organizações sociais e a tão empolgante e inevitável luta dos indivíduos pela liberdade. Contudo, não escondo também que muitas distopias teen me decepcionaram ao longo dos anos e acabei deixando-as de lado para evitar a fadiga. Felizmente, conheci a narrativa de Lua de Larvas, há algum tempo atrás, anotei a dica e a experiência não poderia ter sido melhor!
     Narrado em primeira pessoa por Standish Treadwell, um garoto de dezesseis anos, Lua de Larvas nos mostra uma realidade ao mesmo tempo familiar e bem diferente da nossa, chegando a ser grotesca. A familiaridade está no fato da história se passar durante o período conhecido como "Corrida Espacial" e a insistente tentativa de levar o homem à Lua. Entretanto, as diferenças são gritantes: a organização social desse país anglófono intitulado Terra Mãe é autocrática. Aparentemente, este sofreu, além da Segunda Guerra Mundial, um conflito civil, pois está quebrado em todos os sentidos. A população vive em condições sub-humanas e é vigiada o tempo todo. Qualquer manifestação contra o regime é brutalmente cessada. Todos vivem com medo. Todos desconfiam de todos.
    Ademais, A Terra Mãe é contrária a todo e qualquer tipo de defeito, o que deixa nosso protagonista na mira do governo, porque ele tem problemas cognitivos, possui heterocromia e seus pais estão desaparecidos por não apoiarem o governo... No momento em que a história começa, além dos pais, ele perdera também seu único e melhor amigo, Hector, que desapareceu juntamente com a família.
Stan sofre muito por causa dessas perdas, pois os amava muito e sempre fora protegido por eles e, agora, era perseguido constantemente por colegas da escola e pelo professor também.
     A narrativa caminha de forma não linear alternando tempo cronológico (presente) e psicológico (flash backs). No primeiro, acompanhamos o protagonista em seu dia-a-dia e vemos como A Terra Mãe é muito cruel, além do anúncio da possível chegada do homem à Lua. No segundo, vemos o passado do garoto, seus pensamentos e planos e descobrimos que as famílias dele e de Hector não estavam na mira do governo à toa, e que eles escondem um segredo que pode mudar os rumos de todo o universo deles.
    A trama de Lua de Larvas é repleta de críticas e simbolismos. O início de cada capítulo é ilustrado pela figura de um rato que vai se modificando e tem relação direta com a o desenvolvimento e até mesmo com o desfecho da trama. Há também um certo quê de representatividade, por causa do modo como a autora retrata o Stan (que claramente tem um grau leve de autismo) e a descoberta da sexualidade.
   Lua de Larvas pode ser categorizado como uma distopia teen por causa da idade de seu narrador protagonista, mas não se assemelha em nada com a superficialidade deste gênero, entregando-nos uma narrativa curta em páginas, porém densa, complexa e verdadeiramente reflexiva.


.4 de maio de 2019

Orgulho e Preconceito - Jane Austen

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     Há alguns anos atrás, fiz uma postagem sobre as obras de Jane Austen que gostaria de ler e as obras influenciadas por essa autora incrível que são do meu interesse também. O projeto está caminhando a passos lentos, contudo, até agora, só faltava escrever sobre meu livro favorito: Orgulho e Preconceito. Muito difícil alguém não conhecer essa história, mesmo que seja pelas adaptações apenas, mas vamos a um breve resumo: 
     No interior da Inglaterra do século XVIII, vive a família Bennet. Em um período histórico no qual mulheres comuns não poderiam herdar propriedades, a senhora Bennet vive desesperada com a perspectiva de ir para o "olho da rua" com suas cinco filhas após a morte do marido. 
Por esse motivo, ela quer porque quer casar suas filhas com homens ricos, ou com qualquer um com trabalho decente e alguma posição social. Logo, ao saber da chegada de um jovem rapaz com essas características, decide "empurrar" sua filha mais velha, Jane, para ele. 
      Nossa protagonista, porém, é Elizabeth, a segunda filha dos Bennet. Uma moça fora dos padrões da época, inteligente sem melindres, esperta e muito observadora, Elisa conhece sua condição menos privilegiada por ser mulher, sabe ser o casamento algo necessário, só não o vê de forma deslumbrada como suas irmãs, pensando apenas em casar um homem de posses que seja agradável e já está muito bom... 
      Após conhecer o novo vizinho, Mr. Bingley, os Bennet conhecem também Mr. Darcy, um jovem que seria mais querido do que o amigo por causa de sua larga fortuna, todavia sua arrogância beirando a falta de educação e muita antipatia, deixam uma péssima impressão em todos. 
     Ao longo da narrativa acompanhamos os encontros e desencontros de Elizabeth e Mr. Darcy, entendendo que o título Orgulho e Preconceito representa as personalidades e ações de ambos. Tal como acontece em seu predecessor, Razão e Sensibilidade, aqui os protagonistas acabam alternando as características sendo os dois orgulhosos e preconceituosos em vários momentos e de forma alternada. 
    Essa foi uma releitura maravilhosa. Adorei cada momento e me deliciei com a ironia tão característica de Jane Austen, com certeza, Orgulho e Preconceito é meu livro favorito dessa autora e está mais do que recomendado a todos que gostam de romances de época e histórias bem contadas, divertidas e com protagonismo feminino. Vale muito a pena! 

.6 de abril de 2019

O ancião que saiu pela janela e desapareceu - Jonas Jonasson



No dia de seu aniversário de cem anos, o sueco Alan Karlsson decide jogar tudo às favas e pula pela janela da casa de repouso onde vive para pegar de volta sua liberdade, é assim que começa a história de O ancião que saiu pela janela e desapareceu.  Ele só não imaginava que essa ação desencadearia uma série de outras dignas de uma verdadeira odisseia, só que muito mais divertidas de se acompanhar, Homero que nos desculpe a sinceridade... 
O ancião que saiu pela janela e desapareceu é classificado em sua ficha catalográfica meramente como um "romance", contudo, é notória sua semelhança estrutural com as obras Forrest Gump e As Aventuras do Bom Soldado Svejk (já resenhadas por aqui) que é possível classificá-lo também como uma novela satírica tal qual seus antecessores. A narrativa também tem muitas características que beiram o realismo-maravilhoso, pois a forma como Alan Karlsson consegue escapar dos problemas e sua vitalidade em seus mais de cem anos não é algo que se vê todos os dias por ai, porém, tudo isso é tratado de maneira bem natural ao longo do texto, como se fosse tudo comum, até prosaico. 
Por tratar-se de um livro que propõe nos contar o passado nada ortodoxo de seu protagonista, a narrativa trabalha com o tempo cronológico, no qual Alan foge do asilo e acaba sendo perseguido por uma gangue de mafiosos, deixando um grande rastro de sangue e de muita confusão por onde passa; e o tempo psicológico, narrando suas aventuras anteriores, desde o nascimento e infância incomuns na Suécia, até sua ajuda em todos os grandes conflitos mundiais do século XX, tendo participação até na criação da bomba atômica, para vocês terem uma ideia... 
A narração de mais de cem anos de História não seria nada fácil de se acompanhar se não fosse pelo narrador em terceira pessoa irreverente e muito bem humorado, cheio de ironias e tiradas sarcásticas que nos fazem rir e pensar no quão absurda é a vida de Alan, mas, sinceramente, coerência não é a palavra de ordem nesse livro! 
Leitura mais do que recomendada para todos os amantes de História e de boas gargalhadas, O ancião que saiu pela janela e desapareceu é, com certeza, mais um ótimo exemplo de que a literatura sueca tem muito a nos oferecer, desde o terror (vide Deixa Ela Entrar) quanto no humor e na crítica social.

