.18 de setembro de 2017

[FILME] - O Nome da Rosa


Há tempos queria conhecer essa história, mas nunca tinha oportunidade de assisti-la e muito menos de lê-la, até que em um domingo preguiçoso, Samuel e eu decidimos nos aventurar nesse enredo. 
Acredito que a maioria saiba do fato deste filme tratar de uma adaptação do livro homônimo do já falecido Umberto Eco
O longa se passa no interior da Itália medieval, mais precisamente, em um mosteiro que é também a maior biblioteca da cristandade. William de Baskerville e seu pupilo Adso vão até lá por causa de um concílio realizado entre sua ordem (franciscanos) e os representantes do Vaticano. Percebemos haver uma rixa de todos contra essa ordem mendicante, pois estes querem uma Igreja verdadeiramente devota e humilde algo totalmente contra os próprios interesses dos líderes da mesma, além da questão do humor e riso sendo vistos como algo normal para os primeiros e um pecado terrível para todos os outros... 
O cenário já não era favorável a nossos amigos e uma série de mortes misteriosas, ou seriam assassinatos? Faz com que William e Adso comecem uma investigação que revelará o quão podre era a vida em um mosteiro medieval...
Como dito acima, esse filme faz uma reconstituição de época fiel, até mesmo fiel demais ao período (o que pode incomodar um pouco aos de estômago mais sensível), ademais as referências a Sherlock Holmes são também muito interessantes de se acompanhar e o desfecho é surpreendente e dá margem para muitas interpretações sobre o porquê de "O nome da Rosa"... 
Logo, se você gosta de histórias ambientadas na Europa do século XIII e narrativas policiais com certeza vai adorar esse filme e consequentemente o livro que pretendo ler em breve também. =) 

.15 de setembro de 2017

A pequena Dorrit - Charles Dickens


    Romance lançado, primeiramente, em folhetim e publicado como livro em 1857. Mais uma vez, temos uma obra dickeniana de teor autobiográfico e crítico. 
    A narrativa começa com Arthur Clennan voltando para casa, em Londres, após a morte do pai no exterior. Ele não tem uma boa relação com a mãe porque esta sempre o tratou muito mal e o fato de, na hora da morte, seu pai ter frisado que tinha arrependimentos, o deixa desconfiado e querendo respostas. 
   Ainda nos primeiros dias, Arthur conhece a jovem Amy Dorrit e fica deveras intrigado com a relação amável entre a moça e sua mãe e resolve segui-la para saber mais a seu respeito. Por causa da perseguição, ele descobre que Amy mora em uma penitenciária, na verdade, ela nasceu e foi criada lá, pois seu pai foi preso há muitos anos e nunca conseguiu pagar suas dívidas. 
    Essa descoberta faz com que os dois se aproximem e Clennan resolve ajudar a moça de todas as maneiras possíveis, mas ao mesmo tempo que faz isso um grande golpe do destino pode ser capaz de arruinar sua vida, ou não... 
    O romance traz uma crítica bem ácida a situação das pessoas que ficavam sob a custódia do Estado por não pagarem suas dívidas, pois, presas, como poderiam quitá-las?! Ademais, o próprio Dickens passou pela mesma situação da pequena Dorrit, tendo de trabalhar para ajudar no sustento da família, morando em uma prisão por muitos anos. 
   Outra crítica digna de nota é o modo como as personagens mudam drasticamente, para pior, por causa de algumas mudanças econômicas em suas vidas, menos a pequena Amy, esta, nossa protagonista romântica, continua "perfeita". 
    Sinceramente. não sei se estou gostando mesmo do estilo de Dickens... Suas críticas sociais são ótimas e nos dão um panorama incrível do século XIX, entretanto, as excessivas descrições me deixaram bem enfadada, ou seja, talvez, para aqueles que não gostam muito disso, seja válido assistir primeiro à série da BBC e se gostar, embarcar nessa leitura. 

.12 de setembro de 2017

A Terra dos Meninos Pelados - Graciliano Ramos


Olá, pessoal! Hoje vamos falar sobre mais um livro infantil de "mestre Graça", dessa vez, o arauto da valorização da diversidade: A terra dos meninos pelados
Publicada em 1939, essa novela conta a história do menino Raimundo que é careca e tem um olho azul e outro castanho, por causa disso, ele sofre com o preconceito das crianças de seu bairro que não o incluem em suas brincadeiras por ele ser diferente. A solidão faz com que nosso protagonista invente um lugar especial onde todos têm as mesmas características que as dele e são felizes assim. 
Um dia, tentando isolar-se por causa das perseguições e insultos, Raimundo "chega" a Terra dos Meninos Pelados, mas percebe que nem sempre ser "igual" é bom e que ninguém deve obrigar ninguém a obedecer determinados padrões, não importam os motivos. 
Essa obra, por ser infantil, aborda o tema diversidade e preconceito de maneira singela e lúdica, algo que gostei muito. Além disso, minha edição da Record traz um glossário bem interessante e informações sobre o autor e contexto da obra, dois pontos bem importantes para melhorar a experiência de leitura dos pequenos. Achei muito válido e com certeza educadores e pais deveriam ler esse livro para discutir o tema com as crianças. 

