.14 de novembro de 2011

CONTO!

É, esse é um conto relativamente longo... para um blog óbvio, e eu o escrevi ontem porque não aguentava mais os pensamentos que vinham e voltavam sempre sobre o mesmo assunto, esta é uma reflexão minha sobre o futuro, futuro de uma pessoa que eu amo muito, e os amigos que lerem esse texto saberão de quem estou falando! Então é isso, boa leitura, e espero que gostem, esse é um conto muito pessoal, muito pessoal mesmo...


          O ESTRANHO MUNDO DE SOFIA

Ela não era uma pessoa do tipo comum. Qualquer observador por mais desatento que fosse, não poderia deixar de notar seus belos olhos castanhos, a cascata negra que formava seu cabelo, sua pele levemente morena que brilhava ao sol quando corria rua afora com suas amigas...
Para alguns, ela mais parecia uma princesa, uma princesa presa em um montante de lixo, uma torre sem qualquer saída para o mundo exterior.
Os anos passaram... E aquela linda menina outrora inocente, agora vê-e em meio ao caos de uma vida repleta de escolhas erradas... Escolhas essas que sempre fizeram parte de sua realidade... Ainda podia lembrar-se de suas amigas, aquela vida simples de acordar cedo, arrumar-se, ir para a escola, estudar, divagar com sua melhor amiga sobre aquele menino lindo da sala ao lado e dois anos mais velho... Ir para casa, sentar-se em sua calçada e não pensar em nada, apenas observar aquelas pessoas ora estranhas, ora bonitas, ora misteriosas, ora assustadoras... Tudo aquilo fazia sentir -se fraca! Era como se ouvisse mais uma vez as vozes insistentes de seus amigos dizendo> “ Por favor, não faça isso! Você vai acabar com a sua vida!”
É tão doentio o modo como o revés da vida se torna engraçado! Quando era jovem, bonita, cercada por pessoas que a amavam, sentia que precisava de mais, não queria ter algo que era bom para todos, ela queria experimentar o incerto, conhecer e conviver com as pessoas erradas, segui-las, descer ao submundo da obscuridade humana e voltar, vitoriosa de lá! Infelizmente, descobriu da maneira mais difícil que uma vez que se desce ao inferno, não se pode mais encontrar o caminho para o céu...
Ultimamente chorava todos os dias. Via seus filhos chegando em casa de madrugada e, recordava sua adolescência, as noites que sem motivo algum, saia de casa e não dizia uma única palavra a sua mãe, saia sem rumo pelo mundo e permanecia perdida nele até o amanhecer, quando chegava em casa bêbada e sem saber exatamente o que fizera e com quem na noite anterior e, permanecia muda durante todo o dia, num silêncio que anunciava toda a vergonha e desamparo que sentia... Naquele tempo, ela ainda não sabia o quanto sua mãe rezava para que nenhum mal lhe acontece e que Deus iluminasse seu caminho...
Deus... A tanto o esquecera! Nunca fora de uma fé convicta, no entanto, com tantas perdas, perguntava-se aos prantos, Por quê? Por que tinha desistido de sua vida tão facilmente?! Por que permitira que todas as amarras que o mundo lhe impusera para que não realizasse seus sonhos, a sufocasse até a morte e encerrasse sua alma em uma caixão que agora. Ela já não tinha mais forças para abrir?!
Olhou seu reflexo no espelho, aquela pele levemente morena, outrora brilhante, perdera seu viço. Tornara-se áspera, a imagem que emoldurava com exatidão todos aqueles anos da vida adulta. A face, antes bela, lisa, perfeita, estava marcada pela infindável violência de um homem que, por algum descaso do destino, fora o único a aceitá-la! Por mais difícil que fosse a vida ao seu lado, ele era sua única família, ele e seus filhos, precisavam dela, para lavar, passar, cozinhar, dar dinheiro para ir para a balada, satisfazer os desejos sexuais grotescos de um corpo masculino que a muito lhe transmitia somente a mais pura sensação de asco por si mesma e pelo mundo ao seu redor...
Os amigos que antes a defendiam e aconselhavam, hoje, estavam espalhados por ai, uma vez vira um rosto familiar em uma revista de fofocas qualquer, comprou a revista e surpreendeu-se ao ler o nome de seu amigo F... ele era agora o criador de uma nova tecnologia que revolucionara o mercado consumidor, estava milionário! Ela não podia acreditar, que aquele homem um dia a amara e agora, se aparecesse em sua vida, ela não seria nada mais do que uma estranha! A … e H... ela via constantemente na televisão, dando entrevistas e falando sobre sustentabilidade e a luta pelos direitos humanos... Aquelas duas mulheres, foram suas melhores amigas e por muito tempo tentaram reergue-la, no entanto, com o passar dos anos, até mesmo elas a abandonaram.
Secou as lágrimas. Viu nos pulsos mas marcas das escolhas erradas que fizera... A lembrança das drogas, da promiscuidade, beirando a prostituição, os tantos filhos perdidos por conta de sua inconsequência e total falta de amor próprio, as surras que levara de todos os homens que passaram por sua vida e que, viram nela apenas um corpo atraente e uma mente estúpida que poderia ser facilmente descartada, e a pior delas, a marca, de olhar para si e não encontrar nada q a fizesse recordar o que fora antes, não havia mais inocência, felicidade.... Rá! Como diria A …, aquela era apenas mais uma das tantas ilusões da alma humana...
A …, a amiga que nunca desistira realmente dela, ela própria a afastara! E, naquele momento sentia muita falta daquela voz melodiosa, daquele jeito divertido e descontraído, da realidade positiva e real de suas palavras... A … a amara de verdade e, de todas as merdas que fizera em sua vida, afastar seus amigos, fora a mais fácil e dolorosa delas. Afinal de contas, eles traçaram outros caminhos enquanto ela, descia em queda livre de encontro com o assassínio de sua vida e de tudo o que ela fora e poderia ter sido!
Levantou-se. Olhou mais uma vez para o reflexo deplorável de sua existência, olhou a sua volta, a casa de um quarto/sala/cozinha/banheiro, as paredes úmidas e emboloradas pela agua da chuva, os móveis gastos, as roupas que exalavam um terrível odor d'aqueles que passam pela vida e nada aprendem com ela e continham cometendo os mesmos erros... E, de repente, essa certeza de que seus filhos teriam a mesma existência assassinada que ela tivera, a fizeram sufocar, queria correr e gritar! Pedir ajuda a seus amigos, correr para os braços de sua mãe...!
No entanto, naquele momento, olhando o nascer do sol, sentindo aqueles raios luminosos penetrarem sua pele, sentindo aquele ar puro encher seus pulmões desgastados pelo cigarro, ela lembrou-se das ultimas palavras que A … que dissera antes de tê-la expulsado definitivamente de sua vida:
“ Nós somos as escolhas que fazemos Sofia! E, um dia você vai olhar para trás e vai ver que as pessoas que um dia amaram você, simplesmente te esqueceram e que, ao desistir de sua vida, você não apenas matou a sua própria alma, mas também, uma parte da alma de cada uma delas, e essa culpa, essa culpa... Ela vai, destruir você!... “



Um comentário:

  1. Sério, foi dificil escrever esse texto e pensar nesse final, que eu não quero que aconteça! =(

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