.10 de maio de 2013

ÉRAMOS SEIS (Livro)



Maria José Duprè, grande escritora em uma época em que para a sociedade, mulher deveria ficar em casa cuidando dos filhos, e apenas isso, quebrou paradigmas ao escrever Éramos Seis livro de linguagem simples mas muito envolvente, rendendo-lhe diversos prêmios da literatura brasileira sendo traduzido para diversos idiomas alcançando um sucesso estrondoso para a época.
No livro somos levados ao convívio dos Lemos, uma típica família de classe média paulistana. Dona Lola é a protagonista e narradora da história, que começa com os seis integrantes da família juntos: Ela, o marido Júlio e os filhos, Carlos, Alfredo, Maria Isabel e Julinho.  Nos primeiros capítulos vemos os desafios de D. Lola para criar e educar os filhos, pagar as prestações da tão sonhada casa própria e lidar com o gênio difícil do marido, tudo isso descrito de forma sutil e delicada, o leitor sente como se estivesse conversando com a dona de casa enquanto toma o chá das cinco.
Entretanto, a rotina da família é abalada com a morte de Júlio, que deixa mulher e filhos desamparados, com isso D. Lola vê-se obrigada a vender a casa em que vivera tantos anos felizes, passa a trabalhar muito, priva-se de tudo e vê um por um de seus filhos ir embora, até que os seis se reduzem a apenas um: Ela que na solidão e melancolia de sua velhice nos relata a triste e decepcionante história de sua vida.
Apesar de ser cativante, o enredo de Éramos Seis causa um pouco de revolta. É ultrajante ver a submissão de D. Lola perante o marido! Durante toda a narrativa temos a impressão de que, para os filhos e marido ela é apenas uma empregada, alguém que está ali para cuidar de todos, limpar, cozinhar, e que não participa realmente das decisões familiares. Talvez, essa docilidade excessiva fora a grande causadora do distanciamento dos filhos, que não viam na mãe um exemplo a ser seguido, não percebendo que todas as privações e todas as humilhações que ela passou, foram apenas para que eles tivessem um bom futuro, foi tudo por eles. Ainda assim o livro não deixa de ser encantador e de uma narrativa delicada e muito bem articulada apesar do estilo próximo ao coloquial, que nos faz sentir pena de D. Lola e nos faz torcer para que ela tenha um pouco de conforto em sua velhice.
Éramos Seis é um livro que pode ser lido por homens, mulheres, adultos, crianças, independente de classe social. Nós, filhos, sempre lembraremos de nossas mães em cada gesto de amor e paciência, e as mães sempre verão nelas mesmas esse amor incondicional que não espera nada em troca, que se doa e quer apenas a felicidade de sua família, mesmo que isso signifique ter como únicos companheiros a solidão e as memórias de uma vida que ficou no passado.

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