.24 de maio de 2019

Lua de Larvas - Sally Gardner



     Não é segredo nenhum que eu sou uma verdadeira adoradora do gênero distopia. Gosto muito dessas tramas envolvendo organizações sociais e a tão empolgante e inevitável luta dos indivíduos pela liberdade. Contudo, não escondo também que muitas distopias teen me decepcionaram ao longo dos anos e acabei deixando-as de lado para evitar a fadiga. Felizmente, conheci a narrativa de Lua de Larvas, há algum tempo atrás, anotei a dica e a experiência não poderia ter sido melhor!
     Narrado em primeira pessoa por Standish Treadwell, um garoto de dezesseis anos, Lua de Larvas nos mostra uma realidade ao mesmo tempo familiar e bem diferente da nossa, chegando a ser grotesca. A familiaridade está no fato da história se passar durante o período conhecido como "Corrida Espacial" e a insistente tentativa de levar o homem à Lua. Entretanto, as diferenças são gritantes: a organização social desse país anglófono intitulado Terra Mãe é autocrática. Aparentemente, este sofreu, além da Segunda Guerra Mundial, um conflito civil, pois está quebrado em todos os sentidos. A população vive em condições sub-humanas e é vigiada o tempo todo. Qualquer manifestação contra o regime é brutalmente cessada. Todos vivem com medo. Todos desconfiam de todos.
    Ademais, A Terra Mãe é contrária a todo e qualquer tipo de defeito, o que deixa nosso protagonista na mira do governo, porque ele tem problemas cognitivos, possui heterocromia e seus pais estão desaparecidos por não apoiarem o governo... No momento em que a história começa, além dos pais, ele perdera também seu único e melhor amigo, Hector, que desapareceu juntamente com a família.
Stan sofre muito por causa dessas perdas, pois os amava muito e sempre fora protegido por eles e, agora, era perseguido constantemente por colegas da escola e pelo professor também.
     A narrativa caminha de forma não linear alternando tempo cronológico (presente) e psicológico (flash backs). No primeiro, acompanhamos o protagonista em seu dia-a-dia e vemos como A Terra Mãe é muito cruel, além do anúncio da possível chegada do homem à Lua. No segundo, vemos o passado do garoto, seus pensamentos e planos e descobrimos que as famílias dele e de Hector não estavam na mira do governo à toa, e que eles escondem um segredo que pode mudar os rumos de todo o universo deles.
    A trama de Lua de Larvas é repleta de críticas e simbolismos. O início de cada capítulo é ilustrado pela figura de um rato que vai se modificando e tem relação direta com a o desenvolvimento e até mesmo com o desfecho da trama. Há também um certo quê de representatividade, por causa do modo como a autora retrata o Stan (que claramente tem um grau leve de autismo) e a descoberta da sexualidade.
   Lua de Larvas pode ser categorizado como uma distopia teen por causa da idade de seu narrador protagonista, mas não se assemelha em nada com a superficialidade deste gênero, entregando-nos uma narrativa curta em páginas, porém densa, complexa e verdadeiramente reflexiva.


.16 de maio de 2019

São tantas leituras, mas e o tempo?


      Pois é. Os últimos três anos foram repletos de muita leitura e muitas resenhas aqui no blog. O Livre Lendo mudou bastante até tornar-se o que é hoje, cresceu muito e eu também cresci em muitos sentidos. Passei a escrever melhor, a ser mais criteriosa com minhas leituras e isso só me trouxe pontos positivos. Esse ano, contudo, minha carga horária aumentou no trabalho, por esse motivo não disponho mais de tanto tempo para dedicar-me à leitura e quando chego em casa só penso em dormir.
     Por isso, desde fevereiro, o Livre Lendo está bem parado em comparação aos anos anteriores. O ritmo diminuiu, mas, a medida que dá, concluo uma leitura e escrevo a respeito dela por aqui, só não posso fazê-lo obedecendo ao cronograma de sempre, ainda assim as postagens vão surgindo. Além do blog, agora também temos o insta do Livre Lendo que é @bloglivrelendo. No momento não o atualizei ainda, porém já tem algumas fotos por lá. Precisava esclarecer esses pontos para vocês.      
     Espero que nas férias eu possa ler um pouco mais e dedicar-me mais ao Livre Lendo. Por enquanto é isso. Não sei quando volto, então, muita paz, saúde e ótimas leituras para todos nós!


.12 de maio de 2019

[EU ASSISTI] – Gilmore Girls – Quinta Temporada



    Pois é... Acho que Gilmore Girls e eu estamos passando por uma crise... Os primeiros resquícios dela surgiram na temporada anterior, nessa, contudo, a decepção foi enorme!
      Eu disse antes estar muito enervada com as atitudes das protagonistas, mas não dei muitos detalhes, dessa vez vou dizer: Rory perde a virgindade com Dean, o casado. Essa ação deixa a todos chocados, nós espectadores e Lorelai, que fica bem decepcionada.
     Não sabendo lidar com a situação, Rory aceita passar as férias de verão na Europa com a avó, enquanto Lorelai fica em Stars Hollow administrando sua pousada.
      Ao voltar da viagem, Rory descobre que o relacionamento de Dean acabou de maneira traumática e, LOGO EM SEGUIDA, ela reata com ele. Lorelai também tem uma novidade nessa área: finalmente ela e Luke estão juntos!
     Além disso, Stars Hollow terá eleições para o novo conselheiro municipal; Emily e Richard tentam interferir nas vidas amorosas de nossas Gilmore Girls; Vemos uma Rory bem confusa, de novo, por causa de relacionamentos amorosos... Sem falar em uma separação bombástica que não é a dela com Dean...
      Fiquei bem desapontada com essa temporada de Gilmore Girls. A forma abusiva como os pais de Lorelai a tratam, as ações tolas, ingênuas e fracas de Rory foram decepcionantes. Rory mostrou-se o tipo de pessoa que não suporto: aquelas que se abatem por causa da opinião dos outros. A forma como ela reage a críticas negativas é absurda e muito infantil, beirando até algo de menininha mimada dentro da bolha.
    Já deu para perceber que não estou mais com aquele entusiasmo de outrora com Gilmore Girls... Fiquei triste com isso, pois essa série era tão incrível! Agora, não sei bem o que esperar dela. Quero saber qual será o resultado das escolhas de Rory e Lorelai, porém, ao mesmo tempo, estou com medo de me decepcionar mais... Parece que o tempo de “finais felizes” acabou...

