.15 de agosto de 2017

Trilogia Reckless - livros 1 e 2


Olá, pessoal! Gostei desse negócio de fazer postagens dos dois primeiros livros de uma trilogia! Na anterior, não tenho muita certeza de que lerei o último volume... mas essa? Nossa, foi difícil não correr na livraria e comprar o desfecho dessa história tão incrível e bem escrita! Antes de começar a leitura, se você ainda não leu o livro 1 ou o 2, melhor não ler essa resenha até o fim para evitar possíveis spoilers... 

Em A maldição da Pedra, primeiro livro da série, conhecemos os irmãos Reckless: Jacob e Will em um momento muito complicado de suas vidas, pois o pai deles sumiu sem deixar rastros, fazendo com que a família fosse completamente arrasada. Um ano após o acontecido, Jacob, o mais velho, vai mais uma vez ao escritório do pai em busca de alguma informação, quando analisa um espelho que sempre estava ali, mas nunca chamara sua atenção e descobre ser esse uma passagem secreta para um outro mundo...
Muitos anos se passam e Jacob, agora um homem adulto e caçador de tesouros, passa mais tempo em "O Mundo do Espelho" do que no nosso, despertando a curiosidade de seu irmão Will, fazendo com que este o siga e atravesse o espelho, só que isso acaba muito mal porque o mundo encantado está vivenciando uma guerra entre humanos e uma raça de homens de pedra, os Goyls, e Will é acometido pela "maldição da pedra", feitiço criado por uma fada, que nesse mundo é praticamente o que nós acreditamos serem os deuses, para subjugar os humanos e garantir a vitória dos homens de pedra e o pior de tudo é que apenas ela, a Fada Escura, pode desfazer esse encanto, deixando a vida de Jacob e seu irmão ainda mais desesperadora...
Esse romance é muito bem escrito! A autora subverte de maneira muito criativa várias das criaturas e histórias de contos de fadas conhecidos por nós, o que é muito instigante ao longo de toda a leitura, além disso a crítica social encontrada nessa narrativa é muito inteligente e as metáforas com os problemas de nosso mundo real seriam sutis para as crianças, público-alvo original da obra, mas para nós, adultos, são muito mais evidentes e reflexivas. 

O segundo livro, Sombras Vivas, nos traz mais uma busca desesperada, agora de Jacob por sua vida... No volume anterior, o herói fora enganado pela irmã da Fada Escura, sua ex-amante, a Fada Vermelha, e está amaldiçoado, ele já tentou de tudo para conseguir salvar-se sem nenhum sucesso até que descobre uma última alternativa: um artefato mágico do possível progenitor de todos os reinos humanos de O Mundo Atrás do espelho, a balestra de O Matador de Bruxas, mas além de precisar procurar pelo objeto considerado há séculos apenas uma lenda, ele ainda terá de concorrer com outro caçador de tesouros, sua morte cada vez mais eminente e o perigo de perder sua melhor amiga e possível amor de sua vida, Fux, uma mulher-raposa. 
Mais uma vez, a narrativa foi recheada de metáforas e intertextualidades, mostrando mais precisamente do que na obra anterior,como os governantes do mundo encantado são déspotas e só querem saber de poder e vingança, tornando a vida da população muito mais miserável do que já é com a tecnologia semelhante a dos séculos XVIII e XIX. Adorei essa leitura ainda mais do que a primeira e como dito no começo do post, foi muito difícil não comprar o último volume e conhecer logo o desfecho dessa história, porque o epílogo de Sombras Vivas foi muito, muito intrigante e promete demais! 

Então é isso, gente, finalmente, esse ano consegui ler uma série que me deixou verdadeiramente envolvida e cativada! Detalhe que ela não é young adult, ou new adult, e sim literatura infanto-juvenil, mas, pretendo continuar buscando exemplares agradáveis desses outros dois gêneros e espero ter boas experiências com eles. =)