Fica a dica! =D 

.30 de março de 2019

Submissão,de Michel Houellebecq: um livro que divide opiniões

Capa do livro Submissão - Michel Houellebcq

Finalmente. Esta foi a primeira palavra que pensei após o término de Submissão, do autor Michel Houellebcq. Sem sombra de dúvidas, esta foi uma leitura muito cansativa e bem superestimada, motivos pelos quais demorei mais de um mês para completá-la.
Submissão traz em sua trama um "e se" peculiar, mas possível: "e se a França se tornasse um país muçulmano?" É a partir deste questionamento que tem início a história escrita por Michel Houellebcq.
François é o nosso protagonista e narrador, um acadêmico de meia-idade solitário, individualista e bem machista, chegando a ter um certo discurso misógino. Todo o enredo gira em torno dele e de suas impressões acerca dos acontecimentos, o que acaba empobrecendo a narrativa per se, pois não podemos de forma nenhuma confiar no que ele diz, além de seus pensamentos e reflexões serem bem tendenciosos e imprecisos.
Sabendo disso, você já deve ter entendido a frustração mostrada no começo desse texto. Isso porque há nesse futuro próximo (2022) uma situação política extrema e arriscada na França: Direita e Esquerda já fizeram muita coisa errada, por isso surge a Fraternidade Muçulmana com seu líder carismático, Mohammed Ben Abbes, para "salvar" a pátria e "melhorar" a vida das pessoas, contudo, isso não será feito de fato e mulheres e judeus serão os maiores prejudicados nesse novo sistema de governo e, infelizmente, NÓS NÃO VEMOS O PONTO DE VISTA DESTAS PESSOAS, essas informações chegam até nós por François, um homem branco, hétero, francês e elegível para tornar-se parte do novo "regime" sendo-lhe oferecida uma esposa adolescente e seu emprego de volta na universidade ganhando o dobro, ou seja, para ele, a opressão do governo muçulmano baseado na Sharia (leis islâmicas) não traz nenhum impacto negativo em sua vida, na verdade, até a "melhora". 
Ademais, outro ponto muito negativo em Submissão é a forma como François objetifica as mulheres. Ele sempre tem um comentário depreciativo sobre o gênero e fala muito, muito sobre sexo! O cara só pensa nisso o tempo todo! Parece que a vida dele gira em torno do sexo, o que é bem cansativo de ler, justamente, porque ele só procura as mulheres para isso. Quando ele não faz sexo com elas, as deprecia de alguma forma, ele sempre insinua que mulheres só servem para isso mesmo... Ou seja, é uma narrativa bem difícil de acompanhar...  
Enfim, embarquei nessa leitura com uma expectativa alta e acabei bem decepcionada. Não consigo recomendar esse livro. Acredito que quem se interessa por distopias, mais especificamente, as relacionadas a questões religiosas, talvez tenha uma experiência melhor com o Conto da Aia, ainda não o li, mas só vejo elogios, quanto a Submissão, melhor passar longe... 

.30 de janeiro de 2019

Os Meninos da Rua Paulo - Ferenc Mólnar

Mais um livro infanto-juvenil de cortar o coração...



Definitivamente, eu sou uma péssima pessoa para sortear leituras! Há poucas semanas atrás li O Meu Pé de Laranja Lima, um infanto-juvenil muito triste e comovente e, hoje, acabo de terminar a leitura de Os Meninos da Rua Paulo, uma história que conseguiu ser ainda mais trágica! Essa foi a primeira obra do senhor Ferenc Mólnar que tive a oportunidade de ler e o cara já quebrou meu coração!

[…] “Assim, decidiram a luta por motivo semelhante ao que desencadeia as guerras de verdade. Os russos precisavam de mar, por isso atacaram os japoneses. Os camisas-vermelhas precisavam de um terreno para jogar pela, e como não havia outro jeito, iam recorrer à guerra. “ […]

Considerado o livro mais famoso da literatura húngara ao redor do mundo, Os Meninos da Rua Paulo, publicado em 1907, narra de maneira metafórica a difícil transição da inocência da infância para as agruras da vida adulta, além de tratar também dos efeitos das guerras constantes no imaginário da população, principalmente, das crianças.
Um grupo de garotos, em sua maioria, de origem humilde que tem como refúgio um terreno abandonado, esses são Os Meninos da Rua Paulo. Lá, comandados pelo mais velho de todos, João Boka, eles acreditam fazer parte de um exército que tem como únicos soldados rasos o pequeno lourinho, Ernesto Nemecsek, e o cachorro do vigia do terreno...
A vida dos meninos transcorria tranquila, até que estes descobrem que o grupo rival os "camisas-vermelhas" querem atacá-los para roubar-lhes o espaço de brincadeiras e diversão. Ademais, para surpresa de todos, há um traidor entre eles, capaz de ajudar o inimigo a conquistar seu objetivo vil.
Por ser o único em um posto baixo, Nemecsek decide provar seu valor para o grupo a fim de subir de posição, contudo, ninguém imaginava o quão leal e corajoso era o lourinho, e muito menos as consequências de suas ações...

[…] “Boka fitava com gravidade a própria carteira, e na sua alma de menino pela primeira vez vislumbrou uma vaga ideia do que é, afinal, a vida, da qual todos somos os soldados e os servidores, ora tristes, ora alegres.” […]

Os Meninos da Rua Paulo é uma novela incrivelmente emocionante e cheia de valores e muita honra. O modo como os meninos se tratam, mesmo os inimigos é algo para se espelhar, pois essas crianças são de uma dignidade que falta em muitos adultos!
A escrita de Ferenc Mólnar é linda. Começa de maneira bem tranquila e corriqueira e termina de maneira comovente, deixando uma tristeza grande em nossos corações. Há diversas adaptações da obra para filmes e peças teatrais. Com certeza, esse é o tipo de história infanto-juvenil que também agrada ao público adulto e deve ser lido por todos.