.8 de maio de 2019

O Guardião da Meia-Noite - Rubens Saraceni


      Há quem diga que a literatura espírita/psicografada é mera fantasia, outros, que é real e deve ser encarada de forma séria. Contudo, essas discussões pouco importam, pois você encontrará sempre uma leitura prazerosa e com muitos ensinamentos nesses livros e com O Guardião da Meia-Noite não poderia ser diferente. 
     Há muitos anos não tinha contato com a literatura espírita! Acredito ter sido a última vez em meados de 2012 ou 2013, mas sempre interessei-me muito por essas narrativas, por isso quando o Samuel contou-me o enredo de O Guardião da Meia-Noite fiquei encantada e muito curiosa. O engraçado é o fato de não ter chegado a essa obra de maneira ortodoxa. Não li o exemplar físico ou em e-book, na verdade, pela primeira vez em minha vida ouvi um áudio-livro, e a experiência foi ótima!
     O Guardião da Meia-Noite inicia com o diálogo entre dois espíritos. O primeiro, um ser da luz, tem sua atenção chamada pelo outro ao dizer-lhe ter conseguido realizar uma grande mudança. O primeiro fica surpreso, pois pensava ser isso impossível no mundo espiritual, o outro, então, decide contar toda a sua trajetória a fim de explicar melhor sua história. 
    Assim conhecemos o Barão. Ser que viveu no Brasil durante o século XVIII e era muito rico, poderoso, arrogante e cafajeste. Aproveitara-se da pureza de várias moças, era inescrupuloso... enfim, já deu para perceber que ele não era flor para se cheirar. Apesar de tudo isso, chegou um momento no qual o Barão quis casar-se e foi buscar uma noiva em Portugal. É claro que, hipócrita como era, ele desejava uma mocinha jovem e virgem; não aceitaria uma das desonradas por ele... 
     Ao voltar ao Brasil com a nova esposa, o Barão recebe seu primeiro castigo: aparentemente a moça não era virgem! Nosso narrador conclui isso porque a jovem não sangra em sua primeira noite, ela, porém, jura por todos os santos ser virgem; ele não acredita e decide vingar-se da esposa de uma forma horrível. A partir deste ato sórdido o Barão acaba criando um carma enorme para si e para todos os envolvidos no caso e, ao morrer, encontra um destino cruel e implacável... 
     Por ter perecido de repente, ele nem mesmo sabe de sua morte e sofre demais no que seria seu "Inferno pessoal", lá ele torna-se escravo de um ser das trevas e aos poucos começa a trabalhar para ele. Após algumas décadas de muita dor e agonia, o Barão conquista sua liberdade, arrepende-se de suas ações terrenas e tenta ajudar os vivos para compensar. Desse modo ele se torna O Guardião da Meia-Noite
     Não entrei em detalhes quanto ao mal causado por ele, isso porque o negócio é feio, minha gente, posso apenas dizer que o rastro de de sangue deixado marcou profundamente uma tribo indígena inteira! Por causa disso o Barão passará por muitas provações deixando o leitor sempre muito tenso porque, embora tenha começado seu relato mostrando-se um vilão, aos poucos ele se torna um anti-herói, e nós torcemos por sua vitória. 
     Além de ser meu primeiro contato com um áudio-livro, O Guardião da Meia-Noite foi também meu primeiro contato com o lado "obscuro", ou seja, o lado das "trevas" do chamado mundo espiritual, o que foi interessante e aterrador! Ademais, essa leitura trouxe muito conhecimento e muitos alertas quanto ao egoísmo, a vaidade e a ignorância e nesses tempos precisamos prestar bastante atenção às nossas ações e pensamentos para não cair nesses erros... 
    Como dito antes, não importa se você acredita ou não na veracidade da literatura espírita, aproveite essas histórias para aprender com os ensinamentos delas e os compartilhe com os outros. Isso é o que realmente importa. 

.4 de maio de 2019

Orgulho e Preconceito - Jane Austen

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     Há alguns anos atrás, fiz uma postagem sobre as obras de Jane Austen que gostaria de ler e as obras influenciadas por essa autora incrível que são do meu interesse também. O projeto está caminhando a passos lentos, contudo, até agora, só faltava escrever sobre meu livro favorito: Orgulho e Preconceito. Muito difícil alguém não conhecer essa história, mesmo que seja pelas adaptações apenas, mas vamos a um breve resumo: 
     No interior da Inglaterra do século XVIII, vive a família Bennet. Em um período histórico no qual mulheres comuns não poderiam herdar propriedades, a senhora Bennet vive desesperada com a perspectiva de ir para o "olho da rua" com suas cinco filhas após a morte do marido. 
Por esse motivo, ela quer porque quer casar suas filhas com homens ricos, ou com qualquer um com trabalho decente e alguma posição social. Logo, ao saber da chegada de um jovem rapaz com essas características, decide "empurrar" sua filha mais velha, Jane, para ele. 
      Nossa protagonista, porém, é Elizabeth, a segunda filha dos Bennet. Uma moça fora dos padrões da época, inteligente sem melindres, esperta e muito observadora, Elisa conhece sua condição menos privilegiada por ser mulher, sabe ser o casamento algo necessário, só não o vê de forma deslumbrada como suas irmãs, pensando apenas em casar um homem de posses que seja agradável e já está muito bom... 
      Após conhecer o novo vizinho, Mr. Bingley, os Bennet conhecem também Mr. Darcy, um jovem que seria mais querido do que o amigo por causa de sua larga fortuna, todavia sua arrogância beirando a falta de educação e muita antipatia, deixam uma péssima impressão em todos. 
     Ao longo da narrativa acompanhamos os encontros e desencontros de Elizabeth e Mr. Darcy, entendendo que o título Orgulho e Preconceito representa as personalidades e ações de ambos. Tal como acontece em seu predecessor, Razão e Sensibilidade, aqui os protagonistas acabam alternando as características sendo os dois orgulhosos e preconceituosos em vários momentos e de forma alternada. 
    Essa foi uma releitura maravilhosa. Adorei cada momento e me deliciei com a ironia tão característica de Jane Austen, com certeza, Orgulho e Preconceito é meu livro favorito dessa autora e está mais do que recomendado a todos que gostam de romances de época e histórias bem contadas, divertidas e com protagonismo feminino. Vale muito a pena! 

