.18 de julho de 2017

[TAG ORIGINAL] 200 ANOS DE JANE AUSTEN

Olá, pessoal! Esse ano temos o aniversário de 200 anos da morte de uma das autoras mais incríveis da história da Literatura Ocidental, nossa querida Jane Austen!! 
Quem acompanha o blog sabe que no ano passado li quase todos os livros dessa autora e adorei a maioria deles e criei uma lista com algumas leituras complementares que vocês podem ver aqui e agora em homenagem a essas leituras incríveis decidi criar uma tag, porque também adoro respondê-las e espero que vocês gostem. Então, vamos lá: 

Orgulho e Preconceito 
Uma história cheia de personagens cativantes.


O que dizer desse livro, ou de qualquer romance de costumes de Jorge Amado? Dona Flor foi uma das leituras mais divertidas desse ano e suas personagens ficaram muito bem guardadas em minha memória *___*

Mansfield Park 
Um livro no qual a leitura infelizmente não "rendeu".


Esse livro é muito estranho... Como o próprio título diz trata-se de uma coletânea de contos eróticos, mas, sinceramente, não consegui lê-los até o fim porque muitas dessas narrativas eram brutais demais para o meu gosto, algo que fica ainda pior quando você já tinha lido o prefácio do livro e viu que a autora escreveu todas essas histórias a mando de um cliente específico... 

Emma 
Uma história que você não esperava muito e se surpreendeu positivamente. 


Esse livro é, simplesmente, fantástico!! Uma das melhores histórias de fantasia que já li em minha vida. Nossa, como eu adoro a Yelena e toda a trajetória dela, leitura mais que recomendada ^^ 

Northanger Abbey 
Um romance que prometeu uma história e contou outra


Nesse caso, o livro promete um romance erótico, mas a história é tão mal escrita e as personagens são tão infantilizadas que é muito estranho... Dá vontade de rir toda vez que me lembro de alguma cena de sexo ou romance nesse livro, porque é muito ruim, sério. Chego a conclusão de que não curto muito narrativas eróticas... =O

Persuasão 
Um livro melancólico. 


Nossa, como esse livro é triste, gente do céu, a narrativa inteira é permeada pela angústia e remorso da narradora e protagonista, é muito difícil, mas é uma leitura recompensadora. 

Lady Susan 
Um livro com uma protagonista in-su-por-tá-vel. 


Para mim, quase todas as personagens de Eça de Queirós são insuportáveis, mas Amaro e companhia superam em anos luz todas as outras. Esse livro é muito bem escrito, é tão bem escrito que você realmente detesta todos que estão insertos nele, algo que,acredito, foi a intenção do autor. 

Jack e Alice
Uma história divertida, mas que você não se identificou muito. 


Não me entendam mal... Não é que eu não tenha gostado desse livro, a história é muito legal e divertida, foi uma experiência interessante, o conteúdo é muito bom, mas a estrutura da narrativa foi bem chata de se acompanhar... Sinceramente, acho que se esse livro fosse voltado para o público adulto, seria melhor. 

Então é isso! As regrinhas dessa tag são bem simples: coloque o link do blog que te marcou e marque outros cinco para respondê-la. Deixem nos comentários os links de vocês para que eu possa lê-las. Meus indicados são:

Lapso de Leitura 
Nuvem de Novembro 
Cantar em Verso 
Torpor Niilista
Segredos Literários

.15 de julho de 2017

Histórias de Alexandre - Graciliano Ramos




Nem só de seriedade e crítica social se sustenta a produção literária do querido Graciliano Ramos, ainda bem, pois ganhamos esse lindo e singelo exemplar infanto-juvenil que pode ser lido por todos. 
Histórias de Alexandre, publicado em 1944, traz uma coletânea de contos e pequenas histórias contadas por Alexandre, um senhor típico do sertão que reúne alguns amigos ao seu redor e narra suas diversas "aventuras", aumentando um pouco o conteúdo delas, se é que vocês me entendem... 
Cada um dos contos mostra um episódio da vida dessa personagem sempre com muito bom humor e é muito fácil interagir com todos ali, pois há as pessoas crédulas que acreditam em tudo sem pestanejar, aquela que ajuda na "veracidade" da história e o descrente que está sempre procurando uma falha nas narrativas. 
Enfim, esse livro é muito divertido e a leitura é bem rápida e fluída, ressalto também a edição que li da Record é muito bonita com ilustrações belíssimas que nos transportam bem para a atmosfera das narrativas. Recomendo a todos que queiram passar o tempo contemplando o folclore de nosso país e nossos costumes. Vale muito a pena! 


