Mostrando postagens com marcador Distopia. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Distopia. Mostrar todas as postagens

.24 de maio de 2019

Lua de Larvas - Sally Gardner



     Não é segredo nenhum que eu sou uma verdadeira adoradora do gênero distopia. Gosto muito dessas tramas envolvendo organizações sociais e a tão empolgante e inevitável luta dos indivíduos pela liberdade. Contudo, não escondo também que muitas distopias teen me decepcionaram ao longo dos anos e acabei deixando-as de lado para evitar a fadiga. Felizmente, conheci a narrativa de Lua de Larvas, há algum tempo atrás, anotei a dica e a experiência não poderia ter sido melhor!
     Narrado em primeira pessoa por Standish Treadwell, um garoto de dezesseis anos, Lua de Larvas nos mostra uma realidade ao mesmo tempo familiar e bem diferente da nossa, chegando a ser grotesca. A familiaridade está no fato da história se passar durante o período conhecido como "Corrida Espacial" e a insistente tentativa de levar o homem à Lua. Entretanto, as diferenças são gritantes: a organização social desse país anglófono intitulado Terra Mãe é autocrática. Aparentemente, este sofreu, além da Segunda Guerra Mundial, um conflito civil, pois está quebrado em todos os sentidos. A população vive em condições sub-humanas e é vigiada o tempo todo. Qualquer manifestação contra o regime é brutalmente cessada. Todos vivem com medo. Todos desconfiam de todos.
    Ademais, A Terra Mãe é contrária a todo e qualquer tipo de defeito, o que deixa nosso protagonista na mira do governo, porque ele tem problemas cognitivos, possui heterocromia e seus pais estão desaparecidos por não apoiarem o governo... No momento em que a história começa, além dos pais, ele perdera também seu único e melhor amigo, Hector, que desapareceu juntamente com a família.
Stan sofre muito por causa dessas perdas, pois os amava muito e sempre fora protegido por eles e, agora, era perseguido constantemente por colegas da escola e pelo professor também.
     A narrativa caminha de forma não linear alternando tempo cronológico (presente) e psicológico (flash backs). No primeiro, acompanhamos o protagonista em seu dia-a-dia e vemos como A Terra Mãe é muito cruel, além do anúncio da possível chegada do homem à Lua. No segundo, vemos o passado do garoto, seus pensamentos e planos e descobrimos que as famílias dele e de Hector não estavam na mira do governo à toa, e que eles escondem um segredo que pode mudar os rumos de todo o universo deles.
    A trama de Lua de Larvas é repleta de críticas e simbolismos. O início de cada capítulo é ilustrado pela figura de um rato que vai se modificando e tem relação direta com a o desenvolvimento e até mesmo com o desfecho da trama. Há também um certo quê de representatividade, por causa do modo como a autora retrata o Stan (que claramente tem um grau leve de autismo) e a descoberta da sexualidade.
   Lua de Larvas pode ser categorizado como uma distopia teen por causa da idade de seu narrador protagonista, mas não se assemelha em nada com a superficialidade deste gênero, entregando-nos uma narrativa curta em páginas, porém densa, complexa e verdadeiramente reflexiva.


.30 de março de 2019

Submissão,de Michel Houellebecq: um livro que divide opiniões

Capa do livro Submissão - Michel Houellebcq

Finalmente. Esta foi a primeira palavra que pensei após o término de Submissão, do autor Michel Houellebcq. Sem sombra de dúvidas, esta foi uma leitura muito cansativa e bem superestimada, motivos pelos quais demorei mais de um mês para completá-la.
Submissão traz em sua trama um "e se" peculiar, mas possível: "e se a França se tornasse um país muçulmano?" É a partir deste questionamento que tem início a história escrita por Michel Houellebcq.
François é o nosso protagonista e narrador, um acadêmico de meia-idade solitário, individualista e bem machista, chegando a ter um certo discurso misógino. Todo o enredo gira em torno dele e de suas impressões acerca dos acontecimentos, o que acaba empobrecendo a narrativa per se, pois não podemos de forma nenhuma confiar no que ele diz, além de seus pensamentos e reflexões serem bem tendenciosos e imprecisos.
Sabendo disso, você já deve ter entendido a frustração mostrada no começo desse texto. Isso porque há nesse futuro próximo (2022) uma situação política extrema e arriscada na França: Direita e Esquerda já fizeram muita coisa errada, por isso surge a Fraternidade Muçulmana com seu líder carismático, Mohammed Ben Abbes, para "salvar" a pátria e "melhorar" a vida das pessoas, contudo, isso não será feito de fato e mulheres e judeus serão os maiores prejudicados nesse novo sistema de governo e, infelizmente, NÓS NÃO VEMOS O PONTO DE VISTA DESTAS PESSOAS, essas informações chegam até nós por François, um homem branco, hétero, francês e elegível para tornar-se parte do novo "regime" sendo-lhe oferecida uma esposa adolescente e seu emprego de volta na universidade ganhando o dobro, ou seja, para ele, a opressão do governo muçulmano baseado na Sharia (leis islâmicas) não traz nenhum impacto negativo em sua vida, na verdade, até a "melhora". 
Ademais, outro ponto muito negativo em Submissão é a forma como François objetifica as mulheres. Ele sempre tem um comentário depreciativo sobre o gênero e fala muito, muito sobre sexo! O cara só pensa nisso o tempo todo! Parece que a vida dele gira em torno do sexo, o que é bem cansativo de ler, justamente, porque ele só procura as mulheres para isso. Quando ele não faz sexo com elas, as deprecia de alguma forma, ele sempre insinua que mulheres só servem para isso mesmo... Ou seja, é uma narrativa bem difícil de acompanhar...  
Enfim, embarquei nessa leitura com uma expectativa alta e acabei bem decepcionada. Não consigo recomendar esse livro. Acredito que quem se interessa por distopias, mais especificamente, as relacionadas a questões religiosas, talvez tenha uma experiência melhor com o Conto da Aia, ainda não o li, mas só vejo elogios, quanto a Submissão, melhor passar longe... 

© LIVRE LENDO - 2016 | Todos os direitos reservados. | Blog de Andrea Morais | Tecnologia do Blogger