.24 de janeiro de 2019

O Planeta dos Macacos - Pierre Boulle


     Narrado em primeira pessoa na forma de um diário, O Planeta dos Macacos apresenta um enredo no ano terrestre de 2500. Durante uma viagem espacial a um planeta centenas de anos-luz distante da Terra, dois pesquisadores e nosso protagonista, o jornalista Ulysse Mérou, acabam pousando no sistema de Betelgeuse e descobrem lá uma realidade bizarra...
    Nesse novo planeta, os seres humanos regrediram a uma condição pré-histórica, do tempo das cavernas mesmo, enquanto os primatas aprenderam a falar e aprenderam todos os saberes científicos. Conhecemos essa nova sociedade através dos olhos de Ulysse que tenta, desesperadamente, provar sua racionalidade aos incrédulos macacos, a fim de fugir de lá o quanto antes.
    É bem fácil pensar apenas no plano superficial. A história de O Planeta dos Macacos é deveras interessante per se e diferente principalmente se levarmos em consideração o ano de publicação, 1963. Há, porém, diversos pontos dignos de reflexão ao longo de toda a obra.
    Em primeiro lugar, temos as discussões: por quê, como os seres humanos regrediram tanto? E os macacos? Como conseguiram chegar a um nível tão alto de desenvolvimento? As respostas nos são dadas com o desenrolar da narrativa e são bem alarmantes e muito parecidas com a nossa realidade atual...
    Em segundo lugar, há a questão da ética científica, pois, da mesma forma que hoje macacos, ratos e outros animais são usados como cobaias, no mundo de O Planeta dos Macacos os seres humanos é que são destinados para esse fim. A frieza com que os macacos os tratam nos faz pensar seriamente em nossas atitudes.
   Além disso, a organização social de O Planeta dos Macacos é um verdadeiro espelho da nossa, tendo os mesmos vícios, as mesmas limitações, a mesma ignorância... A única diferença é que eles não travam guerras, e o narrados deixa implícito que esse é o motivo da sociedade dos símios estar estagnada.
   Outro ponto também digno de nota é a transformação de uma das personagens que era uma pessoa muito preocupada e até mesmo perturbada com as questões da psique humana e o sentido da vida. Acabou tornando-se uma criatura irracional e animalesca, esquecendo-se completamente de quem era...
   Sendo assim, O Planeta dos Macacos é uma leitura bem interessante. Um pouco datada, bem fora da "caixinha", mas terminamos a leitura com vontade de continuar. Se você gosta de ficção científica, essa história, com certeza, vai agradar você!
   O autor Pierre Boulle é um prolixo escritor francês. Atuou como agente secreto da inteligência francesa durante a Segunda Guerra Mundial e escreveu outros livros famosos como A Ponte do Rio Kwai, entretanto, conquistou uma fama ainda maior com O Planeta dos Macacos, obra adaptada até hoje.

.15 de janeiro de 2019

Os Pilares da Terra - o épico de Ken Follett


Os Pilares da Terra, livro publicado em 1989, por Ken Follett, apresenta como pano de fundo o contexto histórico medieval de um período conhecido na história da Inglaterra como "A Anarquia". Chamado assim, porque, após a morte do rei Henrique, em 1135, não havia um filho varão que pudesse herdar o trono. Contudo, ele fizera todos os nobres do país jurarem fidelidade a sua filha, Matilde, o problema é que ela era uma mulher e casada com um francês, por causa disso, a grande maioria dos lordes foi para o lado de seu primo, Estevão de Blois, e o coroaram rei, expulsando Matilde e sua família da Inglaterra. Condenando, assim, os lordes que mantiveram seu juramento como traidores e iniciando um período de extremo terror para os pobres e impunidade para os ricos que durou cerca de quatorze anos, embora os conflitos armados, disputas e desordem tenham perdurado até 1170.

“Ter fé em Deus não significa ficar sentado sem fazer nada. Significa crer que se terá sucesso se se fizer o melhor possível, sincera e energicamente.”

A narrativa de Os Pilares da Terra se passa nesse momento, acompanhando quatro protagonistas ao longo dos anos e entrelaçando suas vidas e desventuras. Além da questão da guerra, que afeta a todos, o grande foco aqui é a construção da monumental catedral da cidade de Kingsbridge, sendo este o ponto de convergência entre todas as personagens. Nossas protagonistas são: Tom Construtor, o idealizador da catedral; Prior Phillip, um monge temente a Deus, mas que não se deixa enganar e fará de tudo para ver a catedral construída; Jack, um jovem órfão de pai, criado pela mãe na floresta, muito inteligente e com um passado misterioso; e Aliena, a filha de um dos nobres acusados de traição, que vê sua vida mudar completamente e terá de ser muito forte para superar as adversidades e recuperar a honra da família.


A história começa com a primeira protagonista, Tom Construtor, um homem forte e excelente em sua profissão que, porém, não tem muita responsabilidade, ou mesmo sabedoria. Seu sonho é construir uma catedral desde a base até o fim. Ele não se contenta com sua vida simples e vê as catedrais de seu tempo como edifícios hediondos. Tom quer construir uma catedral bela e que possa tocar o céu. Ele, todavia, não está sozinho: sua mulher está grávida e eles tem mais dois filhos. Após uma discussão com o nobre William Hamleigh, um dos antagonistas da trama, Tom e sua família ficam desabrigados, sem emprego, sem nada. Na floresta, eles encontram  Jack e sua mãe, Ellen, ambos pessoas deveras misteriosas e intrigantes, pois, a despeito de sua vida rústica e errante, são cultos, sabem ler e escrever em inglês e francês, sendo por isso motivo de muita desconfiança para a família, afinal, na Idade Média, uma mulher letrada que não fosse religiosa ou nobre, era automaticamente considerada feiticeira.

Um pequeno adendo: o período histórico retratado em Os Pilares da Terra é chamado também de “Período Trílingue”, isso porque os pobres falam inglês, os nobres, francês, e os padres, o latim. Desse modo, Ellen e Jack surpreendem a todos por saberem francês. A leitura e a escrita também era rara até mesmo entre os nobres.

Após o encontro, Tom e sua família partem mais um vez e andam diversas milhas, entram em várias cidades, mas nada de emprego. Eles voltam a floresta e sua esposa acaba dando a luz lá, morrendo por causa do esforço e da desnutrição. Nosso protagonista, desesperado e infeliz toma uma decisão comum para a época: abandona a criança, uma vez que não teria condições de alimentá-la e ela morreria de qualquer maneira
Surpreendentemente, ele se reencontra com Ellen e Jack. A mulher lhe diz que seu bebê foi levado por um padre para o monastério próximo dali. Eles vão até lá, veem que a criança está mais segura entre os religiosos e Tom decide deixá-la mais uma vez. Ellen, sendo a mulher decidida e a frente de seu tempo que é, diz a Tom que quer ser sua mulher, eles se unem e partem mais uma vez para as estradas a fim de encontrar trabalho.
Essa família disfuncional e fora dos padrões da Idade Média anda muito! E quando estão quase desistindo de tudo, Tom finalmente consegue emprego no castelo do conde de Shiring. Lá, Jack conhece Aliena, a filha do conde, e apaixona-se por ela, mesmo sendo ele um garoto e ela, uma moça de dezessete anos.
Quando a família estava pensando em se estabelecer, vem mais um golpe duro do destino: o conde é acusado de traição, perde todos os seus bens, seu título e é enviado para as masmorras do rei. Sua cidade, Shiring, é massacrada, logo, Tom e sua família começam uma nova peregrinação.
Enquanto isso, lá no mosteiro onde o bebê de Tom será criado, conhecemos o Prior Phillip, um bom monge, ambicioso sem ser inescrupuloso. Ele quer servir a Deus da melhor maneira possível. Entretanto, algumas de suas escolhas afetarão, ao mesmo tempo, positiva e negativamente as vidas das demais personagens. Por causa de uma delas, ele torna-se inimigo de William Hamleigh e do Bispo Waleran, estes dois serão os maiores opositores da construção da catedral e farão de tudo para acabar com o Prior Phillip.
Ao mesmo tempo, vemos o desdobramento das decisões de Aliena também. A briga de Tom com William Hamleigh aconteceu porque o primeiro estava construindo uma casa que seria do segundo e de Aliena, mas a moça não quis casar-se com ele, humilhando a família do rapaz, que jurou vingança. Eles realmente conseguem vingar-se e o pai de William torna-se o novo Conde de Shiring. Infelizmente, isso não é o suficiente para o antagonista: ele violenta Aliena de todas as maneiras possíveis e a deixa ao rés do chão, a jovem, contrariando sua criação de lady, decide fazer algo para mudar sua situação e acaba prometendo ao pai moribundo que não descansará até fazer o irmão mais novo, Richard, também conhecido como "bonecão de Olinda", um conde e restaurar sua honra.
Ao longo dos anos essas personagens passam a interagir entre si e a se ajudar, pois, a catedral de Kingsbridge é importante para a prosperidade de todos, enquanto isso, os antagonistas tentam a todo custo impedir o êxito de sua construção. E diga-se de passagem, a crueldade delas não tem limites... 



