.21 de setembro de 2015

As Vinhas da Ira - John Steinbeck




Escrito pelo incrível John Steinbeck, em 1939, As Vinhas da Ira vai nos contar a  trajetória da família Joad durante o êxodo rural da época. 

Pois é, minha gente, para quem pensa que os E.U.A.  é o país das oportunidades não conhece a história do mesmo, principalmente, durante os anos da Grande Depressão, após a Era do Jazz. 
Nesse livro, Steinbeck, mostra-nos com todo o seu engenho narrativo, reflexões sobre as dificuldades e hipocrisias norte-americanas enquanto relata a triste e sofrida vida dos membros de uma família de Oklahoma, com capítulos intercalados, ora contando-nos o que se passa com a família, ora refletindo sobre tudo, como se a história não fosse apenas sobre a família Joad e sim, sobre todas as famílias que foram destruídas, iludidas e desiludidas com as tão sonhadas vinhas da Califórnia. 
Tom Joad acaba de sair da cadeia, ao chegar nas proximidades de sua cidadezinha encontra o Reverendo Casy que lhe explica que praticamente todas as famílias da região partiram rumo à Califórnia, pois sua mão de obra foi substituída pelos tratores, os bancos não emprestam mais dinheiro, tudo está ruindo e sua única salvação é o Oeste. 

"A gente cultivou, fez ela produzir. Nascemos aqui, demos nossa vida a ela e queremos morrer aqui. Mesmo que não preste, ela é nossa. É isso que faz que a terra seja nossa: a gente nasce nela, trabalha nela, morre nela." p 50.

Durante toda a narrativa essa e outras famílias seguirão um caminho árduo, muitas pessoas morrem, são injustiçadas, mas nunca perdem a fé de que com sua força de vontade são dignas e que conseguirão reerguer-se. Infelizmente, ao chegarem na tão sonhada "Terra Prometida" que era a Califórnia para as pessoas daquele tempo, elas descobrem que tudo não passava de uma ilusão. Lá, elas são chamadas de okies, são maltratadas, humilhadas, semi-escravizadas, são assassinadas por terem inclinações "vermelhas", enfim, essas pessoas vivem três infernos ao longo de todo o enredo. O primeiro é saber que perderam suas casas, suas terras. O segundo é ter de abandoar tudo e partir em uma viagem incerta e sem volta. O terceiro e pior: é saber que não há um futuro em nenhum lugar para elas. 

Esse livro nos mostra de maneira realista e ao mesmo tempo filosófica a luta de classes entre trabalhadores e capitalistas, a forma como o ser humano foi reduzido a um estado meramente animal e como isso é causado por nós mesmos. Excelente leitura, ótima narrativa, revoltante, mas é uma revolta que abre nossos olhos. 

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