.21 de fevereiro de 2018

[FILME] Festa no Céu

No mês de outubro de 2014 chegava aos cinemas The Book of Life ou, como ficou aqui no Brasil, Festa no Céu, um filme muito fofo e lindo sobre amizade, amor, honestidade, sonhos e, pasmem: a morte. 


Quando de sua estreia, não pude assistir a produção e acabei me esquecendo dela com o passar do tempo, mas, do nada, nesse mês decidi assisti-la e fiquei completamente encantada! 
A história começa com um grupo de crianças problemáticas indo visitar um museu. Elas são levadas, por uma guia belíssima, a uma ala dedicada exclusivamente ao México, sendo bem colorida e, claro, cheia de caveiras. 
La Muerte
Xibalba
Lá, ela lhes mostra O Livro da Vida e conta uma das histórias
contidas nele na qual La Muerte, senhora no Mundo dos Lembrados, faz uma aposta com o trapaceiro senhor do Mundo dos Esquecidos, Xibalba. Se ganhar, ela continua governando seu mundo, se perder, vai direto e reto para o tenebroso e cinzento mundo do outro... 
Assim, conhecemos os amigos Maria, Manolo e Joaquim e sua bela cidade de San Angel. Os meninos são apaixonados pela amiga, mas ela está mais interessada em ser livre e ajudar a todos, não gostando do clima de disputa entre os dois. Mas, por que eles entram na história? 
Ora, porque a aposta entre La Muerte e Xibalda é justamente de quem vai se casar com Maria. 
O problema é que o trapaceiro acaba dando um jeito de matar Manolo que agora terá de ultrapassar vários obstáculos para, quem sabe, ter a chance de voltar a vida. 
Adorei cada elemento desse filme! As cores são belíssimas, a história é leve, mas, ao mesmo tempo, muito inspiradora, você termina de assistir com um sorriso no rosto. Há também uma trilha sonora lindam ou seja, é uma produção incrível, cheia de cultura e muito divertida, recomendo demais que vocês assistam! 



Curiosidades

  • A história tem vários elementos da cultura maia; 
  • Guilhermo Del Toro (O Labirinto do Fauno) é um dos produtores do filme;
  • O clímax acontece durante O Dia dos Mortos, uma das datas comemorativas mais importantes do México; 

.18 de fevereiro de 2018

O Misantropo - Molière

Mais uma incursão literária às escuras. O Misantropo mostrou-se uma surpresa desde o começo tanto por sua estrutura quando por seu enredo. 


Este livro é escrito em formato de peça teatral aos moldes do século XVII, ou seja, em versos. Preciso dizer que não tenho muita intimidade com esse padrão, logo, foi difícil engatar essa leitura, mas rapidamente  me envolvi com o texto crítico, ágil e irônico de Molière
A história gira em torno do protagonista Alceste, um homem considerado pela sociedade parisiense como rude, abrupto e um tanto quanto mal-educado. No primeiro diálogo, vemos uma conversa entre ele e o personagem Philinte que tenta convencê-lo  a mudar sua atitude, porém o outro é irredutível. 
Como prova de sua total falta de tato, ou melhor, falta de paciência com as convenções sociais, Alceste acaba brigando com Oronte, um aspirante a poeta, que ficou ofendido com a sinceridade do protagonista ao criticar um de seus poemas. 
O misantropo detesta a humanidade e execra suas atitudes, contudo é apaixonado por Célimène, uma jovem muito popular na corte e grande anfitriã, algo extremamente enervante para Alceste que briga com a moça o tempo todo e tenta obrigá-la a mudar seu jeito, no entanto, ela é irredutível e não entende o jeito do pretendente. 
O mais absurdo é que o misantropo se acha tão superior aos demais que não percebe sua própria mediocridade e acaba se metendo em situações bem comprometedoras e engraçadas. 
O autor critica de maneira nada sutil o estilo de vida da corte parisiense do lado do sentido comum e dos "intelectuais" também gerando cenas divertidas e ao mesmo tempo reflexivas. 
Como dito no início desta resenha me surpreendia coma versificação que pode ser, em um primeiro momento, um obstáculo para quem não está acostumado, mas após ultrapassá-lo você será recompensado com excelentes discursos e diálogos muito bem construídos. 

.15 de fevereiro de 2018

Beltane - Simone O. Marques

No ano passado, estava eu no mercado, mais precisamente, na fila do caixa, quando vi um livro com nome bem sugestivo: Beltane - Saga As Filhas de Dana - Livro 3, na hora, fiquei tão envolvida pela capa, título e sinopse que nem percebi ser este o final de uma trilogia! Mas mesmo assim realizei a leitura, se quiser saber como foi essa experiência, continue lendo. 