Com toda a certeza a narrativa criada por Ken Follett é magistral. São mais de novecentas páginas, divididas em seis partes e cada uma delas tendo entre três a quatro capítulos, que passam sem que o leitor sinta, uma vez que a narração é deveras envolvente e nos faz querer saber como nossos protagonistas estão e se tudo dará certo no final. Não há muitos momento de calmaria. Quando pensamos que tudo está bem, vem a mão do destino e lança mais uma desgraça na vida dessas pessoas, como se fosse mesmo a mão de Deus, incitada pelo Diabo, tal como na história de Jó...

Ademais, é preciso dar um crédito especial as personagens femininas da trama: todas são empoderadas e lutam contra as adversidades de seu tempo e de sua condição com muita garra e sagacidade. O ponto alto da escrita de Ken Follett é o fato dessas mulheres serem plausíveis, você realmente acredita ser possível tudo o que elas fizeram, não é nada mirabolante, apenas força de vontade mesmo e um pouco de sorte.
Sem dúvidas, a escolha do autor de trazer, apesar do contexto medieval, personagens femininas pró-ativas e inspiradoras, torna Os Pilares da Terra mais interessante e arrebatador do início ao fim. Sem falar na relação entre Aliena e Jack que fará os adoradores de romances suspirar... Por esse motivo, é fácil concluir essa leitura, apesar de suas mais de novecentas páginas, pois, o leitor só consegue parar nos poucos momentos em que aparentemente tudo está bem, logo, esta leitura está mais do que indicada a todos que gostam de dramas históricos, romances cheios de reviravoltas e, claro, a tão conhecida luta entre o bem e o mal. Nessa disputa, quem vocês acham que vence?

.3 de janeiro de 2019

A Filha da Neve - Jack London

Capa do livro A Filha da Neve

As paisagens árticas do Alasca impressionam por sua beleza e opulência, contudo não foi por causa do espetáculo natural que um grande número de pessoas decidiu arriscar a vida nesse ambiente inóspito durante a segunda metade do século XIX. A Corrida do Ouro foi o motivo; e até mesmo o autor Jack London, em sua juventude, tentou a sorte. Ele não encontrou ouro, ficou doente, mas a experiência trouxe a inspiração para seu primeiro romance: A Filha da Neve, publicado em 1902.
O ano é 1897. Frona Welse está voltando para sua casa no Alasca após concluir uma graduação universitária. Apesar de sua criação nada ortodoxa para a época, Frona mantém alguns estereótipos femininos e tem como único objetivo casar-se.

Paisagem natural do Alasca

Vance Corliss é um jovem engenheiro de minas, criado em um ambiente aristocrático e privilegiado no qual mulheres devem ser delicadas, passivas e restritas ao ambiente caseiro. Ele chega ao Alasca buscando por fortuna e depara-se com muitas intempéries, porém o que mais o surpreende é Frona Welse. O modo livre com o qual ela leva a vida, sua honestidade e força trazem uma grande dualidade ao rapaz: de um lado, a admiração, do outro, o assombro...
Mesmo assim, eles se tornam amigos. Os problemas realmente começam quando algo além da amizade surge e, por causa de suas diferenças, ambos não conseguem lidar com isso... Ao mesmo tempo, um jornalista e pretenso aventureiro, Gregory St. Vincent, entra na jogada para piorar tudo e abala ainda mais o coração da protagonista.

Paisagem natural do Alasca - Aurora Boreal

Ademais, entremeados a narrativa, vemos os cotidianos das pessoas que vivem no Alasca, sendo estes muito duros e hostis. Lá, de fato, a lei do mais forte é a que prevalece. Sempre.
A Filha da Neve seria um romance interessante por tratar de algo tão fora de nossa realidade como a vida no Alasca, não fosse o alto grau de racismo e xenofobia encontrado em cada uma das falas das personagens. O discurso destas e do próprio narrador assemelha-se aos discursos nazi-fascistas, por exemplo...
Desse modo é difícil indicar esta primeira obra de Jack London, também autor de O Chamado da Floresta e Caninos Brancos, entretanto ao longo de sua vida ele tornou-se um grande defensor dos direitos humanos e do socialismo, logo, não se pode julgar um autor por uma única obra, sendo assim, embora A Filha da Neve mostre-se uma leitura duvidosa e cheia de falas bizarras e controversas, talvez, Jack London tenha algo melhor para nos mostrar...

.27 de dezembro de 2018

#10 contos de H.P. Lovecraft - segunda parte


      Há mais de dois meses estou lendo Os Melhores Contos de H.P. Lovecraft. A primeira parte, que você pode ler aqui, foi muito legal! Gostei de todas as narrativas, o que deixou-me bem surpresa, dado meu histórico anterior... Infelizmente, a boa experiência não se manteve no restante do livro...
H.P. Lovecraft é um autor proeminente na ficção científica, não podemos negar. Sua inovação e inventividade, principalmente, no que diz respeito ao Horror Cósmico e ao Ciclo dos Sonhos, contudo, não consigo mesmo ter uma opinião totalmente favorável acerca das obras desse autor!


Antes de falar sobre as histórias é preciso avisá-los de que essa segunda parte não é formada por dez contos, mas sim por oito narrativas intercalando contos e novelas; e um romance, O caso de Charles Dexter Ward, único do autor. Quanto aos demais textos, são eles: A cor que caiu do espaço, único que realmente gostei; A busca onírica por Kadath, O Horror de Dunwish, Um sussurro nas trevas, A sombra de Innsmouth, Nas montanhas da loucura (muito, muito chato), O assombro das trevas e, por fim, A sombra vinda do tempo
Todas as narrativas são criativas e interessantes, isso não podemos negar. Uma cor assola uma propriedade e enlouquece seus moradores... A descoberta de uma cidade onírica protegida pelos "Deuses Anciões"... Um acadêmico sendo possuído por uma criatura alienígena... Enfim, tudo é diferente e inventivo, porém, o modo como H.P. Lovecraft escreve em muitos momentos é bem maçante e tem um efeito soporífero difícil de resistir... Por esse motivo demorei tantos meses para concluir essa leitura! Lia três páginas e dormia! Desanimador. 
Não é só de críticas negativas que esse texto se sustentará. O modo como Lovecraft une suas narrativas trazendo diversos crossovers entre elas. Isso é, de fato, bem instigante e louvável. 
Conheço muitas pessoas que adoram H.P. Lovecraft. A Mimi, do blog Caixa de Pesadelos, é uma delas, mas, lamentavelmente, não consigo ter uma opinião unânime sobre a obra desse autor. Acredito, contudo, que o saldo dessa leitura foi bem positivo: das dezenove narrativas, gostei de onze! Logo, não foi de todo ruim! 
Sendo sincera, ficarei um bom tempo distante de H.P. Lovecraft. Pretendo reler, um dia, alguns contos que realmente gostei, por hora, não pretendo novas incursões por sua obra... Então é isso, gente. Não foi um parecer muito animador, eu sei, mas foi uma leitura bem cansativa e nada animadora... Digam nos comentários se já leram as narrativas citadas e suas opiniões. =) 

.24 de dezembro de 2018

[SANDMAN] - O Despertar e... o fim de tudo...