.9 de abril de 2019

[FILME] - Mademoiselle Vingança


Desde que me tornei assinante da Netflix de novo, tenho assistido algumas produções muito legais por lá, Mademoiselle Vingança foi uma delas. Infelizmente, o streaming não é dos melhores do quesito variedade, pelo menos não com trabalhos externos, mas não podemos negar que o catálogo de séries e filmes feitos pela Netflix é ótimo, por isso, mesmo sem saber nada a respeito da produção, decidi dar-lhe uma chance e não me arrependi. 
A marquesa de la Pomeraye e o marquês de Arcis.
Mademoiselle Vingança, ou no original, Mademoiselle de Joncquières é um drama francês, dirigido e roteirizado por Emmanuel Mouret e produzido em parceria com a visionária Netflix. O longa começa de maneira bem semelhante à As Relações Perigosas, pois, é ambientado na França do século XVIII, em um período anterior à Revolução Francesa, logo, temos o retrato de uma nobreza ociosa e mesquinha, cheia de vícios e adoradora de escândalos que possam movimentar suas vivinhas insípidas (nossa! que crítica... calma, minha filha...).
Na primeira cena, somos apresentamos a Marquesa de la Pomeraye, uma mulher muito bela e jovem que decide passar uma temporada no campo após a recente morte de seu marido; listando todas as "vitimas" já conquistadas pelo Marquês de Arcis, um homem famoso por seduzir mulheres conhecidas por seu recato, e depois abandoná-las após cansar-se delas, levando muitas a beira da loucura. No começo, ela é bem determinada em esquivar-se dele, contudo, sabe aquele ditado? "Água mole em pedra dura, tanto bate até que fura?" Pois bem... o marquês insiste tanto, mas tanto que consegue alcançar o coração de la Pomeraye.
A marquesa em desespero após se abandonada.
Como não poderia deixar de ser, eles iniciam um romance, porém, após alguns meses, de Arcis passa a tratar a parceira com indiferença; ela já conhecedora de sua fama, decide lançar um ardil: diz-lhe estar desesperada porque não o ama mais e não sabe o que fazer; ele, para sua surpresa, diz que também se sente assim, eles se separam em dualidade: o marquês pensa ter encontrado uma mulher notável que agora será sua amiga; la Pomeraye fica com o coração partido e completamente humilhada por ter-se deixado enganar por ele.  
Transtornada, ela arquiteta um plano de vingança que terá como personagem central a bela jovem arruinada Mademoiselle de Joncquière que, por ser uma bastarda, precisou prostituir-se para sobreviver e agora participa do esquema de la Pomeraye a fim de ter uma vida honrada com o dinheiro que receberá. 

A marquesa sendo apresentada a mademoiselle de Joncquière

Mademoiselle Vingança traz, em sua protagonista, um certo "quê" feminista, pois la Pomeraye mostra-se ávida em ensinar uma lição ao marquês que representa todos os homens de sua índole, entretanto, ela perde pontos por continuar apaixonada pelo canalha. 
Ademais, o reforço à competição entre mulheres jovens e maduras. Com o tempo, la Pomeraye passa a ver Joncquière não como uma "aliada", ou "peão", mas sim como rival, podendo trazer com sua vingança mais desastres do que a moça já havia suportado... 
Outro ponto digno de nota é a trilha sonora de  Mademoiselle Vingança, um espetáculo a mais representado por Bach, Bizet, Vivaldi entre outros compositores famosos e brilhantes da música clássica. 

O marquês pedindo conselhos a amiga para conquistar Joncquière.

Em suma, para quem gosta de narrativas ambientadas no século XVIII e tramas repletas de intrigas e desfechos ambíguos tal qual a já referida Relações Perigosas, com certeza, Mademoiselle Vingança é uma excelente escolha de entretenimento para uma tarde de domingo. 

.6 de abril de 2019

O ancião que saiu pela janela e desapareceu - Jonas Jonasson



No dia de seu aniversário de cem anos, o sueco Alan Karlsson decide jogar tudo às favas e pula pela janela da casa de repouso onde vive para pegar de volta sua liberdade, é assim que começa a história de O ancião que saiu pela janela e desapareceu.  Ele só não imaginava que essa ação desencadearia uma série de outras dignas de uma verdadeira odisseia, só que muito mais divertidas de se acompanhar, Homero que nos desculpe a sinceridade... 
O ancião que saiu pela janela e desapareceu é classificado em sua ficha catalográfica meramente como um "romance", contudo, é notória sua semelhança estrutural com as obras Forrest Gump e As Aventuras do Bom Soldado Svejk (já resenhadas por aqui) que é possível classificá-lo também como uma novela satírica tal qual seus antecessores. A narrativa também tem muitas características que beiram o realismo-maravilhoso, pois a forma como Alan Karlsson consegue escapar dos problemas e sua vitalidade em seus mais de cem anos não é algo que se vê todos os dias por ai, porém, tudo isso é tratado de maneira bem natural ao longo do texto, como se fosse tudo comum, até prosaico. 
Por tratar-se de um livro que propõe nos contar o passado nada ortodoxo de seu protagonista, a narrativa trabalha com o tempo cronológico, no qual Alan foge do asilo e acaba sendo perseguido por uma gangue de mafiosos, deixando um grande rastro de sangue e de muita confusão por onde passa; e o tempo psicológico, narrando suas aventuras anteriores, desde o nascimento e infância incomuns na Suécia, até sua ajuda em todos os grandes conflitos mundiais do século XX, tendo participação até na criação da bomba atômica, para vocês terem uma ideia... 
A narração de mais de cem anos de História não seria nada fácil de se acompanhar se não fosse pelo narrador em terceira pessoa irreverente e muito bem humorado, cheio de ironias e tiradas sarcásticas que nos fazem rir e pensar no quão absurda é a vida de Alan, mas, sinceramente, coerência não é a palavra de ordem nesse livro! 
Leitura mais do que recomendada para todos os amantes de História e de boas gargalhadas, O ancião que saiu pela janela e desapareceu é, com certeza, mais um ótimo exemplo de que a literatura sueca tem muito a nos oferecer, desde o terror (vide Deixa Ela Entrar) quanto no humor e na crítica social.