O ano é 1697, Daniele e seu marido Antônio fogem mais uma vez por causa do preconceito e da perseguição religiosa. Ela, uma pagã, filha da deusa Dana, belíssima, forte e independente em uma época na qual isso era impensável para uma mulher, foi alvo do ódio e inveja de uma vizinha e foi obrigada a abandonar seu lar, deixando sua filhinha Teresa para trás. 
O casal não abandona a filha, a deixam sob a proteção de seus patrões, o casal Dias, pois estamos falando do Brasil durante o século XVII, viajar pelas estradas e, ainda mais, sem destino certo era extremamente perigoso, além disso a Deusa avisa Daniele de que ela e a filha têm uma grande missão a cumprir, porém em caminhos separados. 
Teresa cresce e se torna uma moça muito bela e um ótimo "partido", no entanto a jovem não é feliz, pois a senhora que a criou está a à beira da morte, nunca mais viu os pais e para piorar  o filho de seus protetores, um rapaz desagradável, quer desposá-la, ou violá-la a todo custo... 
Nesse primeiro momento da história somos apresentados a triste realidade do Brasil daquele período: escravidão de negros e indígenas, fanatismo religioso, misoginia... Enfim, é bem revoltante acompanhar a dura vida dessas mulheres, mas, como a narradora sempre enfatiza, uma filha de Dana aceita seu destino com bravura e confiança. 
A história dá um salto nos levando para São Paulo, em 1918. Adelaide é uma jovem muito bela, muito meiga e bondosa, contudo essas qualidades só lhe trouxeram tristezas e decepção, acusada pelo próprio pai de ser bruxa, é enclausurada em uma Casa de Misericórdia comandada por freiras impiedosas que a odeiam, pois acreditam mesmo que a moça é uma bruxa, apenas porque esta fala com as plantas e animais. 
Surge então a figura de padre Giovani, um jovem e intelectual italiano que lutou na guerra e já não consegue mais crer em sua religião e apaixona-se por Adelaide....
Como dito, anteriormente, essas mulheres sofrem muito em suas vidas, porém nunca perdem a esperança e vontade de viver. Gostei dessa leitura, há alguns problemas de revisão sim e algumas poucas incongruências históricas, mas Beltane é um livro muito bonito e sintetiza a energia desse festival celta em toda sua essência, não senti necessidade de ler os títulos anteriores e achei que esse foi bem redondo tendo um começo, meio e fim muito bem construídos. Recomendo muito a leitura! 


.12 de fevereiro de 2018

[EXPOSIÇÃO] RA-TIM-BUM, O Castelo


Finalmente, após um ano de espera, consegui ir a incrível e surpreendente exposição Rá-Tim-Bum, O Castelo! Antes de mais nada, preciso agradecer ao meu amigo Valério que me convidou para ir, se ele não tivesse falado, eu teria perdido de novo essa oportunidade. Obrigada, Valério!!


Se você foi criança entre o final da década de 90 e começo dos anos 2000 com certeza era um expectador assíduo da programação infantil da Tv Cultura, sendo uma das mais legais, para mim, O Castelo Rá-Tim-Bum.
Originalmente, a atração ficou no ar entre 1994 e 1997 e simbolizou um marco entre os programas infantis, visto que promovia educação de maneira bem lúdica, mas sem deixar de lado o divertimento das crianças, sendo bem equilibrada nesses aspectos.


A Exposição recria com muita fidelidade todos os ambientes do castelo e conta como foi o processo de criação do programa, trazendo todas as suas cores vibrantes e vivacidade.
A interação com os ambientes é muito dinâmica e nostálgica. Cada um deles tem vários objetos, móveis e até mesmo personagens usados originalmente na produção, o que foi muito interessante de saber.
Outro ponto incrível e surpreendente foi o tamanho da exposição, passamos exatamente uma hora e quarenta e cinco minutos por lá, vimos tudo, lemos tudo e eu até entrei em um lugar errado no qual estavam concertando alguns objetos animados.
Adorei de verdade cada momento passado lá, lembrei-me daquela fase boa da infância, dos episódios, de como esse programa incentivou minha criatividade e me deixava feliz mesmo quando estava completamente sozinha em casa.
Além de tudo isso, pude conhecer o Memorial da América Latina, local que eu nunca tinha ido e tinha muita curiosidade e agora já fui e já sei andar por mais um trecho de São Paulo, fiquei orgulhosa de mim. =)





Infelizmente, aqui em Sampa, a expo terminou no dia 04, mas você pode entrar no site oficial para saber em quais outros lugares ela estará e quando. Então é isso, gente, espero que vocês também possam ver Ra-Tim-Bum, O Castelo e seria bem legal se vocês deixassem nos comentários mais dicas culturais. Eu vou adorar!


