.21 de junho de 2017

Mrs. Dalloway - Virgínia Woolf


      Como dito em resenhas anteriores, Virgínia Woolf é um grande nome quando falamos de literatura modernista, intimismo e fluxo de consciência, por isso minha curiosidade acerca de seu trabalho sempre foi grande, porque eu queria conhecer esse estilo inovador e único. Comecei minha incursão pelo livro "errado", Orlando, que traz uma narrativa bem linear e sem muitas diferenças com o que estamos acostumados, mas o livro de hoje define o estilo da autora sendo bem característico. 
Meu primeiro contato com Mrs. Dalloway se deu em 2013 quando assisti ao filme "As Horas". Esse ano pude lê-lo também (o longa é baseado em um livro) e cheguei a conclusão de que preciso relê-lo uma vez que o romance de Michael Cunnigham faz uma espécie de "paródia contemplativa" da obra de Woolf, as referências são imensas e muito interessantes de se analisar. 
Voltando a Mrs. Dalloway, nesse livro vamos conhecer a vida, a mente, os anseios e desejos da personagem-título, Clarissa Dalloway. e de algumas pessoas importantes, ou não em sua vida. Tudo começa em um belo dia no qual a protagonista está organizando uma festa que oferecerá a noite, com isso o tempo cronológico é de apenas um dia, já o psicológico, esse, ultrapassa décadas... 
A estrutura narrativa , no começo, é confusa porque temos vários pensamentos de várias pessoas sem marcações. O foco também muda constantemente sem nenhum aviso como se estivéssemos assistindo a um filme, o que nos faz ter total atenção e não nos deixa largar a leitura, já que não há capítulos dividindo a história. 
Sinceramente, não consegui encontrar grande relevância nesse texto. Admito que para o contexto da época, pós Primeira Guerra Mundial, com certeza, foi uma leitura desafiante e recompensadora, mas para mim, a narrativa teve uma estrutura interessante no começo, que tornou-se enfadonha com o tempo. Não consegui me colocar no contexto das personagens, nem me identifiquei com nenhuma delas, foi uma leitura difícil e não muito gratificante, logo, espero muito que as próximas leituras sejam melhores...

.18 de junho de 2017

Infância - Graciliano Ramos


Até agora, li dois romances de Graciliano Ramos e as características mais marcantes destes são a dureza, a ignorância e a falta de sentimentos nas relações humanas, além da constante injustiça. Mas como seria a vida da pessoa que arquitetou essas histórias? Seria ela isenta desses problemas? 
A resposta para ambas as perguntas é respondida no livro Infância, no qual o autor conta-nos, por meio de suas memórias, como foram os primeiros anos de sua vida até sua adolescência e as experiências vividas nesse período. 
O narrador fala de sua infância de uma maneira muito rancorosa e cheia de mágoas. A todo momento ele deixa claro o quanto sofreu e o quanto foi injustiçado em sua meninice por causa da ignorância e falta de amor e carinho dos pais e outras pessoas marcantes. 
A cada capítulo percebemos quais momentos influenciaram Ramos a criar suas personagens e até mesmo seus enredos, algo muito esclarecedor para quem já leu sua obra. 
Com certeza esse livro é imprescindível para os fãs da escrita desse autor, mas, como dito acima, é uma narrativa árida tanto por parte do narrador quanto das demais personagens e pode ser um desafio pra pessoas que, como eu, têm a família como algo sagrado e muito importante e guarda boas recordações da infância. 

.15 de junho de 2017

O Crime do Padre Amaro - Eça de Queirós


      Não é de hoje que eu tento com Eça de Queirós... Minha primeira incursão por sua narrativa foi há seis anos atrás quando li A Relíquia e abandonei na metade. Só fui lê-lo de novo em 2015 com A Cidade e As Serras, chato, porém, concluído e no ano passado li alguns de seus contos que foram bem mais aprazíveis e O primo Basílio, que me desanimou de novo, mas eu sou brasileira e não desisto nunca! Por isso reuni outros títulos que já tinha do autor e os inclui em minha TBR desse ano. 
Pois bem, começamos com o romance mais polêmico de Eça e até agora o mais interessante e menos enfadonho para mim. O livro narra com uma crítica severa e nada sutil o modo como o clero era visto pela sociedade intelectual da época. 
Amaro, nosso protagonista e anti-herói, era desde a infância uma pessoa sonsa e sem vontade própria, torna-se padre por imposição de uma bem feitora, mas não compreende aqueles com verdadeira vocação, nem os que querem prestígio. Decide pedir a seus bens feitores uma mudança de paróquia porque estava enfastiado da cidadezinha pequena e sem o luxo e conforto que o seduziam, quando criança, na vida dos sacerdotes.
Na nova paróquia, na cidade de Leiria, ele tem contato com toda a podridão da Igreja e como já era uma pessoa naturalmente ambígua e mutável, mutabilidade essa pendente para tudo o que fosse mais "fácil"... Amaro passa a esquecer vários dogmas de sua religião e comete o grande crime eclesiástico: seduz uma moça solteira e torna-se amante da mesma em todos os sentidos da palavra... 
É preciso que fique claro o fato de que Amaro, antes de chegar a nova paróquia, jamais tinha feito nada de "errado", mas não o fazia porque suas ações eram todas mecânicas, a partir do momento que ele tem contato com o mau clero, essas atitudes reprimíveis também tornam-se mecânicas e naturais.
Aqui, mais do que em O primo Basílio vemos o quanto o autor detestava as imposições da Igreja e seus sacerdotes corruptos, mas ele não é tendencioso e há representantes da classe que realmente têm como objetivo de vida "salvar" e confortar as almas humanas. 
Essa foi uma leitura difícil (não por ser chata, mas sim por causa das ações das personagens) e me fez ter uma pequena crise existencial, pois o modo como Amaro trata sua amante e como ele age diante de todas as desgraças que se abatem sobre a moça por causa dele é monstruoso e perturbador. 
Para aqueles que não suportam injustiças... Não recomendo essa leitura, ela vai impactá-los bastante, para os que não se abatem facilmente, leiam e reflitam. 