.12 de agosto de 2017

Caetés - Graciliano Ramos



Publicado em 1933, Caetés é o romance de estreia de Graciliano Ramos e conta, em primeira pessoa, a história de João Valério, um rapaz que trabalha no comércio do velho Adrião e é apaixonado por Luísa, a esposa deste. 
A obra mostra um panorama de uma cidade pacata do nordeste brasileiro e fala a respeito das pessoas que vivem ali: alcoviteiras, boêmios, desocupados, trabalhadores, carolas, espíritas, enfim, são muitas pessoas distintas ligadas pelos mesmos costumes. 
Para Valério, nenhuma dessas pessoas presta a não ser Luísa, sua "grande paixão". Após uma viagem do patrão, o narrador consegue conquistar a moça  eles tornam-se amantes, mas quando Adrião volta, a situação começa a ficar tensa... Antes, até, o narrador já dava mostras de estar entediado com a situação e temeroso por Luísa que pretendia abandonar o marido para ficar com ele. 
Além disso, ao longo de toda a narrativa, Valério está escrevendo um romance chamado "Caeté", mas ele não dá verdadeira importância ao texto e está sempre arranjando pretextos para não concluí-lo. 

Caeté é o nome de uma tribo indígena tupi-guarani que viveu no litoral do país, mais precisamente no Nordeste, também é o nome de algumas cidades e rios do Brasil. 

Esse livro não foi muito bem recebido pela crítica da época, porém alguns autores, como meu querido Jorge Amado, defenderam esse primeiro trabalho de Ramos. Sabendo disso, é compreensível que haja vários textos desses autores no posfácio, só que é um pouco decepcionante porque o livro mesmo tem menos de 200 páginas e o restante são textos de outros falando a respeito da história, algo que não gostei muito. 
Então é isso, gente, essa foi uma leitura um tanto quanto abrupta e monótoma até. Não me interessei por João Valério, mas, de fato, a única personagem digna de nota é Luísa, uma mulher verdadeiramente instigante. 

.9 de agosto de 2017

Quem é esse pokémon?



Young Adult ou New Adult? 

Há alguns dias atrás, publiquei um post falando dos dois primeiros livros da trilogia Firebird e esse texto, na verdade, os comentários dele, me deixaram com algumas dúvidas, pois eu disse que aqueles livros são young adults, mas algumas pessoas disseram ser new adults... E agora, Josefina? O que fazer? 
Como boa cria dos anos 2000, decidi pesquisar no Google e encontrei um post bem legal no blog Razão e Resenhas, super informativo, por favor, se puderem, leiam o texto da Viviane que está muito bom, então, vamos ao que entendi: 
Young Adult é um romance no qual a protagonista sempre é um adolescente, geralmente, mostra o ambiente escolar e/ou mesmo os dilemas desse período e das futuras responsabilidades da vida adulta. Traz relacionamentos amorosos como "descobertas", a importância da amizade e a construção da personalidade do protagonista. 
Já o New Adult tem personagens maiores de dezoito anos, entrando ou saindo da faculdade. As descobertas são todas referentes aos desafios da vida adulta e não mais a construção da personalidade, e sim a permanência ou desconstrução desta, há também o erotismo, o clima de descoberta sexual é perdido, abrindo espaço para as aventuras e talvez um relacionamento duradouro, ou não. 
Mais uma vez, quero frisar que tudo o que disse foi baseado no texto da Viviane e esse é apenas o meu entendimento. Sabendo disso, continuo sem conseguir classificar a trilogia de Claudia Gray, porque a protagonista e a história se encaixam em praticamente todas essas características, mas, sei lá... Acho que não importa muito se é young adult ou new adult... O importante é você gostar e se identificar com a narrativa, pelo menos, eu tô achando isso. Então, falei, falei, falei, falei e não falei nada! É nisso que dá entrar na vibe de uma pisciana... 

E vocês? Já se confundiram com esses ou outros gêneros/temáticas literárias? Gostam dessas classificações ou não ligam muito para elas? 

.6 de agosto de 2017

Sejamos Todos Feministas - Chimamanda Ngozi Adichie



Essa é a transcrição de uma palestra que a Chimamanda deu para o TEDX. A palestra foi tão aclamada e fez tanto sucesso que a Companhia das Letras decidiu publicá-lo. 
Para quem não sabe, Chimamanda Adichie é uma das autoras mais proeminentes da atualidade e já tem a resenha aqui e pretendo ler mais livros dela ao longo do ano. 
Nesse livro, a autora disserta sobre sua trajetória como mulher e ainda mais: como mulher feminista. Ela narra como se deparou pela primeira vez com esse conceito e como ele pode ajudar tanto homens quanto mulheres, visto que ambos terão direitos iguais. É isso que o feminismo quer, direitos iguais, independente do gênero ao qual você pertence. 
Adorei essa leitura! Foi muito instrutiva e maravilhosa, cada dia me convenço mais e mais da importância das obras feministas para nos ajudar a desconstruir vários paradigmas e preconceitos cultivados em nós desde a infância. De verdade, leiam esse livro, ou assistam à palestra que está disponível no Youtube, vai valer muito a pena, faça esse favor a você e a sociedade. 

