.6 de junho de 2017

Vidas Secas - Graciliano Ramos


     Livro narrado em terceira pessoa, conta a história de uma família de retirantes em algum lugar do Nordeste brasileiro fugindo da seca. A família é constituída pelo pai Fabiano, a mãe Sinhá Vitória, os filhos, "o menino mais velho" e "o menino mais novo", a cachorra Baleia e o papagaio, este último morre no começo da viagem servindo de alimento aos outros cinco. 
Após atravessar o Agreste, o grupo chega a uma fazenda na qual Fabiano vai trabalhar como vaqueiro, se esforçando muito e ganhando muito pouco por isso. 
A narrativa é escrita de maneira árida tal como o título. Não há espaço para emotividade ou sentimentalismo. A vida dessas pessoas é dura e seca, pois é apenas isso que o mundo parece lhes oferecer e é só essa realidade que eles conhecem.
As personagens praticamente não falam e se comunicam com grunhidos ou monossílabos, o que já evidencia muito bem a falta de conhecimento e recursos que eles têm, em vários momentos Fabiano pensa ser uma idiotice estudar, porque se o fizesse ficaria ainda mais revoltado com sua situação desfavorável... 
Obviamente, como o esperado de Graciliano Ramos, há muita crítica social nesse livro. Cada capítulo traz uma reflexão acerca do modo como as pessoas no Nordeste parecem não viver, e sim apenas sobreviver. Há patrões abusivos, autoridades despóticas, ignorância, a seca, tudo faz com que a vida deles se torne pior e mais difícil, quase que totalmente sem esperança e no final, essa é a única coisa que ainda consegue mobilizá-los: a esperança de que algum dia, em algum lugar eles possam ter uma vida digna, nada de luxos, apenas e unicamente dignidade. 
Esse livro, se não me falha a memória, ainda é leitura obrigatória da FUVEST e isso é excelente, porque a crítica explicitada por Ramos é muito rica e mostra de maneira ampla e realista os problemas que assolam as pessoas pobres no Brasil, sim, ele tem como exemplo uma família nordestina, mas esse quadro pode ser visto, infelizmente, em qualquer ponto de nosso país: pessoas pobres, tentando sobreviver, sendo tratadas como animais irracionais, não tendo condições de aprender, sendo obrigadas a aceitar tudo o que lhes é imposto, sem nem ao menos poder reclamar, sem nunca perder a esperança, porque sem ela, a vida simplesmente não faria mais sentido. 

13 comentários:

  1. Não conhecia esse livro e parece-me muito interessante porque, tal como disseste, mostra a realidade de algumas pessoas, as dificuldades por que passam.

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  2. Olá!
    Apesar de ser um clássico da literatura, eu nunca li a obra por completo, apenas alguns trechos nas salas de aula de Literatura.
    Naquele tempo não me interessei, mas hoje sem duvidas pegaria pra ler justamente por entender mais sobre os questionamentos e o cenário que o autor retrata.
    Um livro pra reflexão e compaixão com o ser humano.
    Adorei sua resenha!
    Beijos!

    Camila de Moraes.

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  3. Oiii Andrea como vai querida?
    Eu tenho tanta vontade de ler esse livro que você nem imagina menina, eu sempre quando vou ao sebo fico a namorar essa edição e acabo escolhendo outra, agora como li sua resenha na próxima irei comprá-lo.
    Beijinhos

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  4. Lembro de ter lido esse livro na escola há muito tempo atrás... Sempre tive vontade de reler um clássico e dar uma pausa nos novos gêneros literários agora com sua resenha me despertou essa vontade novamente! Acho que começarei com Vidas Secas...

    Bjus

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  5. Oiee, tudo bom?
    Já fiz a leitura desse livro pro vestibular, porém, na época, odiei haha agora hoje em dia, 5 anos depois, eu acho que se eu fizesse uma releitura a experiência seria diferente, pois como você mesma disse, tem muita crítica social e aspectos que eu nem reparei quando li de primeira... adorei sua análise! Parabéns!Beijos, Yasmim.

    Blog: http://literarte.blog.br

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  6. Lembro o quanto meu comigo esta leitura na época da escola. Na época não tínhamos notícias tão a mão como a internet nos dá hoje, e saber que este livro já tinha uns bons anos e ainda era tão atual, foi complicado de digerir.
    Bjs, Rose

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  7. sou apaixonada por esse titulo de Graciliano... morro de pena de Baleia, a cena dos preás' me deixa inconsolável... foi o primeiro livro que li dele e gostei bastante... a escrita dele é fluída, e a critica que contém é forte,importante de ser discutida... adoro as leeituras que vc compartilha conosco, me identifico em várias delas <3
    bjs...

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  8. Oi.

    Eu tenho este livro, comprei quando decidi fazer a FUVEST e como era uma das leituras obrigatórias, precisei comprar. Já havia assistido o filme, mas agora não me recordo muito dele, já que foi quando estava no ensino médio, e isso já faz um tempinho.

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  9. Olá, tudo bem? Não li ainda o livro, mas sei a importância da mensagem por trás que ele traz. De fato falar sobre a sobrevivência das pessoas do Nordeste, sobre pobreza mexe com qualquer um. Infelizmente no RJ raramente temos vestibulares por fora que ainda nos "obriga" a realizar a leitura de algo, nos fazendo perder muita coisa boa que se podia ver pela frente. Ótima resenha!
    Beijos,
    diariasleituras.blogspot.com.br

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  10. Oi. Confesso que a primeira vez que li esse livro, há mais de quinze anos, não gostei. depois, fui relendo e me apaixonando com a história, ficando com um nó na garganta, triste por essa realidade tão cruel.

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  11. Olá,

    Nunca senti vontade de fazer essa leitura, não faz muito meu estilo sabe. Mas, como estou fazendo pré vestibular, a probabilidade de eu ter que ler esse livro é grande. Gostei de ler sua resenha, pois assim eu tenho uma noção do que poderia encontrar nesse livro.

    Beijos,
    entreoculoselivros.blogspot.com

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  12. Olá, tudo bem? Preciso confessar que mesmo sendo um clássico da literatura, eu ainda não o li. Lembro de já ter estudado alguns trechos nas aulas de língua portuguesa, mas nunca me despertou tal vontade. Mesmo assim, gostei dos pontos que você levantou. Sua resenha está ótimo e muito bem escrita, parabéns!

    Beijos,
    www.paginasincriveis.blogspot.com.br/

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  13. Li esse livro há muito tempo... Vi peça também. Acho que ele já foi indicado para vestibulares muitas vezes. Quando li, gostei muito, a crítica é bem feita e realmente se aplica a qualquer local do país. Ainda quero ler de novo.

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