.12 de junho de 2017

Oliver Twist - Charles Dickens

     Até esse ano, na verdade, até o mês passado, eu ainda não tivera oportunidade de conhecer a narrativa de Dickens, mas após ver um vídeo no canal Tiny Little Things e de ver uma personagem de Anne Rice falando muito bem do autor, fiquei curiosa, pesquisei, sorteei alguns títulos e o primeiro deles foi Oliver Twist. 
Nesse livro vamos acompanhar a "biografia" da personagem-título, um menino órfão na Inglaterra do século XIX que sofre muitas adversidades e injustiças, sendo testado a todo momento pela vida sem nunca perder, contudo, sua inocência e boa índole. 
A narrativa faz um panorama bem crítico e ácido acerca da sociedade da época. Oliver é sempre escurrassado pelas pessoas que se auto-intitulavam as mais "generosas" e é sempre alvo se intrigas e inveja. 
Logo no início do texto, o narrador, figura sagaz e constante, deixa clara sua intenção de descobrir conosco a verdadeira identidade do protagonista. Para aqueles acostumados às narrativas românticas esse final pode ser piegas, mas a forma como ele é construído parece ser uma fórmula pré-estabelecida por essa escola literária. 
Não falei muito a respeito da história em si, porque é importante cada um ler e tirar suas próprias conclusões, porém preciso ressaltar a crítica mordaz do narrador que não é nada sutil e por isso pode tornar-se um pouco cansativa ao longo das mais de quinhentas páginas do romance. 
No mais, Oliver Twist é uma história de superação muito bem contada e arquitetada nos moldes românticos, assim: "Tudo acaba bem quando termina bem". 


.9 de junho de 2017

Pais e Filhos - Ivan Turgêniev



Uma das metas de minha vida é ler uma lista enorme de livros de autores russos que eu adoro, ou que pessoas que admiro adoraram. Não me lembro exatamente como cheguei a Pais e Filhos, não lembro de ter lido ou visto resenhas a respeito dele, só sei que vi o nome russo e pensei: Por que não? E ainda bem que minha curiosidade me traz ótimas experiências as vezes... 

      Publicado em meados do século XIX, esse livro traz uma grande reflexão acerca das diferenças entre a geração "romântica" e a geração "niilista". 
A narrativa começa com um pai, Nicolau Pietrovich Kirsánov, esperando por seu filho, Arcádio. O jovem chega ao interior com um amigo, o estudante de medicina, Eugênio Bazárov, um niilista convicto. 
Chegando a residência dos Kirsánov, Bazárov se torna desafeto do irmão de seu anfitrião, Pável, um gentleman aos moldes românticos, pessoa aristocrática e um pouco fútil, como eram julgados, pelos jovens de então,  todos os partidários do romantismo. 
Em um primeiro momento, Bazárov é um cético, extremamente convicto de suas opiniões, tornando-se um pouco pedante, ríspido e mal-educado até, mas, após conhecer uma jovem e bela viúva, ele apaixona-se, deixando que caiam por terra todas as ideias outrora defendidas, tornando-se até parecido com Pável na juventude, algo que o faz ter um grande conflito interno. 
Todo o romance mostra esse embate entre o pensamento antiquado do início do século e as novas correntes filosóficas do final do mesmo, evidenciado pelas discussões entre pais e filhos e os pensamentos conflituosos desses. 
Agora, falando do narrador... Esse é bem tendencioso... Em vários momentos ele defende claramente o romantismo e desacredita de Bazárov, porém, é possível enxergar também uma certa crítica com relação a essa escola também, apesar de sútil se comparada com a crítica ao niilismo. 
Pais e Filhos foi o romance russo mais curto que li até hoje, entretanto, a leitura parece não "render" muito bem... Você lê, lê e lê e quando vê só avançou dez páginas. Não digo que isso seja ruim, só achei meio estranha a capacidade do autor de mostrar tanto da história em tão pouco espaço. 
No mais, esse livro é muito interessante, mais um livro para sair da zona de conforto e debater a respeito, pois as personagens evidenciam um traço comum a todos nós independente da época que é o eterno embate de gerações e conflitos entre pais e filhos. Para aqueles que nunca se aventuraram por um romance russo, indico começarem por esse, vale a pena. 