.4 de agosto de 2017

Contos de Machado de Assis


Olá, pessoal! Quem acompanha o blog a mais tempo, sabe o quanto eu gosto da escrita de Machado de Assis, mas não sou uma alienada, sei que esse autor têm um estilo peculiar e bem complexo nos romances, principalmente, em sua tão temida obra-prima Memórias Póstumas de Brás Cubas, só que meu primeiro contato com o autor foi com o conto A cartomante e achei tão incrível essa narrativa, decidindo partir para outras e mais outras que foram desafiadoras sim, porém, muito recompensadoras também. 
Logo, no ano passado, quando encontrei a edição da Melhoramentos desse compilado de contos não resisti e comprei. Foi uma ótima aquisição, pois pude relembrar o o porquê de minha completa admiração pelo autor. 
Esse livro traz quatorze contos divididos em algumas temáticas semelhantes, tais como: crítica social, adultério, casamento como instituição falida, o amor romântico sendo desacreditado e o que eu mais adorei por causa do teor reflexivo: a mentalidade corrupta e preguiçosa do brasileiro médio, algo retratado no final do século XIX que, infelizmente, perdura até os dias de hoje... Incrível como os textos machadianos são atemporais e mostram de maneira tão clara a realidade de nossa sociedade. 
Para quem não sabe, Machado de Assis inaugurou a escola Realista em nosso país ( para mais informações sobre o tema clique aqui), trazendo um estilo sarcástico e crítico, sendo isso muito objetivo nos contos, por serem narrativas curtas, e mais complexo e intertextual nos romances. O que quero dizer com tudo isso? Antes de enveredar por Dom Casmurro e companhia, leia as histórias curtas do autor, sinceramente, você terá contato com as características da escola literária, com o estilo do autor e melhor: vai admirá-lo, algo que não vejo em meus alunos, obrigados pelas circunstâncias a ler os romances machadianos... Sério, comecem pelos contos e depois me agradeçam pela dica. 

.30 de julho de 2017

Trilogia Firebird - livros 1 e 2


Eu realmente sou brasileira e não desisto nunca... 
Como dito nessa postagem, decidi ler alguns livros para jovens adultos durante esse ano, porque eu realmente gostava desse gênero quando era mais nova e vejo tantas novidades que fiquei muito curiosa. Uma delas é a Trilogia Firebird da autora Claudia Gray, autora essa que foi uma das primeiras que li aos 15 anos com a série Noite Eterna e adorei. Por acaso estou comprando esses livros para completar a minha coleção e reler. 
Lembro-me de ter gostado muito da escrita da autora com a narrativa fantástica, por isso decidi apostar em uma obra dela, agora, tendo como foco a ficção científica. Não é que os livros sejam ruins, não é exatamente isso, mas há pontos que, para a Andréa adulta,  foram bem difíceis de contornar e aceitar... 