Fica a dica! =D 

.30 de março de 2019

Submissão,de Michel Houellebecq: um livro que divide opiniões

Capa do livro Submissão - Michel Houellebcq

Finalmente. Esta foi a primeira palavra que pensei após o término de Submissão, do autor Michel Houellebcq. Sem sombra de dúvidas, esta foi uma leitura muito cansativa e bem superestimada, motivos pelos quais demorei mais de um mês para completá-la.
Submissão traz em sua trama um "e se" peculiar, mas possível: "e se a França se tornasse um país muçulmano?" É a partir deste questionamento que tem início a história escrita por Michel Houellebcq.
François é o nosso protagonista e narrador, um acadêmico de meia-idade solitário, individualista e bem machista, chegando a ter um certo discurso misógino. Todo o enredo gira em torno dele e de suas impressões acerca dos acontecimentos, o que acaba empobrecendo a narrativa per se, pois não podemos de forma nenhuma confiar no que ele diz, além de seus pensamentos e reflexões serem bem tendenciosos e imprecisos.
Sabendo disso, você já deve ter entendido a frustração mostrada no começo desse texto. Isso porque há nesse futuro próximo (2022) uma situação política extrema e arriscada na França: Direita e Esquerda já fizeram muita coisa errada, por isso surge a Fraternidade Muçulmana com seu líder carismático, Mohammed Ben Abbes, para "salvar" a pátria e "melhorar" a vida das pessoas, contudo, isso não será feito de fato e mulheres e judeus serão os maiores prejudicados nesse novo sistema de governo e, infelizmente, NÓS NÃO VEMOS O PONTO DE VISTA DESTAS PESSOAS, essas informações chegam até nós por François, um homem branco, hétero, francês e elegível para tornar-se parte do novo "regime" sendo-lhe oferecida uma esposa adolescente e seu emprego de volta na universidade ganhando o dobro, ou seja, para ele, a opressão do governo muçulmano baseado na Sharia (leis islâmicas) não traz nenhum impacto negativo em sua vida, na verdade, até a "melhora". 
Ademais, outro ponto muito negativo em Submissão é a forma como François objetifica as mulheres. Ele sempre tem um comentário depreciativo sobre o gênero e fala muito, muito sobre sexo! O cara só pensa nisso o tempo todo! Parece que a vida dele gira em torno do sexo, o que é bem cansativo de ler, justamente, porque ele só procura as mulheres para isso. Quando ele não faz sexo com elas, as deprecia de alguma forma, ele sempre insinua que mulheres só servem para isso mesmo... Ou seja, é uma narrativa bem difícil de acompanhar...  
Enfim, embarquei nessa leitura com uma expectativa alta e acabei bem decepcionada. Não consigo recomendar esse livro. Acredito que quem se interessa por distopias, mais especificamente, as relacionadas a questões religiosas, talvez tenha uma experiência melhor com o Conto da Aia, ainda não o li, mas só vejo elogios, quanto a Submissão, melhor passar longe... 

.15 de março de 2019

[EU ASSISTI] – Grimm – Primeira Temporada

Capa da série Grimm

Notória é a influência dos irmãos Grimm para a literatura infanto-juvenil, contudo, você já parou para imaginar se as criaturas retratadas em seus famosos “contos de fadas” existissem de fato e oferecessem um perigo real para todos? Pois o trio Stephen Carpenter, Jim Kouf e David Greenwalt sim, e no dia 28 de outubro de 2011 foi exibido nos E.U.A. O primeiro episódio de Grimm.
Nick Burkhardt é um investigador da polícia de Portland, apesar do trabalho estressante, tem uma vida boa e estável ao lado da namorada, Juliette Silverton, mas tudo muda quando ele começa a ver criaturas estranhas e uma delas tenta matar sua tia, não antes dela revelar-lhe seu segredo: ele é um Grimm.
Os Grimm, desde tempos imemoriáveis, caçam criaturas bestiais denominadas de “wesen”. Muitas delas adoram comer carne humana e de outros seres também, o que é um grande problema, porém nem todas são assim, muitas delas são bem pacíficas e só querem viver suas vidas tranquilamente. Os antepassados de Nick, no entanto, não acreditavam nisso e exterminavam-nas como se fossem pragas, independente de serem ou não perigosas.

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Nosso protagonista

Por ser um policial, nosso protagonista tem um modus operandis completamente diferente. Ele percebe as nuances de caráter dos wesen, bem semelhantes as nossas próprias, e até torna-se amigo de alguns deles, sendo o mais proeminente de todos, o blutbat (“lobo-mau”), Monroe.

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Monroe, nosso "lobo não tão mau assim". 
A organização do enredo de Grimm é bem simples e semelhante a várias outras séries do gênero: a cada episódio conhecemos o “monstro da semana”, Nick e seu parceiro Hank resolvem crimes que sempre tem algum wesen envolvido, levando o primeiro a pedir a ajuda de Monroe. Eles resolvem o caso e não encontramos mais as personagens que participaram dele. Esse seria o enredo secundário, pois o principal envolve uma conspiração em níveis mundiais...
A trama principal relaciona-se com o fato da família de Nick possuir um mapa para uma relíquia encontrada pelos Grimm durante as Cruzadas. As Famílias Reais (sim, os monarcas) estão interessadas nessa relíquia e sabem existirem sete pedaços desse mapa, elas já tem quatro, o quinto está com Nick, por isso elas enviam constantemente “ceifadores” para matá-lo e roubá-lo. Há também, um príncipe bastardo infiltrado em Portland que pretende, em benefício próprio, controlar todos os passos de nosso Grimm...
Além de tudo isso, nosso protagonista ainda precisa desvencilhar-se das perguntas do amigo e parceiro, Hank, e de sua namorada, Juliette. Ele vive em um impasse: não pode abandonar tudo, e ao mesmo tempo não pode continar mantendo segredo, entretanto, se contar, também estará colocando as vidas deles em risco... É mesmo um grande paradoxo que pode, ou não, ser solucionado nessa temporada...