.12 de julho de 2017

[FILME] A Onda - Die Welle


Desde o ano passado, um colega de trabalho me falava a respeito desse filme, mas eu nunca dera grande atenção a ele até que, no dia 04/07, o Samuel disse: - Vamos ver um filme? - e ai pensei - Por que não esse? - E aquilo que parecia ser um tiro no escuro, tornou-se uma experiência incrível e rendeu altas conversas filosóficas entre nós... 
Die Welle é uma produção alemã, lançada em 2008 direto para televisão, e conta a história de uma turma de ensino médio aprendendo, em um projeto escolar, o que é autocracia.
Rainer Wenger é um professor de Educação Física e Sociologia, o típico profissional adorado pelos alunos por seu estilo bad boy e vilipendiado pelos colegas por causa disso e durante uma semana temática pretendia trabalhar a ANARQUIA com seus alunos, porém fica com AUTOCRACIA, algo que o desmotiva um pouco. 

Nosso amigo Google diz que Autocracia é "poder ilimitado e absoluto", "regime em que o governante detém esse poder".


Mas vendo o interesse dos alunos, Rainer decidiu fazer um "experimento social" com eles criando um sistema autocrático no microcosmos da sala de aula. Ao longo da produção, vemos como esses jovens vão lidar com essas mudanças que modificarão também suas vidas pessoais. 

A Onda foi o nome escolhido pelos próprios alunos para esse novo "sistema" ao qual eles fazem parte. 

Nós, espectadores, também teremos a oportunidade de ver uma espécie de metonímia acontecendo na tela, mostrando-nos como funciona, de fato, a instauração de uma autocracia. Como dito acima, não imaginávamos que o filme fosse tão dramático e reflexivo. Não vou dar detalhes, porque o interessante é ver o desenrolar dos acontecimentos pela primeira vez, de verdade, essa experiência será incrível e se você nunca se interessou por política ou engenharia social, vai começar... 
A trilha sonora do longa e as atuações são muito boas e nos colocam cada vez mais perto do contexto da narrativa. Uma informação curiosa é que esse filme foi baseado em um livro homônimo e em um experimento social real feito por um professor norte-americano em 1981. 
Com certeza, esse longa mudou minha visão de mundo acerca de nossa sociedade, acredito que todo mundo deveria vê-lo e se você for educador, como eu, apresente-o a seus alunos e discuta com eles, vai valer a pena. 


.9 de julho de 2017

Hegel em 90 minutos - Paul Strathern



Voltamos aos livros da série 90 minutos de Paul Strathern! 

Quem estudou Letras, ou gosta de ler teoria literária, com certeza, ao deparar-se com o movimento romântico, ouviu o nome de Hegel em algum momento e ficou curioso, pelo menos, eu sempre fiquei, com a filosofia criada por ele e a influência dela. 
Então, Hegel, o criador da dialética, para quem não sabe, a dialética é um modo de se organizar e sistematizar o pensamento, qualquer tipo de pensamento. Confesso que ao ler a mini biografia de Schopenhauer, fiquei com a impressão de que Hegel fosse um galã, aquele tipo de professor universitário que faz todos os alunos pararem para admirá-lo e, na verdade, ele era um cara bem comum, bem comum mesmo, de origem simples, sem grandes pretensões na vida, mas como disse Paul Strathern, caiu no gosto do povo: 

[...] "Sua filosofia atendia a todas as exigências da época. A disciplina e a ordem, a crença no trabalho por amor ao trabalho, o caráter aperfeiçoador do sofrimento, a fé em um sistema rígido cujos alicerces metafísicos permaneciam além de toda a compreensão." [...]

