.20 de abril de 2016

O diário de Anne Frank - Anne Frank



"Na sexta-feira, 12 de junho, acordei às seis horas. Pudera! Era dia do meu aniversário." p 03.

E é assim que começa um dos relatos mais famosos a respeito do Holocausto ocorrido durante a Segunda Guerra Mundial. 
Aos treze anos, Anne Frank se vê obrigada a abandonar tudo aquilo que conhecia e lhe era caro para, junto de sua família, esconder-se em um apartamento abandonado no prédio onde seu pai trabalhava. Tudo para que não fossem separados e enviados aos campos de concentração... 
No "Anexo Secreto", os Frank dividem espaço com os Van Daan (nome verdadeiro foi trocado), que causam grandes desavenças nesse local tão restrito, além do sr. Dussel (outro nome trocado) que chega algum tempo depois.
No início da narrativa, Anne se mostra um pouco fútil e muito preocupada com banalidades, no entanto ela não está alheia a sua condição de judia e já dá mostras de indignação, ainda que de forma infantil. 
Além dos muitos problemas de se viver escondida, nossa narradora tem brigas horríveis com a mãe que não gosta e não compreende o jeito extrovertido e sagaz da filha e a todo momento a repreende. A menina sente-se a pior pessoa do mundo por isso e, também, porque a mãe trata a filha mais velha com muito carinho e o pai (favorito de Anne) não se intromete nesses assuntos, nem fica ao lado da caçula. 

[...] "Mamãe passou-me outro sermão terrível hoje de manhã; não aguento mais. Nossas ideias são absolutamente opostas." [...] p 29.
[...] "Será que sou mesmo tão malcriada, convencida, teimosa, mandona, burra, preguiçosa, etc, etc, como todos dizem? Claro que não! Posso ter meus defeitos, como todo mundo tem, mas eles simplesmente exageram!" [...] p 37.
[...] Não posso julgar o caráter de mamãe. Eu apenas a vejo como mãe, e é justamente isso que ela não consegue ser para mim. [...] formei uma imagem dentro de minha cabeça, a imagem do que chamar de mãe, e mamãe não tem a menor semelhança com a imagem formada. [...] p 51.

Durante os vinte e cinco meses que passa no Anexo, nossa narradora divide suas atenções entre a guerra, as brigas constantes, seus estudos e seus sonhos para o futuro, um futuro onde haja paz. Percebemos com a leitura que ela amadurece muito rápido e tem reflexões que estão acima daquelas feitas por seus semelhantes, como, por exemplo, a irmã, Margot e Peter, filho do casal Van Daan, que não têm grande compreensão da guerra ou perspectivas de vida. 

[...] "Não acredito que somente os grandes, os políticos e os capitalistas sejam responsáveis pela guerra. Oh, não! O homem comum é tão culpado quanto eles, senão os povos do mundo já se teriam insurgido, revoltados. Simplesmente, existe nas criaturas uma verdadeira senha de destruir, de matar, assassinar, e até que a humanidade inteira sofra uma grande transformação, explodirão novas guerras" [...] p 239.

Em determinado momento, Anne dará foco a uma suposta paixão que sente por Peter, e confesso que achei esses relatos um pouco enfadonhos, mas é preciso lembrar que ela realmente viveu tudo o que escreve, não é mera ficção e tendo isso em mente, prossegui respeitando seus sentimentos.
Como todos sabem, Anne morre em um campo de concentração, em 1944 e a única pessoa do Anexo a sobreviver foi seu pai que reuniu todos os cadernos da filha, conseguindo realizar um dos maiores sonhos dela: 

[...] "Quero ter algo mais que marido e filhos. Quero me dedicar a algo que me realize como pessoa. Quero continuar a viver, mesmo depois de minha morte! E por isso agradeço a Deus, que me deu esse dom, essa possibilidade de me desenvolver e escrever, de saber expressar tudo o que há em mim." [...] p 212.

Mais do que estórias de um simples diário de uma jovem, esse livro traz reflexões sobre os horrores da guerra, sobre relacionamentos familiares e amorosos e, acima de tudo, os pensamentos conflituosos de uma adolescente em meio a tudo isso. 

Essa foi mais uma ótima leitura que fiz para o Desafio Skoob 2016 e recomento fortemente que você leia também!

11 comentários:

  1. Andrea, estou com esse livro para ler por causa de um projeto, mas ainda não consegui tempo.
    Anne Frank é tão famosa e tenho muita vontade de conhecer sua história a fundo. Espero gostar.

    Lisossomos

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  2. Também li esse livro para um projeto (Maratona Skoob 2016) e adorei! Muito bom mesmo! Se tiver tempo, leia porque você vai gostar! *___*

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  3. Oiii Andrea, tudo bem?
    Estou louca para ler esse livro, conheço realmente toda a história da Anne Frank, mas não tive oportunidade ainda de parar para ler e comprar, estou querendo aquela edição que possuem imagens realistas das cenas.
    Beijão

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    1. Oiê! Tudo ótimo! E vc? Ah, eu sei que edição é essa! É a definitiva, né?! Uma amiga minha tem, mas, como ela mora longe, acabei lendo essa versão mesmo... Mas acho a nossa edição linda, linda! Bjss

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  4. Olá Andrea. Esse foi um dos livros que li em 2015, achei uma leitura interessante, uma vez que eu nunca tinha lido nada e nem assistido nenhum documentário falando sobre a vida de Anne. Confesso que fiquei um pouco triste com as considerações que a jovem fazia em relação a mãe, senti uma certa amargura.
    Parabéns pela resenha!

    Abraços
    Literaleitura

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    1. Oi, Raquel! Adorei essa leitura e também me sentia muito mal com os relatos que Anne fazia de sua relação com a mãe e a maneira como todos na casa a tratavam também. Poxa, eu pensava: Que gente mais fútil! Eles estão em guerra, milhões de pessoas morrendo, estão sendo perseguidos e ainda ficam se preocupando com tolices e enchendo o saco da menina?! Revoltante!
      Muito obrigada pelo comentário! Bjss

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  5. Eu gosto de leituras assim, esse livro está na minha lista de próximas compras, tem um tempo que quero comprar, mas quero a edição capa dura! Já vi alguns filmes sobre o livro, mas quero conhecer todas as nuances. Adorei sua resenha, só aumentou meu interesse!

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    1. Essa edição em capa dura é muito linda! Uma amiga minha tem!
      Ainda não tive oportunidade de assistir filmes ou documentários sobre Anne Frank, mas pretendo!
      Que bom que gostou da resenha! Obrigada pelo comentário! ^^ bjss

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  6. Oi, Andrea! Ainda não tive oportunidade de ler este livro, mas, para mim, tudo o que envolva Anne Frank merece toda a atenção possível. Adorei sua resenha, espero lê-lo o quanto antes.
    Bjs
    www.livrosdabeta.blogspot.com.br

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    1. Oi, minha linda! Obrigada pelo comentário! Que com que gostou da resenha! Leitura mais do que indicada! Bjss

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  7. Olá, tudo bem?

    É um livro que ainda desejo ler. Imagino a dor desse Pai que foi o unico a sobreviver e perdeu suas filhas e esposa, gostaria que tivesse um relato dele sobre isso, no livro.

    Gostei do que vc disse, sobre os relatos sentimentais e tal. Continua na lista de desejados! :D

    Beijo!

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