.9 de fevereiro de 2018

Vertigo (Um Corpo que Cai) - Boileau-Narcejac

Sabe quando os críticos questionam as traduções de títulos de filmes e livros? Geralmente, a gente não dá a mínima, né? Pelo menos eu não dava até ler esse livro. 


Vertigo ou Um Corpo que Cai foi o livro responsável por dar origem ao famoso filme homônimo do mestre do suspense Alfred Hitchcock. Pelo título e pelas sinopses, imaginamos ser esta uma história em torno apenas da morte de alguém que supostamente caiu de algum lugar e é mais ou menos isso... 
A narrativa começa com o diálogo entre Paul Gévigne e Roger Flavièrs, ambos conheceram-se na faculdade de Direito, porém trilharam caminhos muito diferentes: o primeiro tornou-se um rico empresário e o segundo, nosso protagonista, trabalhou como investigador na polícia, e após sofrer um trauma, por causa de seu medo de altura, voltou a advogar. 
Paul procura Roger para propor que ele siga sua esposa, Madeleine, não por desconfiar dela, mas sim poque esta desenvolveu um comportamento muito estranho, cada dia se assemelhando mais e mais com a bisavó suicida. 
Desde esse primeiro diálogo já percebemos que Flavièrs mutre uma inveja muito grande contra Gévigne, aumentada quando ele começa a seguir a esposa do outro e apaixona-se perdidamente por ela. 
Os dias passam e após salvar Madeleine de uma tentativa de suicídio por afogamento, Flavièrs torna-seu amigo, tornando sua tarefa mais fácil, prazerosa, porém não menos perturbadora. 
A medida que o tempo avança, descobrimos muitas "coincidências" bizarras entre a história contada por Gévigne sobre a bisavó da esposa e o comportamento que Flavièrs presencia ao seu lado. É nesse ponto que o livro parece tender para algo sobrenatural, contudo, Madeleine tenta mais uma vez tirar a própria vida e consegue, o que nos deixa um pouco à deriva. 
Depois de alguns anos na África a fim de esquecer o ocorrido e escapar da Segunda Guerra Mundial, Flavièrs volta para a França e lá descobre que Paul morreu logo depois da esposa. Arrasado e sentindo-se culpado, nosso protagonista decide ir para o interior e nessa viagem encontra uma mulher exatamente igual a Madeleine! 
Mais uma vez, voltamos aos questionamentos de outrora: ela reviveu? Seria algum tipo de criatura sobrenatural? Estava possuída? Ou tudo não passa de uma ilusão criada por Flavièrs? Ficou curioso? leia o livro e surpreenda-se com o final dessa história. 

Essa obra me ganhou por causa da genialidade disfarçadas de trivial com a qual os autores desenvolveram o enredo, além da edição muito bonita, a única divergência mesmo é entre conteúdo e título que não estão muito bem conectados, mas tirando isso Vertigo é um ótimo exemplo de que é possível sim contar uma história bem construída e envolvente em um livro único e com menos de duzentas páginas, "proeza" quase impossível nos dias hoje, aparentemente... 


.6 de fevereiro de 2018

Concluindo a série "As Crônicas Lunares" de Marissa Meyer

Em setembro do ano passado, comecei a leitura de As Crônicas Lunares e caso você queira saber minha opinião sobre os livros anteriores, clique aqui


Winter, como já esperado, traçará uma intertextualidade com a história de Branca de Neve e os Sete Anões. A narrativa começa exatamente de onde Cress terminou: príncipe Kaito sequestrado pelas protagonistas, Scarlet capturada pelos lunares e Levana retornando a Luna. 
Winter é a enteada da rainha, considerada "a mais bela de todas", a moça tem o amor e a lealdade do povo apesar de seus distúrbios mentais causados pelo não uso de sua capacidade da manipular mentes, algo que deixa a madrasta com muita raiva e inveja. 
Enquanto isso, Cinder, Cress, Thorne, Kaito e Iko tentam criar um plano para invadir Luna e destronar Levana, acabando com seu reinado de tirania e crueldade. 
Esse livro, tal qual seus antecessores, vai sim ter muito romance adolescente desnecessário, mas, pelo menos, a intertextualidade diante das ações dos contos de fadas originais ficou muito interessante, bem construída e coerente com toda a mitologia criada pela autora. 
Mas, eu gostei dessa leitura? Até que sim... Só acho que essa história não precisava de 688 páginas para concluir essa série, logo, a indicação prevalece para quem gosta de young adults, releituras de contos de fadas e um pouco de ficção científica, mas esse é um livro extenso, então, prepare sua paciência...