Antes de começar, um aviso: essa postagem é sobre o final de uma série de quadrinhos, logo, haverá spoilers e a decisão é sua de ler ou não. 


Aconteceu. Eu sabia que aconteceria. Demorou, e finalmente, terminei a leitura de Sandman. Durou mais de um ano entre altos e baixos, foram momentos bons e filosóficos entremeados a outros nos quais fiquei um pouco em dúvida quanto à minha opinião sobre o trabalho do senhor Neil Gaiman... Mas estamos aqui, certo? Terminamos e eu vou contar tudo o que achei dessa obra! 
No arco anterior, descobrimos quais foram os desdobramentos do passado de arrogância e prepotência de Sandman. Em Despertar, vemos um pouco dessa nova figura: Sonho dos Perpétuos, a atual manifestação do senhor do Sonhar. Há uma certa relutância de todos em aceitar o outrora Daniel Hall, mas também pudera, né? Morpheus acabou de "morrer", tudo mudou, não dava para ficarem alegres e contentes. É interessante e triste testemunhar essas mudanças... Sabemos desde Entes Queridos, que o final de Sandman está chegando e isso fica bem claro em Despertar, pois há o velório e enterro de Morpheus...
Com certeza, Sandman mostrou-se uma enorme jornada de auto-conhecimento e evolução da personagem título. Isso porque, no início, Morpheus era uma criatura bem desprezível. O cara deixou uma moça presa no Inferno por MILÊNIOS só porque ela lhe deu um pé na bunda! Abandonou o filho para morrer no Hades, era um irmão mais velho péssimo, muito egoísta e egocêntrico, enfim, um horror, contudo ao longo de cada arco ele se modifica, melhora, chegando finalmente ao ápice da mudança: torna-se uma outra pessoa.
Nos primeiros dois capítulos desse arco vemos  o velório e enterro do antigo Morpheus; no terceiro,  além de sermos "acordados", deparamo-nos com a constatação final de que o tecedor de sonhos mudou mesmo: ele perdoa Lyta Hall e a ajuda a esconder-se de qualquer um que queira vingar-se dela; e no último, revemos uma personagem muito querida e interessante: Robbie Gadling, o homem esquecido pela Morte a pedido de Morpheus e que, com o passar dos séculos, tornou-se seu grande  amigo. A respeito dele, não contarei spoilers, só digo isso: ele terá uma conversa com a irmã mais velha de Sandman...
Depois dessas quatro edições, ainda temos mais duas, agora de "histórias aleatórias", Em Exilados, acompanhamos um antes conselheiro de um grande imperador oriental sendo exilado pelas escolhas erradas de seu filho. Para chegar a seu destino ele deve atravessar um deserto e acaba chegando a um dos Lugares Suaves, os portais no mundo desperto para o Sonhar. Lá, ele encontra Morpheus e, obviamente, tem uma mudança transcendental em sua vida... E, finalmente, chegamos a revista de número 75, o fim de tudo! Nessa edição intitulada de A Tempestade, podemos admirar a belíssima arte de Charles Vess, o mesmo ilustrador de Sonho de uma noite de verão, primeira edição de Sandman a ganhar um prêmio, logo, já sabemos como esse final será épico.
A Tempestade é uma das, para mim, temidas histórias aleatórias entre arcos, tão características de Sandman, entretanto, esta nada tem de temível e é a última história, a que conclui absolutamente tudo. Nela, acompanhamos William Shakespeare enquanto escreve sua derradeira peça que será um presente para Morpheus, selando assim sua barganha com o Senhor do Sonhar. A cada página, vivenciamos bastante do cotidiano conhecido do Bardo, todavia de uma forma poética e simbólica, como esperado da autoria de Neil Gaiman. As palavras fluem como magia, tal o que acontece na peça. Essa, como as primeiras, foi uma história aleatória prazerosa de ler e trouxe-me boas recordações da jornada de Morpheus e termina com um alento para os fãs dessa personagem: ele jamais sairá do Sonhar... Mas mudou e tornou-se alguém completamente diferente do que conhecemos em Prelúdios e Noturnos...
Agora, qual é a minha opinião geral acerca de Sandman como um todo? Serei breve e sincera: gostei muito de todos os arcos principais, menos Um Jogo de Você, e senti-me diversas vezes enfadada com os arcos de histórias aleatórias. Apreciei o estilo grandiloquente de Neil Gaiman, mesmo achando desnecessário em alguns momentos... Continuo intrigada com o passado do corvo Matthew e gostaria muito de ter essa curiosidade esclarecida, mas nada que um clique não resolva.... Enfim, a dor do parto é difícil, só que chegou a hora de partir... Então, é isso, minhas gentes, acabou. Finalmente eu e Sandman acabamos por aqui. 

.18 de dezembro de 2018

A briga dos dois Ivans - Nikolai Gogol


Você conhece a Gogol Bordello? É uma banda muito legal que mistura vários ritmos e culturas em suas músicas. Há muitos anos atrás, o vocalista Eugene Hutz deu uma entrevista ao Programa do Jô e disse ser o escritor Nikolai Gogol uma das inspirações para o nome da banda. Fiquei intrigada com esse fato, todavia confesso não ter tido muito interesse no autor em questão. Esse ano, bastante tempo depois, tive oportunidade de ler A briga dos dois Ivans, uma novela de suas obras.

[...] "Ivan Ivánovitch e Ivan Nikíforovitch eram unha e carne, parecia coisa do diabo. Aonde um ia o outro se arrastava atrás." [...]

A briga dos dois Ivans  começa apresentando Ivan Ivanovitch, um homem "nobre", muito rico e um completo BABACA; e seu melhor amigo Ivan Nikiforovitch, outro nobre podre de rico, preguiçoso e bem desbocado. Ambos são totalmente diferentes, tendo em comum apenas a aversão à pulgas... 
Talvez, por causa disso, eles têm a grande briga título deste livro. Um dia, Ivan I. enfadado com sua vida ociosa de pessoa privilegiada, decide que precisa de algo. Calha de, no momento seguinte, ver a bela arma de seu melhor amigo Ivan N., contudo, este não quer dá-la ou trocá-la por nada e, após insistentes investidas do outro, ele o chama de "raposa velha" e só por isso, e nada mais, eles se tornam inimigos declarados, tendo como objetivo de vida prejudicar-se mutuamente.