.3 de setembro de 2017

[FILME] - Entre os Muros da Escola


      Olá, pessoal! Depois de alguns dias pensando e analisando, decidi voltar ao blog, não sei se farei postagens com a frequência dos meses anteriores, mas prometo tentar não sumir! Ao longo desses anos, quase desisti desse projeto várias vezes e cheguei a postar apenas cinco textos em um ano, mas não quero fazer isso novamente, então, para começar esse pequeno retorno, vamos falar a respeito de uma obra que retrata bem a realidade da profissão que escolhi para minha vida...
Entre os Muros da Escola, lançado em 2008, vencedor de várias premiações, mostra o cotidiano conflituoso de uma escola pública da periferia de Paris. 
     O filme começa com uma reunião pedagógica de início de ano na qual a equipe da escola se apresenta e mostra aos novos colegas quais são os alunos "problemáticos" e como tudo funciona por lá. Na segunda cena, somos apresentados ao professor de Francês, François, que tem sérios problemas com sua turma de alunos indisciplinados e debochados, sem muito conhecimento da língua, pois a maioria é imigrante de regiões como o Norte da África, Oriente Médio e ilhas gerenciadas pela França, apesar de estarem nesse país estrangeiro e precisarem aprender para integrar-se ao meio, eles não têm muito interesse no que os professores explicam e estão sempre tentando subverter as aulas. 
     Eles questionam muito tudo o que François ensina, dizendo ser retrógrado, difícil e este não consegue cativar a turma, até tenta fazer atividades lúdicas, tenta entendê-los, porém, a resistência dos jovens é grande. Muitos profissionais dessa escola até gostam da profissão e querem fazer o seu melhor, o problema é que a pluralidade de culturas e etnias, uma realidade nova e diferente, parece tê-los pego de surpresa e essa equipe não está preparada para lidar com toda essa novidade, não conseguindo alcançar os alunos e integrá-los a rotina escolar. 
     Há um momento no qual François perde a paciência por causa da constante saraivada de perguntas irrelevantes de sua turma, causando uma situação com consequências bem desagradáveis e aparentemente irreparáveis... 
     Essa é uma produção que considero fundamental para qualquer professor, ou qualquer um que queira entrar nessa profissão, pois tudo é muito realista e semelhante ao que tenho visto ao longo desses anos como educadora em nosso país, algo que me surpreendeu bastante porque acreditava ser a França bem diferente quando se fala de educação. Preciso confessar que os alunos me deixaram muito revoltada, acho que, se fosse eu, teria desistido da turma e entregado as aulas, mas cada um sabe até onde consegue suportar adolescentes pedantes e desinteressados...
     Uma informação bem interessante é que esse roteiro é baseado em um livro homônimo escrito pelo ator que interpreta o professor François e praticamente todo o elenco é composto por não-atores, achei isso incrível! 
     Enfim, esse é um filme muito bom e bem revoltante, mas que te faz pensar e avaliar sua conduta, ajudando até mesmo a criar novas estratégias de ensino caso seja professor como eu. 

.24 de agosto de 2017

Dando um tempo no blog...

Oi, gente... 
No ano passado tive vários problemas pessoais que não comentei com ninguém além de amigos que realmente confio, mas hoje aconteceu algo que talvez mude tudo aquilo que eu acreditava na minha vida e estou totalmente desestabilizada, então, decidi dar um tempo de redes sociais, dar um tempo de absolutamente tudo porque não sei muito bem como lidar com essa situação que tirou o meu chão de um modo bem repentino. Pode ser que eu esteja exagerando, mas não sei, logo, vou dar um tempo de tudo, quem sabe daqui um tempo eu volte. 
Obrigada por tudo! 