Narrado em primeira pessoa pela protagonista Maguerite, uma jovem de 18 anos que acabou de perder o pai de forma suspeita e resolve fazer de tudo para encontrar o suposto culpado pelo crime, Mil Pedaços de Você tem como pano de fundo a Física Quântica e a teoria dos multi-universos.  
Na trama, a mãe da jovem criou um dispositivo capaz de transportar a consciência humana para outras dimensões, o que foi um grande feito, por isso, a menina acredita que Paul, assistente de seus pais, roubou o objeto para enriquecer em um nova realidade, ela, então, incentivada pelo segundo assistente de pesquisa, Théo, pega alguns protótipos do Firebird (nome do aparelho) e arrisca essa viagem buscando por justiça, vingança e, sobretudo, respostas. 
Já no começo da história, temos o perfil de cada um dos rapazes, porque obviamente haverá um triângulo amoroso... Paul é o "bom moço" e Théo é o "bad boy", daí percebemos o porquê de toda a confusão de Marguerite. Nos primeiros capítulos, descobrimos que talvez Paul não seja realmente o vilão, e sim o investidor de todo o projeto, o milionário: Wyatt Conley. Logo, os dois jovens vão em busca das outras versões de Conley para tentar descobrir porque ele assassinou o pai da menina e porque queria roubar a pesquisa. 
A narrativa é bem característica de um livro para jovens adultos em sua estrutura, mas o conteúdo é diferenciado por conta das explicações de Física Quântica que, para mim, foram os pontos mais altos da história, outro ponto positivo são as artes das capas e todo o projeto gráfico dos exemplares que estão muito lindos mesmo, no entanto, como deixei transparecer no começo não gostei muito dessa história por causa da previsibilidade da mesma e das viagens dimensionais que não são muito bem elucidadas e alguns universos, simplesmente, não fazem sentido. 
Dez Mil Céus Sobre Você começa com Paul e Maguerite viajando mais uma vez entre as dimensões, agora, porém, para salvar a vida de Théo. O problema é que Conley consegue fazer algo aparentemente impossível: desfragmenta a consciência de Paul em quatro partes e as espalha em outros mundos, para recuperá-las e alcançar o primeiro objetivo, Marguerite precisa sabotar os projetos Firebirds de outras dimensões. 
A protagonista se sente muito mal por trair seus pais, mesmo sendo outras versões deles, mas consegue cumprir sua "missão". O que ela não imaginava é que durante as viagens conheceria Pauls não muito, ou nada legais, algo que quebra a confiança cega da moça no conceito de "destino". 
Esse livro termina com uma reviravolta inesperada e um desfecho interessante, entretanto, o triângulo amoroso dos jovens é bem acentuado aqui algo muito enfadonho para mim, mais uma vez há vários equívocos com relação às viagens, explico porque: no primeiro livro os cientistas dizem que não dá para viajar pelo tempo, apenas por dimensões, mas algumas delas aparentam estar na Idade Média, ou Anos 50, o que é bem estranho e não fica claro o porquê disso, não gostei. 
Enfim, para um adolescente que goste de ficção científica sem explicações detalhadas, esses livros são ótimos, caso você não se encaixe nesse perfil... Corra. Porque eu, sinceramente, não sei se lerei o desfecho dessa trilogia... 

.27 de julho de 2017

[TEATRO] Dias Perfeitos


Quem me conhece sabe que desde Outubro de 2015, quando li O Vilarejo, tornei-me fã do autor Raphael Montes, e no ano passado só tive oportunidade de ler apenas mais um de seus livros: Suicidas, logo, quando o Samuel me mostrou o anúncio de uma peça baseada em uma das obras de Montes, sabia que a experiência seria incrível e minha intuição não falhou. Então, lá fomos nós ao Teatro Augusta assistir a tão esperada peça. 
Adaptada e dirigida por César Baptista, Dias Perfeitos conta a história nem um pouco romântica de Téo (Hélio Souto Jr.) e Clarice (Dani Brescianini). Ele, um jovem e introspectivo estudante de medicina, ela, uma ariana, estudante de artes, livre, divertida e muito auto suficiente. O encontro dessas figuras tão distintas acontece ao acaso para Clarice, porque para Téo, esses simples encontro gera uma série de sentimentos conflitantes, culminando em atitudes extremistas e sanguinárias para "conquistar" a jovem. 

Téo e Clarice discutindo sobre suas enormes diferenças. 
A primeira e desencadeadora de todas as outras é o sequestro de Clarice: aproveitando a pretensão da moça de viajar a fim de escrever o roteiro de um possível filme intitulado Dias Perfeitos, Téo a mantém em cárcere, mas promete libertá-la se caso ela não se apaixone por ele durante aquela semana... 
Essa foi a primeira peça de teatro que me impressionou do início ao fim! A direção e atuação estão de parabéns. O ator Leonardo Vasconcelos, que faz a grande maioria das personagens secundárias e de suporte dá um verdadeiro show de interpretação e rouba a cena em vários momentos. 
Toda a montagem, a primeira vista, parece simples, mas é carregada de simbologias, deixando a adaptação ainda mais rica e profunda. 
Mora em São Paulo e quer saber se Dias Perfeitos será tão perfeita para você quanto foi pra mim? Está com sorte! A peça ainda fica em cartaz até o dia 30. Corre porque é sucesso! E estamos falando de Raphael Montes, né, gente... História maravilhosa e sanguenta na medida certa. 

Romance que originou o espetáculo. 
Mais informações sobre ingressos, datas e duração da peça, acesse esse link e visite a fanpage da peça. 
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