É engraçado ver como uma palavra muda completamente de contexto dependendo da cultura. No original, em russo, a expressão usada por Ivan N. para ofender o amigo foi "ganso velho", que significa pessoa ardilosa, mentirosa, aproveitador, porém, no Brasil, isso não faria sentido, daí a escolha por "raposa velha". 
Não é a toa que Nikolai Gogol era conhecido como mestre da sátira e do humor em seu tempo. A briga dos dois Ivans é repleto de momentos engraçados, desde as epígrafes no início de cada capítulo, até os diálogos cheios de ironia. Ademais, o narrador sempre ridiculariza os costumes dos nobres russos e mostra a realidade miserável das pessoas pobres, porém ele não faz isso de maneira "panfletária", e sim de forma irônica. Ao perceber essas características me liguei que Nikolai Gogol é um autor do Realismo Russo! Já adoro ele! 
Há também, um narrador que conversa conosco. Ele não é apenas onisciente, mas também faz parte da comunidade, conhece os dois Ivans como se fosse um vizinho deles e dá sua opinião a respeito destas e de outras personagens.
Outro ponto que deve ser ressaltado em A briga dos dois Ivans é a corrupção inerente das personagens. Aparentemente, o povo russo do século XIX assemelhava-se, e muito, ao povo brasileiro da atualidade... Sempre dando um "jeitinho" nada ortodoxo para resolver seus problemas... 

[...] "moleque à toa com uma camisa emporcalhada - um quadro que pintores admiram!" [...]

Apesar disso, fiquei muito feliz por ter dado uma chance a Nikolai Gogol, pois a leitura de A briga dos dois Ivans foi muito prazerosa! Uma pena se tratar de uma novela, pois o texto é bem curtinho e a leitura muito rápida, mas pretendo procurar outras obras desse autor e me aprofundar mais nesse Realismo Russo. 
Antes de concluir, é preciso dar crédito a ótima edição da  Grua Livros. A série "A Arte da Novela" é bem interessante em sua proposta de reunir as grandes novelas clássicas, além disso, o trabalho de tradução e de contextualização é ótimo e vai ajudar muito as pessoas desacostumadas com os nomes russos e suas formas de tratamento. 

.9 de dezembro de 2018

[SANDMAN] - Fim do Mundo e Entes Queridos

Imagem relacionadaHá cinco meses atrás falei de Sandman por aqui... Muita coisa aconteceu nesse curto espaço de tempo, por isso acabei deixando essa leitura de lado, mas voltei, voltei cheia de vontade de descobrir qual seria o destino de Morpheus, e acabei esquecendo que entre os arcos dele sempre há um interlúdio de histórias aleatórias e O Fim de Mundo é um deles... 
Nesse arco, somos levados à Taverna do Fim do Mundo, um lugar onde todos os mundos terminam e é um ponto de encontro para aqueles que ficam perdidos. Acompanhamos dois viajantes humanos que acabam chegando a essa estalagem e acham tudo muito estranho e bizarro (tal como nós), pois para pagar sua estadia lá, cada hóspede deve contar uma história. 
Ao longo de seis capítulos conhecemos histórias diferentes e absurdas, algumas muito legais, outras nem tanto. Essa é uma constante em Sandman para mim: nunca sou cativada por todas as narrativas, contudo, todas têm uma mística envolvente e vários diálogos filosóficos e frases de efeito que realmente chamam a atenção. Aqui, Morpheus não tem uma participação ativa, contudo temos um prelúdio para o que está por vir no próximo arco...



Entes Queridos já começa com a aparição das três irmãs, as fiadeiras do destino. Elas estão analisando um fio que deverá ser cortado em breve...
Enquanto isso, Lyta Hall, aquela que engravidou no Sonhar, descobre que seu filho Daniel foi raptado e atribui a culpa a Sandman. Em seu desespero por encontrar o filho e vingar-se do senhor do Sonhar. O que ela não imaginava é que tudo isso não passou de uma armação para prejudicar Morpheus, forjada por criaturas que nós nem nos lembrávamos mais, ou nem imaginávamos que tinham mágoas desse perpétuo. Lyta acaba perdendo-se em seus caminhos e encontrando quem não deveria ser procurado...
Reencontramos nesse arco a querida Rose, sobrinha humana de Sandman! É interessante acompanhá-la em sua busca pessoal apesar de, nesse momento, sua história não ter muita relevância para o desenrolar do arco. Encontramos Delirim, também em uma busca! Tudo com Delirium é sempre bem confuso, mas ela também é uma personagem cativante.
Como deu para perceber, Entes Queridos é um arco de buscas e sobretudo, um arco de saudosismo. Revemos personagens queridas, vemos outras partirem, deparamo-nos com os resultados infrutíferos ou não de suas buscas e perdas... Não é segredo nenhum que esse arco termina a história de Sandman como conhecemos desde o volume um, porém, nós já sabíamos que toda história precisa ter um fim. E esse, como tudo feito por Neil Gaiman em Sandman, é muito poético e deixa vários caminhos para algo novo.
Durante todo o arco, sentimos o desespero, a ânsia das personagens, mesmo sem saber por que, elas temem as mudanças que virão. O autor encerra Entes Queridos da mesma forma que o começou, algo simbólico e que eu, humildemente, aprecio muito em qualquer história.
As artes dos quadrinhos mudaram um pouco e as dos últimos, para mim, foram as mais bonitas. O destaque maior aqui fica por conta do letreiramento que capta a essência das personagens.
Realmente gostei muito desse arco. Espero não demorar tanto tempo para concluir a leitura de Sandman. Agora faltam apenas mais seis volumes e sei que depois deles será, de fato, O FIM. 

.18 de novembro de 2018

A Máquina Diferencial - William Gibson e Bruce Sterling


William Gibson e Bruce Sterling são grandes expoentes da ficção científica. O primeiro, conhecido pela série Neuromancer; o segundo, pela série Mirrorshades; Juntos, eles ajudaram a estabelecer as principais características do subgênero steampunk e o trabalho responsável por isso é o livro A Máquina Diferencial
Antes de falar a respeito da obra em si, é preciso dar algumas explicações: o subgênero steampunk significa "Tecnologia a Vapor" e traz narrativas que se passam durante a Era Vitoriana, ou seja, segunda metade do século XIX e mostra uma versão alternativa e futurista, para os padrões da época, dos resultados das Revoluções Industriais. Logo, a caracterização das personagens, suas falas e ações são moldadas por esse período histórico, dando a esses textos um carácter bem semelhante ao de obras escritas, de fato, na época em que são ambientadas. Sabendo disso, percebe-se que A Máquina Diferencial pode ser uma leitura desafiante e apesar de ser uma ávida leitora de clássicos e gostar de ficção científica, comigo, isso não foi diferente.
O livro é dividido em cinco partes chamadas de Iterações, e o nosso amigo Google nos dá uma ótima explicação dessa palavra que tem tudo a ver com a história:

"processo de resolução de uma equação mediante operações em que sucessivamente o objeto de cada uma é o resultado da que a precede."

Na primeira, acompanhamos a jovem Sybil Jones, filha de um líder comunista assassinado pelo Estado, sendo treinada para tornar-se espiã por um homem fiel ao ex-presidente do Texas. Há uma conspiração acontecendo e só sabemos que a família Byron é parte importante nisso, sendo Ada Byron, a "Rainha das Máquinas", a mais digna de nota. Da segunda a quarta iterações acompanhamos Edward Mallory, um paleontologista que teve o azar de estar no lugar errado e na hora errada, tornando-se alvo da conspiração que quer derrubar o governo vigente e instaurar uma espécie de ditadura comunista, deturpando totalmente a essência da mesma. 
Já a quinta iteração tem como protagonista o jornalista e "espião" Oliphant, uma pessoa que ajudou muito nosso outro protagonista e está investigando o ocorrido com Sybil para tentar encontrar uma forma de desvendar o mistério que assola sua nação e mais, a família Byron.