.21 de agosto de 2017

Cem Anos de Solidão - Gabriel García Márquez


Meu primeiro contato com o venezuelano Gabriel García Márquez nem foi através de sua escrita, e sim pelo filme "O Amor nos Tempos do Cólera", muitos anos depois, pude lê-lo  e fiquei encantada com o estilo desse autor, tão característico e inovador. 
Diferente desse, Cem Anos de Solidão traz o realismo-fantástico muito mais evidente e absurdo. Durante a leitura me lembrei muito de Terra Sonâmbula de Mia Couto (minha primeira e frustrada incursão por esse gênero), mas a diferença entre a escrita de Couto e de Márquez é que, na segunda, temos muito humor e os absurdos, por mais situações difíceis que acarretam, ainda é leve e não nos deixa mal, ou deprimidos. 
Essa narrativa acompanha a trajetória dos Buendía pelo período de cem anos. Tudo começa com um assassinato que obriga o casal José Arcádio e Úrsula a sair do povoado onde moravam, fundando um novo: a cidade fictícia de Macondo


Durante esse um século de história, todos os descendentes deles possuem os mesmos nomes, características e destinos, algo já marcante no realismo-fantástico, porém as situações vivenciadas são tão diferentes e fora do normal que a questão familiar meio que se torna "comum". 
Há uma espécie de "maldição" marcando as vidas dos Buendía, visto que estes têm uma grande tendência ao incesto, sendo, talvez, uma das causas da recorrente solidão que abala essas pessoas. A impressão é de que eles não conseguem, ou não sabem amar, não têm um verdadeiro instinto de preservação, como se todos estivessem sozinhos no mundo e a única coisa a uni-los é a casa da família. 
Outro ponto que preciso ressaltar é a personalidade da matriarca: Úrsula Iguarán-Buendía. Que mulher, minha gente! Ela vive durante mais de cem anos e tenta de todas as menineiras modificar o destino dos seus, mas não obtém sucesso, pois já estão todos "marcados". 
Essa leitura foi um pouco desafiadora porque são muitas personagens com os mesmos nomes e características e são muitos anos de história, o que pode ficar confuso e um pouco cansativo, mas, como já disse, a escrita de Márquez é leve, bem humorada e muito divertida, além de absurda, tornando assim, muito gratificante a experiência, então, se você gosta de realismo-fantástico e relatos de família, com certeza, vai adorar Cem Anos de Solidão!  

Árvore Genealógica dos Buendía

.18 de agosto de 2017

[FILME] No Mundo de 2020


    Há uns dois anos mais ou menos vi no extinto programa Bloco X do canal OmeleTV uma lista muito interessante com filmes que tinham uma temática distópica ou pós-apocalíptica e uma das produções indicadas lá foi Soylent Green, ou, em português, No Mundo de 2020.
    Baseado no livro Make Room! Make Room! O longa lançado em 1973 mostra a vida de algumas pessoas no ano de 2022 e como tudo está ainda mais difícil apesar dos avanços tecnológicos. A história se passa na cidade de Nova Iorque e acompanha o detetive Thorn na investigação de um caso curioso: um dos grandes executivos da empresa alimentícia "Soylet Green" é assassinado de maneira extremamente brutal e nada foi roubado de seu apartamento luxuoso, algo que deixa o investigador muito intrigado e ele decide analisar esse caso com particular atenção, pois o restante da corporação foi paga para "abafar" o ocorrido, o porquê disso? Só assistindo para saber e se horrorizar... 
    Durante a investigação, descobrimos que essa sociedade "futurista" passa por problemas climáticos terríveis, comida natural só é consumida pelas pessoas mais ricas e estas vivem em apartamentos caros tendo mulheres, repito, mulheres, seres humanos, como parte da "mobília", ou seja, o ricaço aluga uma casa e lá encontrará uma moça muito bonita pronta para satisfazer todas as suas vontades, tudo isso incluso no contrato de aluguel, quando o inquilino vai embora, a moça fica e recepciona o próximo, eu sei, um absurdo! 
    Outro problema bem impactante é o modo como os pobres são tratados: há uma cena na qual as vemos tentando comprar o Soylent Green - que é uma espécie de bolacha "nutritiva" único alimento que essas pessoas tem dinheiro para comprar - e o produto acaba sem atendê-las e elas se revoltam, a polícia então aparece com caminhões de recolhimento de lixo, ou entulho e as levam! Eles simplesmente pegam as pessoas como se fossem lixo e as jogam sem dó nem piedade na caçamba dos caminhões e as mandam não se sabe para onde, ou seja, Direitos Humanos? Em 2022 não existem nem nas grandes metrópoles. 
    Vemos todos esses absurdos e percebemos como as coisas que para nós, hoje, são insignificantes, como um banho quente ou mesmo uma colher de geleia de morango podem se tornar, após catástrofes e mais catástrofes, muito valiosas, ou inexistentes... 
    Essa produção é bem curta, tem um pouco mais de uma hora, porém, é extremamente importante para quem gosta do gênero e também para aqueles que gostam de discutir os possíveis e terríveis futuros que a humanidade pode ter se não mudar e, claro, sempre analisando para tentar melhorar e modificar isso de alguma forma porque se não fizermos nada, nosso futuro será bem desesperador... 
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