Para quem não leu as outras resenhas, a série 90 minutos se propõe a apresentar alguns grandes nomes da Filosofia mundial de maneira bem resumida e objetiva, como o próprio título já diz, logo, se você procura por informações específicas, ou mesmo pela obra do autor em si, esse livro não é para você. Indico essa leitura a todos aqueles que, como eu, são curiosos com alguns pensadores, mas ainda não tiveram oportunidade (aqui entende-se tempo, dinheiro mesmo para adquirir os livros, ou coragem) de ler suas obras, logo, os livros de Strathern podem mostrar se aquele pensamento filosófico que tanto te fascina condiz mesmo com o seu próprio pensamento e assim você embarca mais confiante nessas leituras específicas, ou você pode só guardar essas informações para mais tarde (risos). 
Enfim, de todos os livros desse estilo que li até agora, o de Hegel foi o mais "fraco" e o menos interessante, não sei bem o porquê, mas não me empolguei tanto com as obras desse autor e seu pensamento. 

.6 de julho de 2017

As aventuras do bom soldado Svejk - Jaroslav Hasek



Esse livro eu vi em uma lista feita no antigo blog de uma parceira nossa, o Literaliza, não sei se o novo layout dela mantém as listas, mas gostei do título e vi alguns vídeos a respeito dele no canal Livrada! e decidi lê-lo por impulso, pois é, eu e meus impulsos, caras... 
Escrito por Jaroslav Hasek alguns anos após a Primeira Guerra Mundial, As aventuras do bom soldado Svejk traz uma visão completamente diversa da escrita tcheca popularizada por Kafka. 
A obra fala de maneira bem humorada, satírica e até mesmo burlesca a incursão da personagem-título a esse primeiro grande conflito de proporções globais. 
Em seu tempo, o texto foi considerado blasfemo e imoral, pois mostra de maneira bem ácida e crítica todas as formas de corrupção social. A cada página existe uma piada diferente desacreditando todas as histórias de louvores da Guerra e suas motivações. 
Por causa de tudo isso, o autor encontrou muitas dificuldades para publicar o livro e o fez de forma independente, usando sua língua materna, algo bem inovador, visto que todos os autores do período escreviam em alemão, considerada uma língua culta e elitizada. 
Sinceramente, o começo da história foi interessante, porém as descrições demasiadas passaram a me cansar e terminei a leitura com uma frustração imensa, até porque não há final nessa narrativa, pois o autor morreu antes de concluí-la... 
Para aqueles que conhecem Forrest Gump, Svejk será muito semelhante e você pode até sentir que este foi, com certeza, a inspiração para Forrest, no entanto, a narrativa de Hasek é muito cansativa, diferente da outra que é rápida e menos descritiva. 
Enfim, acredito ser essa obra recomendável para pessoas que adoram clássicos, sátiras e descrições muito detalhadas, como não me encaixo nesse último quesito, As aventuras do bom soldado Svejk deixou muito a desejar... 

.3 de julho de 2017

Os Maias - Eça de Queirós


Mais um clássico da literatura de língua portuguesa, agora, trazendo características do Realismo, Determinismo e Naturalismo condensadas em uma única narrativa com ares de romance. 
Em Os Maias, vamos acompanhar a vida de três gerações dessa família tendo como foco a terceira. O patriarca é Afonso da Maia, um homem inteligente, de caráter ativo e prático, além de ser muito aristocrata, este casa-se com uma Maria e tem um filho, Pedro, rapaz romântico e muito mimado pela mãe, não sabe se virar sozinho como o pai gostaria e é extremamente sentimental e emotivo. Na juventude, Pedro conhece uma Maria Monfort, moça rica e muito bonita, mas com um passado um tanto quanto escuso, visto que o pai foi contrabandista de escravos, algo que nessa nova sociedade portuguesa é horrível e imoral (lembrando que todos eram escravocratas antes, né....), por isso, quando o rapaz avisa ao pai de seu casamento com a moça, este não aceita e eles cortam relações. Os anos passam e de repente, Maria Monfort abandona o marido com o filho pequeno e foge com um italiano levando a filha primogênita.  Esse episódio abala demais o emocional de Pedro e este suicida-se, deixando Carlos, seu filho, com o avô. 
Afonso, então, decide criar o neto "a inglesa" deixando a religião de lado e fazendo com que o menino seja um homem "de verdade" sem grandes inclinações românticas e descabidas como seus antepassados mais diretos, porém, esse livro funciona, praticamente, como uma tese determinista, ou seja, o fato de Carlos ter três parentes próximos com essas inclinações farão com que ele também seja assim, ou o rapaz conseguirá sobressair-se ao meio e ser bem-sucedido como o avô? 
Pois tudo corria muito bem e nosso protagonista agora médico tinha uma vida muito boa, seu trabalho, alguma amante ocasional, amigos, diversão... Até que ele conhece mais uma Maria, essa, Maria Eduarda, uma mulher também bonita, com passado também escuso... 
Enfim, não vou contar como será o relacionamento entre esses dois porque apesar de ser um clássico, talvez muitos não saibam do que se trata o clímax da obra, logo, não quero estragar a surpresa, mas acho que não fui "talhada" para gostar dos textos desse autor... 
Antes de mais nada, reconheço a importância de Eça de Queirós em nossa literatura, porém, não consigo gostar das personagens dele! Eu não me identifico com nenhuma delas, acho suas descrições enfadonhas e suas histórias irritantes! É por isso que digo, acabou, não pretendo ler nenhum outro livro desse autor por um bom tempo, vamos ver se com o passar dos anos eu deixe essa má impressão de lado, mas, por enquanto, termina aqui minha saga literária com Eça de Queirós. 