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Hexenbiest - uma das criaturas que dará muito trabalho ao Nick
É interessante como todos os vinte e dois episódios iniciam com alguma frase retirada de contos de fadas e logo em seguida já presenciamos o crime a ser desvendado. Ademais, a cada novo acontecimento, descobrimos mais a respeito do mundo dos wesen, sempre através de Monroe, ou dos livros deixados pela tia de Nick, nos quais seus antepassados escreveram sobre as criaturas e como as derrotaram.
As personagens principais da série interagem muito bem entre si e têm uma boa dinâmica, todavia é enervante ver como, no começo, Nick só procurava Monroe para ajudá-lo nos casos, não importando se o momento era inconveniente para o blutbat.
O recurso de cliffhanger utilizado no último episódio da temporada, mesmo sendo clichê, cumpre sua função de deixar o espectador curioso para acompanhar o desenvolvimento da história a seguir. Tendo tudo isso em vista, se você gosta de fantasia, inovações nos tão conhecidos contos de fadas e suspense, com certeza vai apreciar bastante a série Grimm.

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.3 de março de 2019

[ANIMA] – SheRa e As Princesas do Poder

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O ano era 1985. Tancredo Neves vencia a presidência da República, Ayrton Senna vencia sua primeira Fórumula 1 e SheRa lutava contra o mal pela primeira vez. Em 2018, a sempre visionária Netflix lançou o reboot na animação anterior, em parceria com a Dream Works Animation, nascia assim SheRa e As Princesas do Poder.
Adora é uma jovem cadete órfã, criada no coração da Horda. Ela é uma das promessas do tirano Hordak e de sua segunda em comando, a feiticeira Sombria, contudo, Adora tem uma melhor amiga problemática, Felina. Por causa dela, nossa protagonista sai do território da Horda, entra na Floresta dos Sussurros, território inimigo, e depara-se com uma espada mágica que a transforma em SheRa, a princesa do poder. Esse fato a faz conhecer a verdade sobre a Horda e sobre a Rebelião da rainha de Lua Clara e de sua filha Cintilante.
Todas essas informações, aliadas a descoberta de SheRa, deixam Adora muito confusa, porém ela vê toda a destruição causada pela Horda e se une à Rebelião de Lua Clara. A partir disso, Cintilante, seu amigo, Arqueiro e Adora viajam por Ethérea tentando reunir a Aliança da Princesa. A cada episódio conhecemos uma princesa nova e vemos os laços de amizade entre eles crescendo, ao mesmo tempo, a amizade entre Adora e Felina vai minguando.
Há muita diversidade e empoderamento feminino na animação, algo deveras interessante e inspirador de se ver! A falta da personagem He-Man só reforça isso e dá ainda mais credibilidade e confiança a SheRa como única protetora de Ethérea.
Mais uma produção acertada da Netflix, SheRa e As Princesas do Poder tem apenas uma temporada de treze episódios de vinte e quatro minutos até agora, ou seja, é uma animação perfeita para maratonar nesse feriadão e com certeza vale muito a pena ser apreciada por todos.


.27 de fevereiro de 2019

[EU ASSISTI] – Gilmore Girls – Quarta Temporada


    A quarta temporada de Gilmore Girls me fez ter um misto de emoções: adoro participar da vida de Lorelai e Rory Gilmore, MAS algumas atitudes delas e de outras personagens me deixaram enervada demais...
    Nessa temporada, Rory vai para Yale, o que deixa seus avós muito felizes, contudo a mudança é brusca e complicada para a garota e está fica indo a Stars Hollow o tempo todo para se aconselhar com a mãe. Em uma dessas visitas, ela descobre que Dean vai se casar! Não há nenhum sinal de Jesse, nem de qualquer romance na faculdade... Sua vida acadêmica, por outro lado, vai muito bem. Ela tem alguns problemas, óbvio, porém continua sendo brilhante e já estagia no jornal de Yale.
    Lorelai também terá um ano intenso! Após o incêndio no hotel onde trabalhava, ela e sua amiga, a chef Sookie, decidem abrir sua própria pousada, entretanto, elas não têm dinheiro e precisam fazer dois empréstimos para alcançar seus objetivos.

Aqui faço minha crítica: ambas sonharam com esse momento por quinze anos e nunca pensaram em poupar dinheiro?! Fala sério! As duas ganhando bem e vivendo confortavelmente? Achei bizarro terem de começar um negócio se enchendo de dívidas.

    As vidas amorosas de mãe e filha é que não vão lá muito bem... Lorelai até arranja um namorado, só que, como sempre, acontece um evento de força maior e ele terminam. Já Rory, melhor nem comentar...
    É preciso enaltecer aqui uma personagem importante nessa temporada, a melhor amiga de Rory: Lane. Essa menina foi reprimida pela mãe fanática religiosa a vida inteira, mas nessa temporada, ela vira o jogo e se torna uma mulher independente! Melhor personagem EVER! O modo como Lane enfrenta a mãe e luta por seus sonhos é louvável e muito justo, afinal, ela só quer viver em paz, poxa.
   Agora, uma relação que é horrível de presenciar é a de Lorelai com os pais. Chega a ser insuportável ver a interação entre eles, é muito tóxico! Eles se alfinetam o tempo todo! Essas brigas podem ser gatilhos para pessoas que estejam em uma situação semelhante com os pais.
   Afinal, o que achei dessa quarta temporada de Gilmore Girls? Gostei. Dessa vez, todavia, com algumas ressalvas... A série mudou de tom, o que é positivo, mudar é bom, só não gosto de ver minhas personagens favoritas sofrendo e se perdendo... Logo, já vou emendar a próxima temporada para ver como tudo vai se desenrolar!

.6 de fevereiro de 2019

Respondendo a Tag: Verão Book Tag

Olá, pessoas! No ano passado, o Respondendo a Tag bombou aqui no blog e foi muito legal, pois consegui responder umas onze tags, o que foi ótimo. Adoro mesmo fazer e ler esse tipo de postagem porque sempre encontro alguma dica, ou lembro de uma leitura há muito esquecida... Dessa vez, vamos responder a Verão Book Tag. Encontrei-a no blog Meu Amor Pelos Livros achei a proposta super válida, e apesar de estar um pouquinho atrasada, ainda é verão, então, vamos às respostas: 

1 - Praia, piscina e sorvete: um livro com todos os elementos que você gosta



Fiquei em dúvida entre duas obras, mas vou colocar aqui a que me veio primeiro a cabeça: Estudos Sobre Veneno. Esse livro tem tudo o que eu gosto: fantasia, trama política, uma pitada de romance e uma personagem feminina incrível!

2 - 40º graus: um livro que te fez passar mal



Nem foi preciso pensar muito... Sem sombra de dúvidas, o livro que mais me fez passar mal foi Jantar Secreto. Sabia que se tratava deu ma narrativa sobre canibalismo, contudo, não esperava pelo que está nessa história...

