.21 de fevereiro de 2010

Crônicas Urbanas

Esta crônica eu escrevi no ano passado


Cuidado: Sangue na Pista.

Hoje era pra ter sido um daqueles “dias perfeitos”, porque eu já tinha planejado tudo, eu faria um exame rotineiro de vista, terminaria de escrever outro capítulo do meu livro e depois assistiria a um daqueles filmes infantis da Disney que, na verdade eu “adoro”, mas como nem tudo nessa vida são flores e nós, como meros mortais estamos sempre sujeitos a imprevistos, eis aqui minha narrativa:

Como já disse anteriormente, eu tinha uma consulta hoje (que não seria necessária se a idiota aqui, não tivesse pisado e quebrado o óculos), logo que entrei no Instituto Cema, depois de ter ficado quase uma hora na fila embaixo do sol quente das onze horas, em pé e com fome, a recepcionista me deu um papelzinho que indicava o dia da minha consulta, que agora estava marcada para o final do mês que vem! Fala sério! Gente, eu sou completamente míope não posso ficar sem óculos por um mês!

Mesmo com toda a minha indignação eu sai de lá sem dar uma única palavra a respeito do acontecido e fui pra estação esperar o ônibus, foi quando eu percebi que tinha um homem bem próximo a mim, encostado em um dos pilares que sustentava o teto, com duas moletas embaixo do braço, nesse mesmo momento eu vi ele cuspir uma coisa verde-amarelada no chão, mas eu nem me importei porque pensei que ele estivesse bêbado e voltei meus olhos pra rua tentando encontrar o ônibus que estava demorando muito. Quando olhei pra trás de novo vocês não podem imaginar o susto que eu tomei, vendo aquele homem caido bem na minha frente cuspindo sangue no chão e gemendo de dor. Eu adoraria dizer que tive uma atitude heróica e socorri o homem chamando a ambulância e ajudando ele a se levantar, mas não foi bem assim...

A minha vontade era de ajuda-lo, mas a única coisa que eu consegui fazer foi ficar lá, parada olhando os funcionários da estação correrem atrás dos seguranças que foram pegar um kit de primeiros socorros (isso demorou uns 15 minutos, ou seja se o pobre coitado tivesse que morrer já teria morrido a muito tempo.)

A coisa mais estranha e macabra que eu notei naquela cena não foi o escarramento de sangue, e sim o fato de todas as pessoas que passavam olharem para o pobre homem e ficarem decepcionadas e até com raiva por ele ainda estar vivo! Uma mulher que passou do meu lado olhou a cena com certa curiosidade como se estivesse presenciando uma apresentação de circo gratuita, mas quando ela viu o homem se sentar ela olhou pra ele com uma expressão de despreso estampada no rosto, pegou o filho pelo braço e saiu dizendo: - Eu aqui perdendo o meu tempo, e esse bêbado nem morto tá!

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