.3 de fevereiro de 2018

Madame Bovary - Gustave Flaubert

"Antes de casar, ela julgara ter amor; mas como a felicidade que deveria ter resultado daquele amor não viera, ela deveria ter-se enganado, pensava."


     Há uns bons oito anos atrás, li pela primeira vez a obra-prima de Flaubert e confesso não ter absorvido muito do texto na época, percebi isso por causa dessa releitura feita com o Samuel  (ele não tinha lido ainda) ao longo do mês de Janeiro. É incrível, mas eu não lembrava de todas as nuances da protagonista e de todo questionamento reflexivo inerente a mesma.
      A história de Emma Bovary é alvo de críticas e discussões desde sua publicação em 1856, quando o autor foi levado a juri por "atentar contra a moral e os bons costumes". Por sorte, Flaubert foi inocentado e seu livro, por causa do ocorrido, ganhou um status ainda maior, sendo a única obra famosa e rentável do autor.
     O romance começa apresentando o jovem Charles Bovary, desde o começo mostrando-se muito tímido e medíocre, ele inicia seus estudos com o objetivo, imposto pela mãe, de tornar-se médico, consegue apenas o título de agente de saúde. Após ficar viúvo, decide casar-se com a jovem e bela Emma Rouault, filha de um modesto dono de uma quinta.


      Depois do casamento, nós e o narrador passamos a acompanhar os pensamentos e ações da esposa do médico e percebemos que nem tudo são flores após o "E viveram felizes para sempre" tão típico das narrativas românticas em voga.
     Emma Bovary é ingênua e extremamente deslumbrada, contudo, ela não admite isso e sempre acredita ser superior ao marido e a todo tempo o recrimina por sua mediocridade que acaba sendo dela também, afinal, uma mulher do século XIX não podia ter nenhuma ambição além da do marido, logo, marido medíocre, esposa medíocre. Esse fato deixa nossa protagonista muito enervada e desesperada, a desilusão após o matrimônio é tão grande que ela se arrepende do enlace a todo momento. 

"O que a exasperava era que Charles não parecia suspeitar de seu suplício. Sua convicção de que a fazia feliz, parecia-lhe um insulto imbecil e sua segurança nesse ponto parecia-lhe ingratidão." 


     Charles, fazendo jus a sua condição, não percebe nada e está sempre feliz e conformado deixando a esposa cada vez mais infeliz e por causa disso, de seu deslumbramento e egoísmo, ela começa a ter casos extraconjugais e a gastar desenfreadamente a parca renda de sua família. 
    Muitos estudos já foram feitos a respeito de Madame Bovary e o primeiro deles, a análise que o levou a julgamento, critica demais o comportamento do narrador frente as ações da protagonista. A acusação pensava ser inadmissível que uma mulher tivesse controle sob sua vida, escolhesse os amantes, comandasse a casa, escolhesse o próprio fim e ainda continuasse a ser amada pelo marido. No entanto, essa condição tão "absurda" para uma mulher está muito presente na grande maioria dos romances românticos da época, na figura dos homens, o que já causa ao leitor atual um certo compadecimento diante da madame.


     Confesso não simpatizar nem um pouco com as atitudes e pensamentos de Emma. Ela é extremamente volúvel, egoísta, arrogante, ignorante e frívola, características que não tenho em alta conta, porém se analisarmos sua situação sob o ponto de vista do Feminismo, constatamos o quão desigual era sua situação e que se ela fosse um homem, com certeza, teria terminado sua história casando de novo com uma mocinha jovem e rica e cometeria todos os erros mais uma vez... Ou seja, o grande crime de Emma foi ter todas essas características detestáveis e correr todos os riscos por causa delas sendo uma mulher, portanto, caso tenha lido ou vá realizar essa leitura já com um certo pré-conceito contra a protagonista pense nisso, avalie o papel da mulher hoje, o papel da mulher naquela época e se você se sente ou sentiria confortável e realizada dentro dele. 

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