3 - Férias: um livro que merece ser lido nas férias



Essa foi difícil... Acho que qualquer livro infanto-juvenil seja ótimo de se ler nas férias, inclusive, Harry Potter e O Cálice de Fogo é perfeito!

4 - Adeus ano velho, feliz ano novo: um livro que você precisa ler antes que o verão acabe e um livro para começar o outono com o pé direito



O livro que eu quero muito, muito ler antes do Verão acabar é O Bosque das Ilusões Perdidas. Estou muito curiosa para conhecer essa história. Já o livro que pretendo ler no começo do outono é, na verdade, uma releitura: A Senhora da Magia, primeiro da série As Brumas de Avalon.

5 - Amor de Verão: uma história de amor que acontece no Verão ou por um curto período

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Nossa, gente... Na moral, não me lembro mesmo de uma narrativa na qual ocorra um "amor de verão", pelo menos não que eu tenha lido.

6 - Carnaval: um livro que merece ser lido em um feriadão



Leitura recente e super recomendada: Os Pilares da Terra. É um calhamaço, sim! A escrita de Ken Follett, porém, é tão envolvente que dá para ler em um feriadão. =D

7 - Indique um livro que você acha que combina com o Verão

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Não sei por que, mas ao ler essa frase só consegui me lembrar de O Vitral Encantado... Sério, se você nunca leu nada da autora Diana Wynne Jones, esse é um ótimo exemplar para conhecer e se apaixonar por sua escrita!

Então é isso, gente! Espero que tenham gostado das dicas! =)

.3 de fevereiro de 2019

[EU ASSISTI] - The Walking Dead - quarta temporada

Chegamos na quarta temporada de The Walking Dead! E aqui as coisas ficaram ainda mais empolgantes e sinistras. Alguns meses se passaram após os eventos da temporada anterior e agora a população da cadeia vive em relativa harmonia, tendo certa prosperidade na medida em que o tempo passa. Rick e Hershel estão empenhados na plantação e criação de porcos. Com isso, o novo arco inicia bem, mas esse contexto logo mudará.
Na medida em que assistia, eu dividi essa quarta temporada em três arcos menores. Na primeira parte, o grupo está sobrevivendo até que, numa determinada madrugada, uma das crianças acorda passando mal. Em poucos minutos esse garotinho é acometido por um acesso de tosse violento e cai ao chão, morto. Logo depois, nos dias seguintes, outras duas pessoas são acometidas por uma febre muito forte, levando-os a ficar de cama.
Temendo que a misteriosa doença se transforme numa epidemia, Hershel aconselha o grupo a deixar os doentes em quarentena, isolados numa cela distante. Contudo, gradativamente os moradores da prisão vão adoecendo cada dia mais, e os que morrem pela doença se tornam zumbis. Sendo assim, nesse arco o grupo corre contra o tempo para encontrar um antídoto, saqueando farmácias e hospitais nas cidades próximas.
Após a resolução do problema da doença, o segundo arco da temporada inicia com o retorno de um vilão: o Governador! Sim, ele retorna depois de muito tempo vagando por cidades e vilarejos sozinho, tentando sobreviver. Contudo, as coisas parecem ter mudado. Para começar, ele encontra uma família em perigo e, por algum motivo, decide ajudá-los. Além disso, ele revela aos novos amigos seu verdadeiro nome, Brian Heriot, e passa a tomar atitudes que mostram uma grande mudança nesse personagem.
Aos poucos, Brian vai ganhando a confiança do grupo, passando a ter cada vez mais credibilidade. Ele cria um vínculo forte com Meghan, uma criança mais ou menos da mesma idade de sua filha quando era viva. Decidido a salvá-la de todos os perigos, Brian vai agir de forma cada vez mais… bem, vamos evitar spoilers aqui, ok? Só vou dizer que o fim desse arco vai culminar na destruição e evacuação da cadeia pelo grupo de Rick. Portanto, prepare-se para grandes momentos de tensão, muita porrada, tiro, bomba e zumbis!


Por fim, a terceira e última parte da temporada introduz uma nova esperança. Devido ao desfecho na prisão, o grupo se fragmentou. No entanto, todos os sobreviventes começam a encontrar pelo caminho placas indicando um suposto “santuário na terra”, um lugar onde as pessoas encontrarão descanso e poderão viver em paz. Todos estão convidados a ir ao Terminus. De qualquer forma, o que esse tal santuário reserva para Rick e os outros será explorado somente na próxima temporada.
Os personagens destaque da quarta temporada de The Walking Dead foram:
  • Brian Heriot, o Governador;
  • Hershel Grenne novamente, pela sua atuação chave no tratamento dos doentes;
  • Carol, por causa de uma situação que só mencionarei no post da quinta temporada;
  • Meggie e Glenn, pelas atitudes tomadas em momentos de ação.
Para finalizar esse texto, eu deixo minhas impressões. Apesar de eu ver muitos fãs de The Walking Dead reclamarem das temporadas mais recentes, a julgar pelo ritmo dessas quatro primeiras, a série se tornou uma das melhores que já vi. Até aqui o climão de suspense e perigo iminente está sempre presente e a qualidade se mantém bem alta. Sigo na expectativa de ter novas surpresas na continuação. Que venham mais zumbis e tramas eletrizantes!


Por Samuel de Andrade

.30 de janeiro de 2019

Os Meninos da Rua Paulo - Ferenc Mólnar

Mais um livro infanto-juvenil de cortar o coração...



Definitivamente, eu sou uma péssima pessoa para sortear leituras! Há poucas semanas atrás li O Meu Pé de Laranja Lima, um infanto-juvenil muito triste e comovente e, hoje, acabo de terminar a leitura de Os Meninos da Rua Paulo, uma história que conseguiu ser ainda mais trágica! Essa foi a primeira obra do senhor Ferenc Mólnar que tive a oportunidade de ler e o cara já quebrou meu coração!