PS: um fato curioso é que o termo "niilismo" e suas derivações foi popularizado por esse livro.

.6 de junho de 2017

Vidas Secas - Graciliano Ramos


     Livro narrado em terceira pessoa, conta a história de uma família de retirantes em algum lugar do Nordeste brasileiro fugindo da seca. A família é constituída pelo pai Fabiano, a mãe Sinhá Vitória, os filhos, "o menino mais velho" e "o menino mais novo", a cachorra Baleia e o papagaio, este último morre no começo da viagem servindo de alimento aos outros cinco. 
Após atravessar o Agreste, o grupo chega a uma fazenda na qual Fabiano vai trabalhar como vaqueiro, se esforçando muito e ganhando muito pouco por isso. 
A narrativa é escrita de maneira árida tal como o título. Não há espaço para emotividade ou sentimentalismo. A vida dessas pessoas é dura e seca, pois é apenas isso que o mundo parece lhes oferecer e é só essa realidade que eles conhecem.
As personagens praticamente não falam e se comunicam com grunhidos ou monossílabos, o que já evidencia muito bem a falta de conhecimento e recursos que eles têm, em vários momentos Fabiano pensa ser uma idiotice estudar, porque se o fizesse ficaria ainda mais revoltado com sua situação desfavorável... 
Obviamente, como o esperado de Graciliano Ramos, há muita crítica social nesse livro. Cada capítulo traz uma reflexão acerca do modo como as pessoas no Nordeste parecem não viver, e sim apenas sobreviver. Há patrões abusivos, autoridades despóticas, ignorância, a seca, tudo faz com que a vida deles se torne pior e mais difícil, quase que totalmente sem esperança e no final, essa é a única coisa que ainda consegue mobilizá-los: a esperança de que algum dia, em algum lugar eles possam ter uma vida digna, nada de luxos, apenas e unicamente dignidade. 
Esse livro, se não me falha a memória, ainda é leitura obrigatória da FUVEST e isso é excelente, porque a crítica explicitada por Ramos é muito rica e mostra de maneira ampla e realista os problemas que assolam as pessoas pobres no Brasil, sim, ele tem como exemplo uma família nordestina, mas esse quadro pode ser visto, infelizmente, em qualquer ponto de nosso país: pessoas pobres, tentando sobreviver, sendo tratadas como animais irracionais, não tendo condições de aprender, sendo obrigadas a aceitar tudo o que lhes é imposto, sem nem ao menos poder reclamar, sem nunca perder a esperança, porque sem ela, a vida simplesmente não faria mais sentido. 

.3 de junho de 2017

[FILME] Prometheus



Olá, pessoal! Já tem um tempo que não falo a respeito de séries e filmes por aqui, é que não assisti muitas coisas nos últimos meses, mas na semana passada, por causa do lançamento de Alien Covenant e mais por causa do Samuel mesmo (risos), assisti ao filme Prometheus que é um prequel da franquia Alien porque Covenant começa especificamente (pelo menos foi o que prometeram) logo após o final desse, então, vamos  falar um pouco a respeito. 

Sinceramente, nunca tinha me ligado muito na franquia Alien porque eu não gosto muito de ufologia, não é um assunto que me interesse, e por ser mais puxado para o gênero terror do que ficção científica, nunca assisti, mas Prometheus é bem diferente de tudo isso e apesar de ter uns problemas um pouco gritantes no roteiro, é legal e me fez querer uma continuação. 
Nesse filme, vamos acompanhar a tripulação da nave que dá nome ao filme, os arqueólogos Elizabeth e Charlie encontram no ano de 2089 evidências de que a raça humana foi criada por outra raça que eles chamam de "Engenheiros" e a Prometheus financiada por uma grande corporação vai até o planeta onde eles acreditam ser a "casa" dessa raça superior para conhecê-la e tentar desvendar os mistérios da vida. 

Se você pudesse falar com o criador da humanidade, o que você faria? 

Todo o filme gira em torno da chegada da nave ao planeta e dos problemas que isso acarreta aos tripulantes, uma vez que o local onde chegaram não é exatamente um planeta dos Engenheiros e sim uma espécie de laboratório onde eles realizavam experiências com outras criaturas e é ai que surge a figura do Alien... 
Para quem conhece a franquia, a origem dessa personagem é mostrada em uma sequência incrível, sério mesmo, nojenta, mas muito legal! Tirando isso, o longa peca pela falta de coerência e motivação das demais personagens, o que nos deixa um pouco perdidos e desinteressados, só que eu sou curiosa, quero saber a origem da raça humana!!
Então é isso, gente, ainda não assisti Covenant, não sei o que esperar dele, mas caso conheçam ou gostem da franquia Alien me digam nos comentários se os filmes valeram a pena, ou mesmo se vocês leram o livro, sabiam que tem um livro dessa história? 

© LIVRE LENDO - 2016 | Todos os direitos reservados. | Blog de Andrea Morais | Tecnologia do Blogger