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A Máquina Diferencial traz muito mais elementos históricos e políticos do que ficção científica em si. Todos os grandes cientistas dessa sociedade são também políticos parte da Câmara dos Lordes, algo que foi bem frustrante... Afinal, eu esperava saber mais sobre a máquina de Babbage e gostaria muito de ter visto o protagonismo de Ada Byron, afinal, ela foi a primeira programadora da História!! Porém, isso é mencionado de maneira secundária no livro, Ada é mostrada como uma mulher bêbada, viciada em jogos, o título de "Rainha das Máquinas" não é respeitado pelas pessoas influentes, apenas os que estão de fora do governo a admiram, algo realmente irritante, pois essa mulher foi  A PRIMEIRA PROGRAMADORA DA HISTÓRIA! Pelo amor de Deus, gente! Por que não fazer uma narrativa focada nessa personagem? Nesse empoderamento feminino?
Enfim, deu para perceber que não gostei muito dessa leitura, né? Sinceramente, terminei porque queria descobrir o mistério em volta das iterações, mas não me interessei pelas personagens, nem por sua luta. A parte científica do maquinário a vapor até seria legal de se ver em um filme, entretanto, no livro, ela não surpreende.
Acredito ser A Máquina Diferencial uma boa leitura para quem gosta de tramas políticas envolvendo Inglaterra e Estados Unidos, ou que goste de máquinas a vapor, ou queira conhecer o steampunk. Eu, infelizmente, não consegui gostar e terminei o livro bem decepcionada.

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.12 de novembro de 2018

Harry Potter 7: O fim de uma Era...

... Ou será o começo de muitas outras?



     Não sei nem como iniciar essa postagem! Afinal, sou grande fã de Harry Potter. Preciso, então, dizer, antes de mais nada, o quanto essas releituras foram incríveis e me fizeram bem! Adorei cada uma delas e estou muito feliz de poder escrever, finalmente, sobre Harry Potter e As Relíquias da Morte
     Esse livro já começa com muita tensão, pois Harry completará a maioridade bruxa e precisa sair da casa dos tios, para preservar suas seguranças, uma vez que perderá a proteção mágica criada por Dumbledore, algo muito esperado por Lord Voldemort
     Após esse primeiro momento dramático e eletrizante, somo levados a um "alívio": o casamento de Gui, irmão mais velho de Rony, e Fleur Delacour, a campeã de Beauxbatons, contudo um pouco antes disso o nosso querido trio recebe uma herança de Dumbledore: para Harry, o pomo se ouro de sua primeira partida de Quadribol, para Rony, um desiluminador e para Hermione, um exemplar de Os Contos de Beedle, o Bardo. Eles não entendem o porquê desses objetos, mas os aceitam mesmo assim.

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    Por começar logo após os eventos de Enigma do Príncipe, Harry Potter e As Relíquias da Morte terá como foco a caça às Horcruxes, tarefa bem difícil, capaz até de acabar com a amizade entre Harry, Rony e Hermione...Paralelamente, vemos a situação do Mundo Bruxo que está se tornando um caos. Muito semelhante, quase igual ao Terceiro Reich e todas as atrocidades da Segunda Guerra Mundial, só que, agora, os alvos não são os judeus, e sim os nascidos trouxas e os próprios trouxas. 
Enquanto isso, muitas outras personagens, tais como: Neville, Luna e Gina lideram a resistência em Hogwarts; e Lino, Fred e Jorge criam o Observatório Potter: um programa de rádio clandestino que divulga as atrocidades cometidas por Voldemort e seus seguidores. 
    Durante sua procura pelas horcruxes, o trio descobre a existência das Relíquias da Morte e Harry fica bem obcecado por elas, porém Hermione o conduz ao foco que é destruir os objetos mágicos com parte da alma de Voldemort para que enfim possa morrer.

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   Apesar das atrocidades e momentos tristes, Harry Potter e As Relíquias da Morte traz mensagens muito bonitas de amizade, coragem, esperança e, principalmente, amor. Acho que um dos momentos que mais me emocionou foi o capítulo "A História de Monstro", no qual o elfo conta como foi salvo por seu dono, o irmão mais novo de Sirius, Régulo Black. Ao contrário de muitos, hoje, não consigo ver a história de Snape como algo bonito e inspirador, mas sim como um sentimento doentio e bem pouco altruísta, até agora não entendo como J.K. Rowling concebeu algo assim tão abusivo! Entendo que a vida de Severo não foi fácil na infância, todavia, ele não precisava ter enveredado pelo caminho das Trevas e o modo como ele reagiu a morte de Lillian além de culpa, tem muita obsessão...

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   Enfim, tirando esse ponto específico, eu amei essa leitura e adorei como a autora introduz o clímax da história de forma ao mesmo tempo angustiante e engraçada! Só J.K. Rowling mesmo... É claro que todas as perdas e a descoberta surpreendente de Harry nos deixam com o famigerado "coração na mão", no entanto essa é uma leitura fantástica e faço muitos votos de que vocês leiam ou releiam. Pois muita coisa boa virá dessa saga ainda, e essa semana será o lançamento de Os Crimes de Grindelwald, filme ansiosamente aguardado por todos nós fãs desse universo esplêndido criado pela maravilhosa J.K. Rowling.

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.27 de outubro de 2018

Harry Potter e O Enigma do Príncipe: uma leitura surpreendente


     Mais uma releitura de Harry Potter completada e esta trouxe mais uma grata surpresa também, pois, da mesma forma que tive uma primeira leitura difícil de Harry Potter e A Ordem da Fênix, há dez anos atrás, quando li O Enigma do Príncipe, pela primeira vez, também não tive boas impressões da obra, hoje, madura como leitora e pessoa, pude absorver o enredo muito melhor e simplesmente adorei a leitura! 
      Em Harry Potter e O Enigma do Príncipe, J.K. Rowling nos brinda com uma narrativa repleta de segredos a serem revelados. Vemos a lealdade de Severo Snape ser colocada à prova. Conhecemos muito mais da vida de Lorde Voldemort, algo bem interessante; desde a história de vida de seus pais, até a maneira como ele consegue alcançar a "imortalidade" que pode e deve ser destruída para que Harry tenha chances na derradeira batalha. 
   Há também um maior desenvolvimento dos enredos amorosos, algo compreensível visto serem as personagens adolescentes de dezesseis anos, mas o legal é o modo como J.K. Rowling faz isso. Não há firulas, nem enrolação, ela não fica se demorando nessas questões, afinal, existe uma orla de Comensais da Morte a espreita, uma guerra acontecendo nas ruas, vida escolar seguindo seu curso apesar de tudo, logo, não dá para ficar suspirando por ai, não é mexmo...?
     Enfim, alfinetadas à parte... Surpreendi-me positivamente com essa leitura, porque lembrava-me dela como algo densa e difícil, fiquei, pois, muito feliz ao devorar o livro vorazmente e adorar cada linha dessa história! A quantidade de informações entregues a nós pela autora é magistral e ainda nos deixa com muitas perguntas e com bastante desalento também, visto que o final do livro é estarrecedor. A morte de uma personagem importante e cativante sempre é complicada, contudo, a morte de uma personagem que norteava as ações de todas as outras, é, no mínimo, desesperadora...
Mas estamos falando de Harry Potter, nosso protagonista aos moldes do herói clássico, a gente acredita nele, tal como Dumbledore acreditou... 
      Mudando o foco... Infelizmente, nesse livro, fiquei chateada com a Hermione... Achei especialmente irritante o modo como a personagem ficava competindo com Harry para ser a melhor em Poções, e como ficou enervada a história toda por causa do estranho livro usado pelo amigo, o livro do "Príncipe Mestiço". Sei lá, sempre achei irritante o modo "fominha de nota" da garota, mas nessa edição o negócio ficou bem pior. Isso não é nada relevante para a narrativa, é só a minha opinião mesmo. 
     Agora, uma coisa IMPORTANTE para a narrativa é a tradução e revisão de Harry Potter e O Enigma do Príncipe que posso seguramente dizer estar PÉSSIMA. Gente, como assim a Editora Rocco não reeditou esses livros?? Não é possível! Há erros GROTESCOS nessa edição que possuo! Erros tanto de tradução quanto de revisão. Expressões absurdas como "tempestade de cérebros" são comuns ao longo de toda a obra. Um absurdo para quem conhece a genialidade da escrita de J.K. Rowling, e mesmo que não fosse a autora, É UM DESRESPEITO PUBLICAR UM LIVRO ASSIM! Pronto, falei! 
     É claro que esses problemas não me impediram de aproveitar a leitura, porém, isso me fez pensar: se fazem isso com a J.K. Rowling, imagine como tratam as obras de outros autores menos conhecidos? Sabemos a resposta...
    Já que iniciei o momento indignação, quero terminá-lo falando sobre como o filme de Harry Potter e O Enigma do Príncipe é uma péssima adaptação. Notem, o filme é péssimo em adaptar o livro, sendo bem pobre e pouco fiel a história, uma pena. 
     Então é isso, gente, apesar dos problemas citados, a narrativa criada por J.K. Rowling é maravilhosa e estou mais do que ansiosa para reler seu final. 