[…] “Assim, decidiram a luta por motivo semelhante ao que desencadeia as guerras de verdade. Os russos precisavam de mar, por isso atacaram os japoneses. Os camisas-vermelhas precisavam de um terreno para jogar pela, e como não havia outro jeito, iam recorrer à guerra. “ […]

Considerado o livro mais famoso da literatura húngara ao redor do mundo, Os Meninos da Rua Paulo, publicado em 1907, narra de maneira metafórica a difícil transição da inocência da infância para as agruras da vida adulta, além de tratar também dos efeitos das guerras constantes no imaginário da população, principalmente, das crianças.
Um grupo de garotos, em sua maioria, de origem humilde que tem como refúgio um terreno abandonado, esses são Os Meninos da Rua Paulo. Lá, comandados pelo mais velho de todos, João Boka, eles acreditam fazer parte de um exército que tem como únicos soldados rasos o pequeno lourinho, Ernesto Nemecsek, e o cachorro do vigia do terreno...
A vida dos meninos transcorria tranquila, até que estes descobrem que o grupo rival os "camisas-vermelhas" querem atacá-los para roubar-lhes o espaço de brincadeiras e diversão. Ademais, para surpresa de todos, há um traidor entre eles, capaz de ajudar o inimigo a conquistar seu objetivo vil.
Por ser o único em um posto baixo, Nemecsek decide provar seu valor para o grupo a fim de subir de posição, contudo, ninguém imaginava o quão leal e corajoso era o lourinho, e muito menos as consequências de suas ações...

[…] “Boka fitava com gravidade a própria carteira, e na sua alma de menino pela primeira vez vislumbrou uma vaga ideia do que é, afinal, a vida, da qual todos somos os soldados e os servidores, ora tristes, ora alegres.” […]

Os Meninos da Rua Paulo é uma novela incrivelmente emocionante e cheia de valores e muita honra. O modo como os meninos se tratam, mesmo os inimigos é algo para se espelhar, pois essas crianças são de uma dignidade que falta em muitos adultos!
A escrita de Ferenc Mólnar é linda. Começa de maneira bem tranquila e corriqueira e termina de maneira comovente, deixando uma tristeza grande em nossos corações. Há diversas adaptações da obra para filmes e peças teatrais. Com certeza, esse é o tipo de história infanto-juvenil que também agrada ao público adulto e deve ser lido por todos.

.27 de janeiro de 2019

Músicas que estou ouvindo...


Há mais de um ano não trago esse tipo de postagem aqui no blog, mas, também pudera! Passei um longo período sem ouvir música e quando ouvia eram playlists de bandas, nada de músicas aleatórias. Agora, no entanto, estou viciada nestas aqui:


 Ultravox – Dancing With Tears in My Eyes 

Sabe aquela música que fixa na sua memória apenas a melodia? Você não lembra da letra, contudo, a melodia está ali. Isso aconteceu com Dancing With Tears in My Eyes do Ultravox... Se não fosse pelo Samuel, jamais conheceria a letra dessa música. Ele ficou cerca de duas horas procurando...


Einsturzende Neubauten – Yu-Gung 

Uma genuína indicação do Samuel. A Banda Einsturzende Neubauten (não se intimide pelo nome impronunciável, eles fazem um som ótimo) é uma das precursoras do estilo Industrial, tendo, em seus primeiros álbuns, um som bem purista, misturando instrumentos musicais com serrotes, facas, latas e ferramentas, vale a pena ouvir!


Rammstein – Du Hast

Um dos primeiros e talvez o mais conhecido “hit”da também alemã Rammstein, Du Hast, tem uma letra bem simples, contudo a sonoridade industrial aliada a voz poderosa de Till Lindemann é muito envolvente. 

Wolfsheim – Sparrows and Nightgales

Eu realmente adoro alemães na música tanto quando adoro os russos na literatura... Wolfsheim é uma de minhas bandas favoritas. Gosto muito mesmo de seu synthpop e Sparrows and Nightgales ilustra muito bem essa sonoridade da banda. 



The Mission – Wasteland

Mudando dos alemães para os ingleses... A banda The Mission também é uma de minhas favoritas. Óbvio que sempre vou gostar mais de Sisters of Mercy, porém a música Wasteland é muito legal.

Então é isso, gente. Digam-me nos comentários quais músicas vocês não conseguem parar de ouvir no momento. =)

.24 de janeiro de 2019

O Planeta dos Macacos - Pierre Boulle


     Narrado em primeira pessoa na forma de um diário, O Planeta dos Macacos apresenta um enredo no ano terrestre de 2500. Durante uma viagem espacial a um planeta centenas de anos-luz distante da Terra, dois pesquisadores e nosso protagonista, o jornalista Ulysse Mérou, acabam pousando no sistema de Betelgeuse e descobrem lá uma realidade bizarra...
    Nesse novo planeta, os seres humanos regrediram a uma condição pré-histórica, do tempo das cavernas mesmo, enquanto os primatas aprenderam a falar e aprenderam todos os saberes científicos. Conhecemos essa nova sociedade através dos olhos de Ulysse que tenta, desesperadamente, provar sua racionalidade aos incrédulos macacos, a fim de fugir de lá o quanto antes.
    É bem fácil pensar apenas no plano superficial. A história de O Planeta dos Macacos é deveras interessante per se e diferente principalmente se levarmos em consideração o ano de publicação, 1963. Há, porém, diversos pontos dignos de reflexão ao longo de toda a obra.
    Em primeiro lugar, temos as discussões: por quê, como os seres humanos regrediram tanto? E os macacos? Como conseguiram chegar a um nível tão alto de desenvolvimento? As respostas nos são dadas com o desenrolar da narrativa e são bem alarmantes e muito parecidas com a nossa realidade atual...
    Em segundo lugar, há a questão da ética científica, pois, da mesma forma que hoje macacos, ratos e outros animais são usados como cobaias, no mundo de O Planeta dos Macacos os seres humanos é que são destinados para esse fim. A frieza com que os macacos os tratam nos faz pensar seriamente em nossas atitudes.
   Além disso, a organização social de O Planeta dos Macacos é um verdadeiro espelho da nossa, tendo os mesmos vícios, as mesmas limitações, a mesma ignorância... A única diferença é que eles não travam guerras, e o narrados deixa implícito que esse é o motivo da sociedade dos símios estar estagnada.
   Outro ponto também digno de nota é a transformação de uma das personagens que era uma pessoa muito preocupada e até mesmo perturbada com as questões da psique humana e o sentido da vida. Acabou tornando-se uma criatura irracional e animalesca, esquecendo-se completamente de quem era...
   Sendo assim, O Planeta dos Macacos é uma leitura bem interessante. Um pouco datada, bem fora da "caixinha", mas terminamos a leitura com vontade de continuar. Se você gosta de ficção científica, essa história, com certeza, vai agradar você!
   O autor Pierre Boulle é um prolixo escritor francês. Atuou como agente secreto da inteligência francesa durante a Segunda Guerra Mundial e escreveu outros livros famosos como A Ponte do Rio Kwai, entretanto, conquistou uma fama ainda maior com O Planeta dos Macacos, obra adaptada até hoje.