.24 de junho de 2017

O Encontro – Evanilton Rios Alves


Estava um tanto ansioso para escrever este texto sobre o livro O Encontro: destino, coincidência ou construção, do autor Evanilton Rios Alves. Minha ansiedade se deu por dois motivos: (1) trata-se de um livro nacional e tal fato muito me alegra, pois sou aquele tipo de leitor defensor da literatura brasileira mais atual; (2) o autor em questão foi meu professor de matemática empresarial na faculdade — cá entre nós, tenho uma responsabilidade grande nas mãos.
O Encontro conta a história de vida de Rafael, um rapaz nordestino que deixa sua terra natal para viver na cidade de São Paulo e, consequentemente, ter o encontro com a pessoa que lhe trará a Vitória. Na medida em que os eventos vão se desenrolando, notamos a evolução tanto pessoal quanto profissional do rapaz.
Nascido em 1967, fruto de um fazendeiro autoritário que impunha trabalho compulsório aos filhos, Rafael teve uma infância privada de estudos e momentos de laser. Conforme o tempo passa, o menino observa a situação dos pais, decidindo então, com a ajuda de outros parentes, viajar para São Paulo. A mudança traz a oportunidade do estudo e novas perspectivas de vida até o encontro acontecer.
O objetivo da narrativa é inspirar o leitor através da trajetória de Rafael, pautada na força de vontade dele para transpor todo o preconceito que sofreu em São Paulo por ser de origem nordestina, além das dificuldades em se manter numa cidade desconhecida. Gosto em especial das discussões que o narrador levanta com relação a coincidências e destino, criando momentos em que a história dá lugar a grandes reflexões.
Além disso, algumas características peculiares chamam a atenção neste livro, tornando-o uma obra incomum, por assim dizer. Em primeiro lugar, não há diálogos. O foco narrativo é em terceira pessoa, com narrador onisciente, contudo as conversas entre personagens são todas construídas de maneira indireta, apresentadas pelo próprio narrador.
Outro ponto interessante da obra está no nível de realidade dos personagens. Em O Encontro, o autor Evanilton apresenta seus personagens de uma maneira tão realista, que se torna fácil se identificar com as motivações de Rafael. Simpatizamos com sua determinação em seguir em frente independente das adversidades que ele enfrenta a cada capítulo.
Por fim, uma última característica que considero importante levantar aqui é a questão das referências históricas. Tendo como ambientação cidades brasileiras, o livro apresenta várias referências de acontecimentos e comportamentos, tais como a ditadura militar, a cultura autoritária dos anos 60 e 70, o desastre automobilístico que levou ao falecimento de Ayrton Senna, as Copas do Mundo, entre outros. Tudo exposto segundo a ótica de Rafael.

Quanto à edição, o livro está disponível para compra no site do Clube de Autores em versão impressa e E-Pub. No decorrer da leitura, confesso que senti a necessidade de uma nova revisão. Em alguns momentos encontrei palavras em duplicidade e períodos que poderiam ser melhor formulados, mas nada que comprometesse a experiência da leitura. A diagramação é boa, embora a fonte utilizada não seja serifada. Na capa encontramos a foto de uma porteira aberta para uma estrada, que, a meu ver, remete ao caminho que o protagonista tem a seguir rumo à realização de seus sonhos. Posso estar errado, quem sabe? Fiquei bastante satisfeito com a leitura, especialmente pelo teor reflexivo e, de certa forma, até motivacional da narrativa. Leitura recomendada! 


Por Samuel de Andrade
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