.24 de outubro de 2018

Respondendo a Tag: Halloween Literário


Olá, livres leitores! Voltei com uma segunda tag esse mês, porque não podia deixar o Halloween passar em branco, aliás, vendo os arquivos o blog, percebi nunca ter respondido uma tag com essa temática. Procurei em vários lugares até encontrar uma da qual gostei no blog O que vi do Mundo, então, vamos às respostas: 

1 - Qual é o seu livro favorito de terror ou suspense?

Acho que de terror, vou chover no molhado e dizer que O Vilarejo, de Raphael Montes é meu favorito. Agora, quanto ao suspense, gostei muito mesmo de Misery de Stephen King.

2 - Se você fosse a uma festa de Halloween e tivesse que se fantasiar como a personagem de algum livro, quem você seria? 

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Bem... Acho que eu me fantasiaria de Hermione Granger, ou de Morte (personagem da hq Sandman), me fantasiaria de Marceline também, mesmo ela sendo personagem de um desenho animado hahaha. 

3 - Um personagem que não é de livro de terror, mas você acha assustador. 

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Acho que eu sempre tendo a ver pessoas abusivas como assustadoras, logo, o pai da protagonista de Hibisco Roxo, de Chimamanda Adichie é um bom exemplo disso... 

4 - Vampiros ou lobisomens?

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Prefiro unicórnios... hahaha sério, não tenho distinção entre essas criaturas místicas. 

5 - Se forem vampiros, qual é o seu vampiro preferido da literatura? Se forem lobisomens, idem. 

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Tá, vamos lá. Não tenho vampiro, nem lobisomem favorito da literatura. Sinto muito. 

6 - Qual livro de terror você tem vontade de ler?

Nossa, tem vários!! Praticamente todos os que a Tatiana Feltrin e o Rubens do canal Ler Vicia indicam!! *___*

7 - Gostosuras ou Travessuras? Diga um livro que você encaixa em cada uma dessas definições. 

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Gostosuras: Harry Potter, tanto por a história ser incrível, quanto pela quantidade de descrições de comidas! 
Travessuras: O Fantasma de Canterville! A forma como os gêmeos assombram o fantasma é muito engraçada!


.21 de outubro de 2018

Anna Vestida de Sangue - Kendare Blake



Sinopse: Cas Lawood é um adolescente de 17 anos, órfão de pai que vive viajando pelo mundo ao lado da mãe. O motivo? Ele é um caçador de fantasmas. Durante os últimos três anos, o jovem tem destruído fantasmas assassinos como uma forma de "treinamento", agora, ele acredita ser Anna Vestida de Sangue seu maior desafio... É no Canadá que ele se depara com essa terrível assombração capaz de desmembrar qualquer pobre coitado que ouse entrar em sua casa, contudo Cas entra lá, não cumpre sua missão, sai vivo, mas cheio de dúvidas... 

     Ano passado não havia um blog que não tivesse resenhas sobre Anna Vestida de Sangue. Preciso confessar serem o título e capa desse livro muito atraentes e a enorme quantidade de opiniões positivas foi fator decisivo para a escolha dessa leitura. 
Em Anna Vestida de Sangue acompanhamos nosso protagonista, Cas, tentando de todas as maneiras salvar o mundo de criaturas macabras e assassinas, geralmente vistas como "fruto da imaginação"; mas, até então, ele nunca precisou de ajuda, agora, claro, ele contará com a de Thomas, seu tio Morfran e Carmel, moradores da cidade onde fica a casa de Anna. Os dois primeiros são bruxos e a moça é simplesmente a garota mais influente do lugar. Juntos, eles tentarão deter a fantasma enlouquecida, Anna, porém, eles não imaginavam ser a história dela muito mais complexa do que um mero assassinato na noite de um baile em 1958... 
O livro não se sobressai ao gênero de forma alguma, os clichês permanecem, os furos de roteiro persistem e a irritante fórmula de não desenvolver as personagens e priorizar a sequência "ação, ação, ação" também continua aqui, no entanto, o que faz Anna Vestida de Sangue diferente de outras obras do gênero lidas por mim e detestadas, é o carisma da narração de Kendare Blake, muito envolvente, dinâmica e instigante. Você realmente quer descobrir o mistério que envolve a morte e voracidade de Anna e fica surpreso com o plot twist, apesar de não muito bem elaborado, que a autora nos apresenta. 
Como sempre, achei o fator romance muito irritante e desnecessário. Além disso, a forma como a mãe de Cas é retratada ficou muito estranha e incoerente, afinal, a mulher deixa o filho sair de casa a noite para destruir CRIATURAS SOBRENATURAIS ASSASSINAS desde os 14 anos e a única coisa que ela faz é "limpar" energeticamente a arma usada por ele? Sendo ela uma bruxa? Achei bizarro. As outras personagens femininas, porém, Anna e Carmel, tem um protagonismo muito maior e realmente agem, participam da ação e são até mais ativas do que o próprio Cas, algo louvável. 
Apesar das críticas, gostei dessa experiência de leitura! Não conhecia nenhuma publicação da editora Verus e fiquei encantada com essa edição, muito bonita e com poucos problemas de revisão. Anna Vestida de Sangue é o primeiro livro de uma duologia. Não sei se lerei sua continuação pelo simples fato de preferir histórias únicas e essa obra em si, para mim, já foi boa nesse volume, por isso não sinto necessidade de uma continuação, mas pretendo procurar outros livros de Kendare Blake porque sua escrita é legal. 

Então é isso! Você também foi bombardeado com resenhas sobre esse livro? Já leu ou pretende ler? Diga nos comentários. 


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