.21 de janeiro de 2019

[EU ASSISTI] – Gilmore Girls – Terceira Temporada



Antes de mais nada preciso dizer: Gilmore Girls é completamente viciante! Não consigo parar de assistir! Vejo uma temporada atrás da outra, não consigo dizer de qual das três gosto mais, contudo essa foi muito, muito emocionante mesmo! Chorei durante todo o último episódio...

Na temporada anterior, Rory tornou-se vice-presidente do grêmio estudantil e foi a Washington fazer um estágio durante o verão. Dean detestou isso. Durante todo o tempo, ela ficou em dúvida entre seu relacionamento estável com Dean, e sua paixão por Jesse... Além dessas questões amorosas, Rory está no último ano e precisa escolher em qual universidade estudar, e é claro que isso será motivo de muita briga na casa dos Gilmore... Richard quer a neta em Yale, Lorelai a quer em Harward... E Rory está bem no meio disso sem saber bem o que escolher. Há também a vida amorosa de Lorelai e uma possível viagem que mãe e filha pretendem fazer a Europa e alguns acidentes nada agradáveis...
Como esperado de uma temporada de Gilmore Girls, temos muita diversão e drama em cada episódio. As relações amorosas de Lorelai parecem não progredir muito e seu relacionamento com Emily e Richard é bem conturbado e, às vezes, desagradável de se ver. A indecisão de Rory com relação a Dean e Jesse é difícil também, porque ficamos tristes pelo distanciamento dela com o primeiro, e o segundo não parece flor que se cheire...

Continuo apaixonada por Gilmore Girls e espero ansiosamente pela quarta temporada, pois, Rory é um gênio, sabemos que vai a faculdade, mas qual? E quanto a Lorelai? Como fará agora sozinha em casa? Mal posso esperar para saber!

.18 de janeiro de 2019

O Meu Pé de Laranja Lima - José Mauro Vasconcelos

Um livro profundamente triste e tocante 



O Meu Pé de Laranja Lima é um livro infanto-juvenil muito conhecido, não apenas aqui no Brasil, como em quase todo o Globo. A influência de José Mauro de Vasconcelos era enorme durante o século passado e muitas de suas obras foram estudadas em grandes universidades pela Europa. Contudo, foi com O Meu Pé de Laranja Lima que ele conseguiu consolidar-se e comover milhões de pessoas com essa tocante história. 
Zezé é um menininho de cinco anos de idade, muito esperto e arteiro, aprende a ler e escrever sozinho e tem uma imaginação fora do comum. Descobrimos ao longo das páginas que ele é pisciano. Se você não entende, ou não se interessa por astrologia, pode achar essa informação desnecessária, mas o menino é o completo arquétipo do signo de peixes: inventivo, sonhador, amoroso, carinhoso, solidário, bem dramático e até mesmo injustiçado... Ele sofre muito na mão dos adultos que não o compreendem e não têm paciência para suas diabruras de criança, e ainda assim permanece sendo bom e generoso com quem sofre mais do que ele. 
Ademais, a família de Zezé passa por um momento muito complicado. Seu pai perdeu o emprego, a mãe e a irmã mais velha precisam trabalhar muito para sustentar a todos, por isso a família se muda para uma casa menor e é lá que nosso protagonista conhece Minguinho, o pé de laranja lima. Apesar de ter sua imaginação fértil e viver altas aventuras com o novo amigo, Zezé é muito hostilizado por todos da família e apanha demais, chegando até mesmo a ficar dias de cama e quase morrer por conta de duas surras...

“Dor não é apanhar de desmaiar. Não era cortar o pé com caco de vidro e levar pontos na farmácia. Dor era aquilo, que doía o coração todinho, que a gente tinha que morrer com ela, sem poder contar para ninguém o segredo.”

A pobre criança de apenas cinco anos não entende porque os adultos são tão maus. Afinal, ele já está na escola, é o melhor aluno da sala mesmo sendo o mais novinho, apronta das suas, sim, apronta, porém, as duas surras "memoráveis" foram dadas em momentos no qual ele não fazia nada demais, uma total injustiça. Esses atos começam a endurecer seu coraçãozinho e ele vai se fechando para família. 
É quando conhece o português, Manuel Valadares, um homem muito bom e gentil que apieda-se no menino e torna-se seu amigo e protetor. A relação que esses dois têm é muito bonita e tocante. Zezé até pede para ser adotado pelo amigo, pois, em sua casa, é muito maltratado e a família passa por muitas dificuldades. O momentos nos quais os dois estão juntos, são os únicos em que o menino é verdadeiramente feliz e o deixam em paz. 
Por ser um livro narrado em primeira pessoa, em O Meu Pé de Laranja Lima, vemos apenas os pensamentos e o ponto de vista de Zezé, uma criança muito sonhadora e criativa, logo, as árvores falam, tudo possui uma cor e um brilho diferente e lúdico, algo deveras bonito de se ler. Infelizmente, a vida de nosso narrador não é nada fácil e os momentos poéticos são mesclados com a triste e brutal realidade de seu convívio familiar, o que é bem revoltante para o leitor. 
Essa resenha foi escrita enquanto tocava, repetidamente, a música "Dancing with tears in my eyes" da banda Ultravox. Mesmo parecendo uma escolha estranha de trilha sonora, essa música tudo tem a ver com as emoções e sentimentos deixados pela leitura de O Meu Pé de Laranja Lima, isso porque essa obra não é um mero conto infantil. Ela é bem triste e toca fundo e de maneira pungente nossos corações. Além disso, o livro é bem curtinho, possui menos de duzentas páginas, o que nos faz lê-lo em apenas um dia. A escrita de José Mauro de Vasconcelos é maravilhosa. Ágil, bela, sem enrolação, sem obstáculos, ele escreve de uma maneira que fica difícil para a leitura, até que você chega ao derradeiro fim e só consegue chorar... Com toda certeza, O Meu Pé de Laranja Lima vai conquistar você como me conquistou.

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